sexta-feira, 16 de julho de 2010

O Vídeo como Meio de Expressão

Adriana Lourenço
 Desde invenção da TV e durante alguns anos, os programas televisivos eram transmitidos ao vivo. Os equipamentos mais antigos não suportavam a gravação de sons e imagens em fitas magnéticas.

De acordo com o dicionário Michaellis (2008),vídeo é parte de um equipamento de circuito de televisão que atua sobre os sinais de imagem e permitem a percepção visual das emissões.

Para o Curso TV na escola o vídeo é entendido como:

“Chama-se hoje vídeo a toda mensagem audiovisual registrada em fita, desde gravações de programas de TV e filme através de videocassetes a mensagens produzidas em câmeras de vídeo por amadores”.

A maioria das escolas públicas brasileiras já possui esse recurso, que auxilia no processo de gravação de programas educativos como os da TV Escola. Essas gravações servem como apoio didático para os professores, o que sugere que seja montada uma videoteca com todo esse material, para que posteriormente possa ser usado durante as aulas das diversas disciplinas.

A videoteca escolar deve ter como característica principal, a disseminação do conhecimento produzido por vídeo.

O vídeo escolhido corretamente serve para ampliar o conhecimento dentro da sala de aula, fornece ao professor diversos procedimentos técnicos como: adiantar, congelar imagens, retornar, utilizar trechos escritos importantes e focalizar cenas com maior precisão.

Para isso o professor precisa ter disponíveis os seguintes equipamentos:

• Aparelho de videocassete;

• Antena parabólica ou receptor de satélite;

• Câmera de vídeo ou filmadora digital;

• Televisor.

Ressaltamos que o vídeo não é um meio audiovisual puramente reprodutor de imagens, mas uma tecnologia a favor da aprendizagem.

Ferrés (2001) nos recorda que o vídeo é um meio de comunicação e um meio de ensino.

Podemos analisar por esses dois prismas que se trata de um meio que possibilita para recepção de informações em massa e segundo como fonte propiciadora de análise e uso com fins pedagógicos.

Os Diversos Caminhos Pedagógicos de Utilização da TV/Vídeo na escola

Adriana Lourenço

Existem inúmeras possibilidades no desenvolvimento das atividades curriculares, e uma delas é a possibilidade do uso da TV/vídeo. A proposta não é apresentar soluções prontas, mas sim indicar alguns caminhos de sua utilização.

Partindo dessa premissa, o sucesso do uso das tecnologias na educação muito também depende do conhecimento dessas tecnologias, a sua aplicabilidade e o planejamento do professor. Abaixo relacionaremos o uso da TV/Vídeo em diferentes áreas do conhecimento.



Língua Portuguesa

De acordo com Garcez (2001) qualquer material audiovisual pode ser considerado um texto e adentra os campos tratados pela Língua Portuguesa, já que do acesso a “leitura” e análise da língua utilizada.

De acordo com o Curso TV na Escola, há pelo menos duas possibilidades de selecionar esse recurso, a primeira quando o professor seleciona o vídeo previamente e o trabalha de forma interdisciplinar e a segunda é quando o professor de Língua Portuguesa escolhe o recurso para ampliar o conteúdo de um assunto específico.

O professor em qualquer uma das situações acima descritas tem a multiplicidade desse recurso ao seu favor para flexibilizar o seu trabalho.

O texto audiovisual pode ser usado como estratégia para trabalhar as informações pertinentes a um determinado assunto ou especificamente a linguagem que está sendo utilizada no próprio material.

Ambos os aspectos também podem estar voltados num determinado material audiovisual que pode ser usado parar tratar ao mesmo tempo a questão temática e a sua estrutura de linguagem.

Em qualquer um dos casos o professor de Língua Portuguesa, estará trabalhando e auxiliando a desenvolver no aluno as competências e habilidades lingüísticas que os encaminhem, a saber, ouvir, falar, ler, escrever e analisar a língua materna em diversas situações de uso da linguagem verbal e com objetivos diversos.

As atividades desenvolvidas através do uso da TV/Vídeo, proporcionam aos estudantes o contato com os diversos gêneros orais específicos e dessa maneira, podem analisar e refletir sobre o seu funcionamento e estrutura: entrevistas, debates, comentários, propaganda, telenovela, narrativas ficcionais e outras afins.

Em suma, o uso da TV/Vídeo proporciona uma infinidade de atividades voltadas para ampliação do universo lingüístico dos alunos.



Matemática

A ciência Matemática parte do concreto para depois adentrar os espaços do abstrato, por esse motivo o professor de Matemática deve ter o cuidado quando selecionar o vídeo para utilizá-lo em suas aulas.

Vídeos de aulas gravadas ou demonstrações de pessoas manipulando objetos concretos, não despertam a atenção dos alunos.

Então se sugere que escolha vídeos que possibilitem movimentação a objetos gráficos não manipuláveis, outros que possibilitem a combinação de imagens diversas e aproveitar também a linguagem audiovisual como elemento motivador das aulas.

Na área de Matemática, o professor pode trabalhar com o vídeo especificamente para iniciar assuntos relacionados na área da história da Matemática, simetria, pavimentações de plano e perspectivas.

É claro que o vídeo não atende a todos os assuntos específicos dessa área, mas eles devem ser utilizados como forma fomentadora nessa disciplina, para que leve os alunos a estabelecerem relações, a resolver situações problemas e outros objetivos. Porém cabe o professor levar o aluno a desenvolver o olhar crítico sobre aquilo que assiste.



Ciências

Sabemos que muitas mudanças correram nas últimas décadas, principalmente no que tange a respeito da sociedade atual, da qual o conhecimento científico e tecnológico é cada vez mais valorizado. Em vista disso, como podemos pensar na formação de um sujeito crítico e participativo, senão promovermos situações favoráveis a apropriação de conceitos e procedimentos que permitam o entendimento do teor científico oportunizado pela natureza.

Já passou o tempo em que o professor de Ciências apenas organizava os conteúdos para os alunos enquadrados num mesmo perfil. Hoje, o professor deve oportunizar meios, criar situações, desenvolver diversas alternativas para que o aluno possa ter uma aprendizagem significativa dos conhecimentos científicos e tecnológicos que levem em conta o desenvolvimento de habilidades.

E de acordo com o Curso TV n escola, o uso do vídeo durante as aulas de Ciências constitui-se em outros recursos, um apoio precioso à apropriação dos conhecimentos científicos e tecnológicos, além de contribuir para aprendizagem necessária a linguagem das imagens. A confrontação das informações obtidas a partir de filmes com as concepções dos alunos pode conduzir à formulação e à discussão de novos problemas em sala de aula.

Ao analisar um filme, o aluno desenvolve o seu olhar nas questões da observação, identificação, seleção e hierarquia das imagens. Porém o uso do vídeo de forma alguma pode substituir o professor nem as produções dos alunos.

Os filmes científicos são feitos em sua maioria tendo bases nos documentários explicativos que não possibilitam muito a reflexão. Antes de iniciar um filme o professor deve promover meios para discussão e após exibição do vídeo.



Artes

“Um dos principais objetivos do ensino da Arte na escola é a formação do apreciador, do fruidor dos bens culturais. O desenvolvimento das habilidades apreciativas é direito de todos e não apenas dos profissionais da Arte” (ROSSI, 1999).

A Arte no espaço escolar pauta-se nas práticas que visem a apreciar, ao afazer artístico e a história dos objetos artísticos produzidos pelo homem no transcorrer histórico. O suo da imagem está sendo muito utilizado nessa última década, veiculando diversas informações de forma rápida.

Com as imagens podemos criar diversas possibilidades de narrativas visuais que transportam obstáculos lingüísticos e ampliam o nosso universo comunicacional e expressivo.

Em todos os espaços estamos permeados pelo uso da TV/Vídeo. Esses recursos têm feito parte de nossa formação, nos levando a compreender a realidade atual. Os recursos audiovisuais são veículos de manifestações artísticas e culturais.

Sugere-se utilizar programas de televisão para abordar as diferentes funções da Arte na sociedade. Já uma cena de novela, é um bom exemplo para trabalhar os termos estruturais do diálogo e a construção de personagens.

O vídeo usado com a função de informação e de conteúdo de ensino traz grandes contribuições no processo de troca de informações para a construção do conhecimento.

Em História da Arte, pode-se mostrar um artista e suas obras, as diversas formas de se expressões culturais, fazendo ponte com as diferentes épocas históricas.

A utilização do recurso audiovisual é diversa. A Arte liga-se a esses recursos a fim de desenvolver a apreciação, o fazer artístico e a contextualização de seus movimentos.

A MÍDIA TELEVISIVA/VÍDEO NA ESCOLA

Adriana Lourenço


Desde os tempos primordiais, o homem teve o desejo de registrar imagens. Isso pode ser verificado por meio de estudos históricos, que revelam gravuras e desenhos de animais e pessoas em cavernas e pedras. Embora bastante rudimentares essas ações trazem a origem de uma importante descoberta para a humanidade: a descoberta de que é possível guardar e criar reproduções da vida cotidiana.

Movido pelo desejo do novo e dos desafios, o homem percorreu o caminho do progresso, das descobertas e, em 1826, com Nicéphore Niépce conseguiu produzir uma imagem que deu bases para o desenvolvimento da televisão que conhecemos hoje. Posteriormente, em 1873, com o descobrimento do selênio, o homem passou a transmitir imagens televisivas, dando início a uma nova era no registro de imagens.

Podemos entender a palavra televisão com o significado de “visão a distância”. Atualmente, esse recurso, que está totalmente popularizado, modificou não só a história das imagens, mas também a natureza da própria sociedade, que hoje precisa discutir seus usos, efeitos e possíveis intervenções.

É certo que a mídia televisiva desempenha um papel importante na socialização do ser humano, influenciando o modo de vestir, falar, pensar, além de comportamentos e valores. Atua como referencial para jovens, crianças e adultos quanto à forma de ser e de agir.

A integração da mídia na escola pode ser realizada em dois níveis: como recurso de ensino e como objeto de estudo. Como recurso de ensino o vídeo como a TV, também trazem grandes contribuições para o ensino. Existe uma gama de variedades de programas de vídeo que podem ser utilizado na escola como: desenhos animados, vídeos da Internet, comerciais, programas como TV Escola, propagandas, informativos, produções realizadas pelos alunos e outros.

Devemos ter alguns cuidados com a utilização antes de usar esse recurso. Para sua utilização devemos levar em conta o planejamento do professor, priorizando os objetivos a serem desenvolvidos durante a sua aula, a fim de efetivar a aprendizagem.

A utilização do vídeo exige prioritariamente uma checagem inicial dos aspectos técnicos (qualidade do material, qualquer que seja, duração, cor, som, imagem) e pedagógicos (aspectos mais importantes, cenas, adequação à faixa etária, linguagem, assunto, outros).

Além desses cuidados citados anteriormente, outros mais precisam ser considerados na utilização do vídeo em sala de aula. Formas inadequadas podem causar transtornos e descaracterizar seu uso, comprometendo o trabalho do professor.

Moran (1995) aponta algumas formas inadequadas de uso: vídeo-tapa-buraco, vídeo-enrolação, vídeo deslumbramento, vídeo perfeição, só vídeo. Proposta correta de utilização: sensibilização, ilustração, simulação, conteúdo de ensino de dinâmicas de análise do vídeo em sala de aula – leitura em conjunto, leitura globalizante, leitura concentrada e leitura funcional.

Tanto o vídeo como a mídia televisiva, se bem empregado pelo professor, enriquecem a aula e o ambiente escolar e proporcionam uma aprendizagem mais significativa, considerando que “somos tocados pela comunicação televisa sensorial, emocional e racionalmente” (FIORENTINI; CARNEIRO, 2001, p.25).

Na televisão e através do vídeo, há combinação e superposição de várias linguagens – imagens, músicas, escritas, que facilitam a interação, uma vez que sua linguagem estimula a emoção, os desejos, as fantasias, e a percepção através dos sentidos. Isso porque as imagens visuais e auditivas são experiências sensoriais. O que os olhos vêem, os ouvidos ouvem, o cérebro registra. Através desses meios áudios-visuais, viaja-se entre o real e o imaginário, uma hora somos espectadores outras horas atores, transpomos o tempo e o espaço, penetramos em lugares nunca percorridos ou desejados. Enfim nos deixamos levar pelas diversas sensações produzidas por todos esses aspectos. A contribuição que o vídeo e a televisão podem trazer á escola é enorme, mas não são as únicas mídias que possibilitam a interatividade e envolvem o aluno, tocando a afetividade e a emoção.

Esses meios também devem ser considerados como meios favoráveis para democratização do conhecimento e da cultura, para melhorar e acrescer no que tange os sentidos e não como uma forma de “roubar o tempo”, que despontam discussões em virtude do conteúdo transmitido e que propicia embate negativo, principalmente sobre os alunos.

Televisão e vídeo combinam a dimensão espacial com a sinestésica, ritmos rápidos e lentos, narrativas de impacto e de relaxamento. Combinam a comunicação sensorial com a audiovisual, a intuição com a lógica, a emoção com a razão. A integração começa pelo sensorial, o emocional e o intuitivo, para atingir posteriormente o racional. Exploram o voyerismo, e mostram até a exaustão planos, ângulos, replay de determinadas cenas, situações, pessoas, grupos, enquanto ignoram a maior parte do que acontece no cotidiano. Mostra à exceção, o inusitado, o chocante, o horripilante, mas também o terno – um bebê desamparado, por exemplo. Destacam os que detêm atualmente algum poder – político, econômico ou de identificação/projeção: artistas, modelos, ídolos esportivos. Quando o perdem, desaparecem da tela (MORAN, 2008).

Nesse sentido a escola tem um papel de suma importância na utilização do vídeo. É seu papel alfabetizar visualmente os alunos, ensinando-os a ler o vídeo e saber utilizá-lo ao seu favor.

Se soubermos utilizar de forma adequada o vídeo na escola, esse recurso certamente irá auxiliar da mudança da postura do ser e do agir do aluno diante do mundo, levando as pessoas a refletir, analisar e agir em relação a sua própria vida, aos seus semelhantes, e as diversas situações da vida cotidiana.

Utilidade do Vídeo em sala de Aula

Adriana Lourenço
Podemos elencar diversas maneiras de se utilizar o vídeo na sala de aula, porém o nosso intuito não é oferecer uma receita pronta para aplicação, mas apontar meios de exploração. Antes de qualquer coisa cabe ao professor pesquisar, buscar diversos meios de aplicabilidade desse recurso e ver qual delas consegue se familiarizar.

Ferrés (1996) apresenta diversas maneiras de utilizar o vídeo como: veideolição, videoapoio, videoprocesso, programa motivador, vídeo interativo e etc.

A seguir trataremos de algumas dessas utilidades.



Informação de conteúdo de Ensino



Apresenta-se a informação de maneira sistematizada como as vídeo aulas ou tele aula, que atualmente encontramos nos programas educativos ou no Sistema de EAD. A outra forma é usar o vídeo comum, tipo filme, documentário, desenhos que podem ser explorado com múltiplas abordagens.



Motivação

Os vídeos devem ser utilizados como estimuladores da aprendizagem. Antes de iniciar um novo assunto, utilizar um vídeo desse teor seduz os alunos a adentrarem no espaço imagético.

Para motivar alguém é claro que precisamos antes estar motivados, isto quer dizer, com vontade de fazer algo que nos traga prazer. Desse modo, levar para os outros essa vontade.

Os meios audiovisuais por si só, já encantam a todos com as suas reflexões, é como entrar em espaços que nos levem a sonhar, refletir, seduzir nossas emoções para um melhor entendimento dos fatos.



Ilustração

A ilustração é uma arte pictória que amplia nossos sentidos e têm diversos significados e significantes. Ela pode elucidar, explicar, exemplificar, adornar filmes e vídeos. Auxiliam no enriquecimento do produto, daquilo que se pretende apresentar em sala de aula.



Meio de Expressão

Dentro de todos os meios acimas mencionados, o meio como expressão é um termo inovador. Expressar-se significa demonstrar através de algum meio algo que você conhece ou domina. Temos uma amplitude de meios pelos quais podemos nos expressar e um deles é o vídeo.

Incentivar nossos alunos a se expressarem através de gravações próprias é um excelente meio de educar-lhes para a tecnologia. Dessa forma eles poderam apreciar as próprias produções e reverem seus aspectos comunicacionais.

Como podemos ver o vídeo nos traz inúmeras possibilidades de uso, para isso, se faz necessário que o professor antes de mais nada domine essa mídia. A ação de domínio requer constante pesquisa e reflexão quanto ao seu uso.

O vídeo bem empregado em sala de aula trará inúmeros benefícios a aprendizagem dos alunos, basta que para isso seja usado com intencionalidade pedagógica.

A Influência das Novas Tecnologias e as Novas Possibilidades no Sistema EAD

Adriana Lourenço
 As novas tecnologias digitais adentraram todos os espaços de nossa vida, numa proporção que talvez não tenhamos consciência desse fato e como elas modificaram as bases estruturais da nossa vida.

O mesmo acontece nos sistemas de ensino tanto presencial como a distância.

No sistema de EAD, as tecnologias digitais são confrontadas com um desenvolvimento tão veloz, que a sua utilização como recurso didático ultrapassou todos os outros recursos didáticos.

Atualmente temos o computador que tem a capacidade de armazenar uma grande gama de informações que em alguns instantes. Num piscar de olhos buscamos informações e elas se colocam sobre a tela, numa velocidade imaginável. Aqui não podemos deixar de citar a conexão mundial em rede, que abrange todo o mundo na troca de informações e comunicação que antes do século XXI era feito por máquinas com pouca sofisticação e com custo alto.

Com essa revolução tecnológica a educação toma novos rumos, principalmente no que se refere na didática do ensino a distância e Peters (2006) afirma que: “a teleconferência e o computador pessoal modificam a concepção didática do ensino a distância de tal maneira que já agora se fala de uma segunda e uma terceira gerações dessa forma de ensino e aprendizagem.”

As novas tecnologias proporcionam formas ampliadas no ensino e na aprendizagem no sistema EAD. Elas trazem várias possibilidades o que trazem várias possibilidades o que torna a aprendizagem mais atrativa e eficaz. Para que o docente abre um leque de novas possibilidades didáticas.

Peters nos apresenta também, os principais métodos de ensino a distância, utilizando as tecnologias como recurso didático. Essas apresentações são fruto de uma pesquisa do qual ele pode conhecer a realidade de diversas universidades americanas e européias apresentando as suas contribuições e seus anseios relativos ao uso das tecnologias e as modificações necessárias na didática de EAD.

No entanto vamos anos aterem ao uso específico do áudio e vídeo no sistema de educação à distância.

O questionamento inicial se faz em relação das reais funções didáticas dessas tecnologias no ensino a distância. Quem nos responde essa questão é Garrison (1994). Segundo ele essas duas formas poderiam ser resumidas como sendo a essência de todo esse processo seria a comunicação entre docente e discente.

Para ele a comunicação é a principal ferramenta, porque mestre e aluno através de um diálogo bidirecional tecem relações que proporcionam aprendizagem e também se utilizam desses recursos como meio de ensino.

Garrison tem como proposta de trabalho tornar a teleconferência como argumento para o surgimento da segunda geração de ensino a distancia, passando assim por grandes modificações estruturais.

Entendemos por teleconferência a conferência que se efetua simultaneamente em um ou mais lugares distintos.

Podemos assim dizer que por meio digitais de comunicação, estaria garantido por meio deles o diálogo no futuro do sistema de EAD.

A teleconferência dar-nos a idéia de uma sala amplificada, onde um docente estaria com uma turma presencial ministrando sua aula e essa aula também seria assistida por outras turmas em lugares diferentes.

Não estamos muito distante dessa realidade, porque atualmente temos diversas universidades que se dedicam ao ensino a distância e utiliza-se de diversos recursos digitais para proporcionarem aos seus alunos um ensino de qualidade. Temos conexão em rede, aulas que são transmitidas em tempo real através de satélites, módulos impressos com impressoras a laser, chats durante as aulas presenciais que proporcionam o efetivo diálogo entre professor e aluno.

O mais fantástico dessa exposição é de que o ensino a distância aliado ao uso das tecnologias digitais proporcionam para milhares de pessoas, a inserção no universo acadêmico, melhorando a qualidade de vida, realização profissional, enfim, responde aos anseios de uma sociedade que vivencia a era midiática.

No que tange ao professor, esse para que realmente utilize dessas ferramentas ao favor do ensino e da aprendizagem, deverá ter primeiro, vontade e suportes didáticos, segundo necessita de formação e aprimoramento constante.

A nossa realidade brasileira, já deu grandes avanços, mas ainda a formação necessária ao do uso das tecnologias de informação e comunicação digital são para um grupo minoritário e as nossas escolas públicas ainda não disponibilizam desses recursos tão avançados.

ENSINO POR ÁUDIO E VIDEOCONFERÊNCIA NO SISTEMA DE EAD

Adriana Lourenço

O questionamento inicial tem como bases investigativas, conhecer as funções didáticas do áudio e da videoconferência e como essas tecnologias pode ser usada como instrumentos ao ensino e na aprendizagem do Ensino a Distância.

Para responder esses questionamentos, encontramos Garrison grande apreciador das tecnologias algumas dessas respostas. Segundo ele, a essência principal do ensino e da aprendizagem é a comunicação, com ela o professor e aluno se relacionam e trocam suas prelações e consecutivamente tecem a comunicação. O ensino e a aprendizagem se dão quando há uma qualidade significativa durante a comunicação.

Ele ainda afirma que essas duas tecnologias, ofertam ao estudante auxílio e apoio por meio da comunicação, ainda mais no ensino a distância que tem bases estruturais na independência e no isolamento.

Diversos países já estão aderindo às idéias sociais de Garrison no se refere ao ensino a distância. A proposta dele é de tornar a teleconferência como argumento para falar de uma segunda geração de EAD que certamente mudará as suas bases estruturais

Garrison argumenta em seu projeto Multifunction microcomputer enhanced áudio teleconferencing com (1993ª), que por meio dessas tecnologias de comunicação, pode-se resgatar o diálogo que é tão importante na relação professor e aluno. Esse fato trará para o ensino à distância mudanças promissoras. Ele continua argumentando que com os meios de comunicação reportaria aos telestudantes, o mesmo que ocorre com os estudantes no ensino presencial. Garantindo assim, a qualidade no processo de ensino e aprendizagem.

Desse modo a EAD seria vista por outro prisma e mais facilmente aceita no universo acadêmico.

Em termos gerais, pode-se dizer que o áudio e o vídeo unido a outras inovações tecnológicas, ligariam vários grupos de estudo ao mesmo tempo pelo sistema de banda larga (ISDN) ou por via satélite. Esse molde didático propicia uma nova forma de estudo que ultrapassa grandes distâncias e pode ser dirigido a partir de um local de base por um docente.

Na prática desenvolveram-se segundo Keegan quatro tipos de teleconferência:

Tipo 1: Dois caminhos de áudio. Conversas entre docente e discente por uma linha de áudio.

Tipo 2: Dois caminhos de áudio e um caminho de dados. Além da conversa por esta linha de áudio, há também transmissão de dados.

Tipo 3: Um caminho de vídeo mais dois caminhos de áudio. A aula é transmitida de uma classe base para diversas outras classes por meio de um canal gerador de imagem, via satélite.

Tipo 4: Dois caminhos de vídeo mais um caminho de áudio Docente e discente se comunicam através de uma ligação audiovisual em tempo real.

Essas formas de teleconferências provocam um grande boom no ensino a distância em relação ao antigo sistema usado por correspondência que ainda é utilizado por muitas universidades americanas. Já as Européias garantiram ao ensino e ao processo de aprendizagem, a utilização dos meios tecnológicos em suas universidades através da constituição de convênios com as universidades membros.

Essa forma diferenciada de ensino a distância tem idéia de uma sala de aula ampliada, isso significa que um docente se encontra na frente de um grupo de estudantes e realizam a comunicação em tempo real.

Outros autores reconhecem que esse novo sistema também apresenta as suas desvantagens, porque haveria uma economia em relação ao número de docentes nas universidades conectadas e pelo fato de alguns alunos acharem os discursos maçantes.

O atraente nesse novo contexto é que basicamente os docentes devem ter afinidade com esse novo modo de apresentação nas aulas. Keegan resumiu essa atitude, denominando a teleconferência presencial a distância.

Apesar da descrença em relação a essa nova didática no EAD, devemos levar em conta a sua propagação por todo mundo nesses últimos cinco anos. Sem dúvida poderia citar diversos nomes de projetos que se utilizaram da teleconferência, o mais importante a se destacar que essa metodologia não reproduz as aulas costumeiras tradicionais, Também não é a única forma de se transmitir o saber, mas apenas exercem conscientemente determinadas funções didáticas no todo do sistema do ensino a distância, que em sua maioria devem ser analisadas e testadas em prol de uma educação de qualidade.

Bibliotecas Escolares

Orientações



Adriana S. L. dos Santos

23/06/2010





Tombamento do acervo bibliográfico das Bibliotecas Escolares ou Salas de Leitura da Rede Ensino Municipal de Rio do Sul







Tombamento do Acervo Bibliográfico





Toda biblioteca é composta por diversos livros. É muito importante manter esse espaço organizado, para que os leitores se sintam acolhidos.

O acervo deve ser o mais variado possível, para contemplar os mais diferentes gostos, interesses e motivações. Assim, quanto maior for a diversidade de títulos disponíveis no acervo, maior a probabilidade de ampliação do universo de referências do leitor. Além de livros e revistas, procure incluir outros suportes como DVD, CD, pôsteres, cartazes, fotografias, reproduções de abras de arte etc.

O nosso foco é o livro, vamos nos deter na organização desse tipo de obra. É preciso organizar os volumes para facilitar o empréstimo e o controle da devolução. Isso não é difícil. Basta começar a separação por tipos de obras. Nossa sugestão é que sejam, em média, cinco tipos:





1)Obras de Referência – enciclopédias, dicionários, atlas, gramáticas e catálogos;

2)Periódicos - jornais e revistas (de informação geral, técnicas, histórias em quadrinhos, especializadas, de divulgação científica);

3)Documentários – ensaios, biografias e autobiografias, relatos de viagem, livros de arte, culinária, variedades, paradidáticos;

4)Outras coleções – obras teóricas de apoio ao professor, fotografias, mapas, reproduções de obras de arte, cartões postais;

5)Obras de Ficção – contos, poesias, romances, textos de tradição popular, teatro, livros de narrativas por imagens (literatura infantil, literatura infanto-juvenil);





Cada grupo de obras deve ser identificado por uma cor, para facilitar a localização por parte dos leitores e para auxiliar na hora de recolocar os livros nas estantes.



Sugerimos as seguintes cores (durex colorido):



1)Obras de Referência: amarelo;

2)Periódicos: azul

3)Documentários: laranja

4)Outras coleções: verde

5)Obras de Ficção: vermelho;

6)CD’s e DVD’s: preto;



Depois, é preciso catalogar os títulos, isto é, fazer uma relação de todos os exemplares disponíveis e dar um número a cada um – chamado número tombo. Isso poderá ser feito por meio de um arquivo no computador, por meio de fichas ou registro em um caderno ou livro preto específico. Nesse catálogo deverão constar:



 Para as obras de ficção, de referência, documentários, obras teóricas: o título da obra, autores), número do tombo, editora, modo de aquisição e observações;

 Para os periódicos: nome da publicação, ano/mês de referência, número do tombo e número da edição;

 Para outras obras, como fotografias, mapas, reproduções de obras de arte, cartões postais, CD’s, DVD’s: título do trabalho, nome do autor, ano de publicção – se houver – e número de tombo;





MODELO DE LIVRO TOMBO



Data Título Autor N.0 do Livro Editora Modo de aquisição OBS





Essas informações registradas no livro-tombo devem ser organizadas de tal forma que permitam ao usuário/leitor e ao responsável pelas Bibliotecas ou Salas de Leitura, localizem os livros disponíveis. Por isso, sugerimos que os títulos sejam agrupados – lembrar que cada grupo foi atribuído uma cor específica – e, dentro de cada grupo, sejam organizados pelo último sobrenome do autor ou ordem de tombo, por exemplo:



A0028

A= José de Alencar

0028= Número recebido no livro-tombo

ANDRADE, Carlos Drummond de.



Pronto o registro, chega o momento de identificar cada uma das obras como pertencentes à escola. Para isso, carimbe na primeira página – ou folha de rosto o seguinte modelo:



C.E. Ricardo Marchi

No. Registro:_________________

Volume:_____________________

Aquisição:___________________





Agora, vamos preparar o livro para empréstimo:

Em primeiro lugar, será necessário adquirir etiquetas brancas, durex colorido e papel contact. Prepare as etiquetas colocando na parte superior o durex com a cor indicada. Depois, escreva o número da obra. Cole a etiqueta na parte inferior do livro, deixando um espaço livre de aproximadamente 3cm. Para finalizar cubra a etiqueta com papel contact.

Segundo, prepare uma tabela com os nomes dos alunos por turmas e também dos professores. O objetivo dessa tabela é controlar a entrada e a saída das obras. Ela poderá registrar as seguintes informações:



Aluno No. do livro e ou/nome Data da retirada Data da devolução







Para cada empréstimo, deverá ser registrado o nome do aluno, número o nome do livro, data de retirada e a data em que a obra foi emprestada. Com essas informações o professor orientador de Sala de Leitura ou responsável pela Biblioteca, terá dados necessários para montar gráficos sobre as obras mais procuradas, turmas que lêem mais e assim por diante.

Alguns cuidados que não podemos esquecer!



Todos os livros adquiridos (literatura) sejam compra, doação ou permuta, deverão ser registrados no livro-tombo, carimbados e etiquetados;

Obra repetida anote na parte da observação o número de livros e o identifique com o mesmo número. Exemplo: 0018-1;

Quando o livro estiver totalmente danificado, deverá ser feito o registro no livro-tombo como: Descarte. Obedecendo a sua numeração original.

Além dos livros que não podem ser consertados ou já passaram por muitos consertos, deverão ser descartados do acervo ou retirados do empréstimo, obras com ortografia desatualizada (1991), outros materiais que não são de interesse dos usuários da biblioteca e material desatualizado.

Não devem ser descartadas obras raras ou de reconhecido valor, primeiras edições de autores nacionais e locais, edições de luxo ou com tiragem limitada, obras autografadas ou importantes para a comunidade. Uma boa ocasião para descarte é durante o inventário. Após separação das obras, as mesmas deverão ser analisadas pelos demais professores, listadas em ata e dado baixa no livro tombo.

Se o livro descartado for substituído por outro exemplar igual, coloque a numeração original do primeiro livro.



Caro orientador não se esqueça de sempre manter os livros catalogados.



Ficha cadastral do aluno (modelo) Opcional:

Cada aluno terá uma ficha cadastral, devidamente numerada. Este número é o mesmo quando fizer sua carteirinha, também registrado num livro à parte. O modelo apresentado deverá ser adaptado a cada escola.

Estas fichas também podem ser guardadas em um mini-fichário, por ordem alfabética (sobrenome). Essas fichas têm a finalidade de localizar o aluno, telefonar quando houver atraso na devolução do livro.



Nome do aluno:____________________________________________________

N__________________________ Data:___/____/____

Eu, abaixo assiando(a), inscrevo-me como usuário(a) da Sala de Leitura desta escola, comprometendo-me a respeitar o seu regimento, pagar as multas em que incorrer e responder por danos e perdas de livros a mim confiados.

Assinatura:____________________________________________________________

Série:_________Idade:_________________Telefone:___________________________

Endereço:_______________________________________________________________

Professor Regente:________________________________________________________

Sala de Leitura:____________________________________________________





Regras de utilização das Salas de Leitura ou Biblioteca escolar:

Cada unidade escolar deverá elaborar as regras de utilização das Salas de Leitura ou Biblioteca Escolar. Essas regras devem depois de prontas e aprovadas por todos da escola, ficarem em local visível para o conhecimento de todos.



Horário de Atendimento:



Cabe a Unidade confeccionar o cronograma de atendimento das aulas de leitura, bem como o atendimento e orientação a pesquisa aos demais alunos, segundo o que está exposto na Proposta Norteadora de Salas de Leitura.



Pronto! Agora é a hora de chamar os leitores!!!!!



Esse documento, bem como a Proposta Norteadora e Pedagógica de Salas de Leitura, deve permanecer dentro da Sala de Leitura ou Biblioteca escolar, afim de a cada novo ano letivo, o professor ou responsável pelo espaço tenham as orientações necessárias para desenvolver um bom trabalho.



Bibliografia:

PEREIRA, Andréa kluge. Biblioteca na escola. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de educação Básica, 2009.

PESQUISA EDUCACIONAL

Adriana Lourenço


Pesquisa é o modo científico para obter o conhecimento da realidade empírica e também poderíamos dizer que pesquisa é o conjunto de atividades intelectuais que leva á descoberta de novos conhecimentos.

Qualquer pesquisa tem a finalidade de responder a um questionamento, resolver um problema e descobrir respostas sobre as questões que intrigam cientistas e estudiosos na área.

A pesquisa educacional se encontra entre as ciências humanas e sociais, sofreu as influências dessas ciências, portanto os estudos fenomenológicos educacionais acompanharam á evolução das pesquisas científicas.

As pesquisas educacionais realizadas no século XIX seguiam a linha do positivismo, por se acreditar por muito tempo que existia a possibilidade de decompor os fenômenos educacionais em suas variáveis básicas e assim obter o conhecimento total dos fenômenos estudados.

Mesmo com a possibilidade da aplicação de estudos experimentais na área da educação, com o tempo foi-se percebendo que as pesquisas educacionais não podiam se limitar ao uso desse método. Surge, então, por parte dos pesquisadores da área de educação, a necessidade de buscar novas formas de trabalho em pesquisa, rompendo assim com os antigos paradigmas.

Começaram, portanto surgir novas propostas de abordagem de pesquisa, na área da educação, com soluções metodológicas diferentes. Surgem, por conseguinte, as modalidades de pesquisa participante, pesquisa-ação, pesquisa etnográfica, estudo de caso que abordaremos mais adiante neste texto.

Surge a nova prática da pesquisa educacional, voltada para a investigação do cotidiano das escolas e das salas de aula. Lúdke e André (2003, p.8) afirmam que “na base das tendências atuais de pesquisa em educação se encontra uma legítimas e finalmente dominante preocupação com os problemas de ensino”. Essa mesma constatação é feita por Mello, citado por Lúdke e André (2003, p.8) afirmando que: “a pesquisa passa a estar mais voltada para a apreensão do funcionamento interno da escola e do sistema escolar”.

Toda e qualquer tipo de pesquisa somente terá validade científica se for realizada observando os preceitos dos métodos científicos. E na área de pesquisa educacional não pode ser diferente.



Pesquisa Quantitativa

Parte do princípio de que tudo pode ser quantificado. Isso significa transformar em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-las. Utiliza-se de recursos e técnicas estatísticas.

Na área educacional ela quantifica: demanda de alunos matriculados, alunos aprovados ou reprovados, alunos retidos na série, números de alunos con dificuldades e etc.

Exemplos de pesquisas atuais: ENEN, ENADE, Provinha Brasil...



Pesquisa Qualitativa

Considera que há uma relação dinãmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos. O ambinete natural é a fonte direta para coleta de dados, e o pesquisador é o intrumento chave.

A pesquisa qualitativa na área de educação estuda a escola a aprtir da análise de elementos ou das situações vivenciadas no cotidiano escolar.



Pesquisa Etnográfica

Utliza-se de técnicas que são tradicionalmente associadas à etnografia, como: a observação, a entrevista, e a análise de documentos.







Pesquisa Estudo de Caso

O que a caracteriza um estudo de caso é um estudo profundo, exaustivo e detralhado para que se possa obter o maior número de informações sobre uma pessoa ou um grupo de pessoas. Não permite generalizações. Portanto, os resultados obtidos só têm validade para aquela população que foi estudada.

Na área educacional a sua utiliadde é de identificar um problema educacional e também serve para entender a dinâmica da prática educativa.



Pesquisa -Participante

Pesquisa participante desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas.



Pesquisa Bibliográfica

Pode-se constituir em etapa prévia em um processo de epsquisa, seja qual for o problema em questão, com o objetivo de ter um conhecimento prévio da situação em que se encontra um assunto na literatura da área. Ela também pode ser utlizada para a realização de uma pesuisa teórica sobre um determinado assunto.

Em qualquer tipo de pesquisa principalmente na área educacional serve para resolver as questões educacionais vigentes em busca da melhoria da qualidade da educação.





Referências:



Universidade Norte do Paraná. Curso superior de Pedagogia: módulo 2. Londrina: UNOPAR, 2006.

Métodos de Pesquisa

 Adriana Soares Lourenço dos Santos


Método é um conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.

A palavra método é derivada do grego Méthodos, que significa ‘caminho para se chagar a um fim'. Assim, na dimensão semântica, entende-se por método, a ordem em que se devem dispor os diferentes processos necessários para se alcançar um resultado desejado. Em outras palavras, método é um procedimento (forma), passível de ser repetido para atingir-se algo, seja tangível (material) ou intangível (conceitual).

Lakatos e Marconi (2000, p. 44) observam que todas as ciências precisam de um caminho seguro para chegar a seus objetivos. Esse caminho é o método. Mas, em contrapartida, nem todos os ramos de estudo que empregam esses métodos são ciências. Ainda para as autoras citadas, a utilização de métodos científicos não é da alçada exclusiva da ciência, mas não há ciência sem o emprego de métodos científicos.

Dessa forma podemos sintetizar que o método tem a finalidade de produzir conhecimentos demonstráveis através da comprovação de hipóteses apresentadas.

A seguir conceituaremos os principais métodos de abordagem:

Método dedutivo

Modalidade de raciocínio lógico que faz uso da dedução para obter uma conclusão a respeito de determinada(s) premissa(s).

No corpo da lógica clássica, a indução pode ser reduzida à dedução.

Essencialmente, os raciocínios dedutivos se caracterizam por apresentar conclusões que devem, necessariamente, ser verdadeiras caso todas as premissas sejam verdadeiras.





Método indutivo

È aquele que parte de questões particulares até chegar a conclusões generalizadas. Este método está cada vez mais sendo abandonado, por não permitir ao autor uma maior possibilidade de criar novas leis, novas teorias.

Próprio das ciências naturais também aparece na Matemática através da Estatística. Utilizando como exemplo a enumeração, trata-se de um raciocínio indutivo baseado na contagem.

Método Dialético

Constrói-se montando um novo sistem de hipóteses partindo da anulação do sistema santerior.

Método fenomenológico

Define se como uma volta às coisas mesmas, isto é, aos fenómenos, aquilo que aparece à consciência, que se dá como objecto intencional.

Seu objectivo é chegar à intuição das essências, isto é, ao conteúdo inteligível e ideal dos fenómenos, captado de forma imediata.

Toda consciência é consciência de alguma coisa. Assim sendo, a consciência não é uma substância, mas uma actividade constituída por atos (percepção, imaginação, especulação, volição, paixão, etc), com os quais visa algo.

Método hipotético-dedutivo

Consiste na construção de hipóteses que devem ser submetidas a testes, os mais diversos possíveis, à crítica intersubjetiva, ao controle mútuo pela discussão crítica, à publicidade (sujeitando o assunto a novas críticas) e ao confronto com os fatos, para verificar quais são as hipóteses que persistem como válidas resistindo as tentativas de falseamento, sem o que seriam refutadas. É um método de tentativas e eliminação de erros, que não leva à certeza, pois o conhecimento absolutamente certo e demonstrável não é alcançado.

Poderíamos assim dizer que as diferenças básicas do método são:

O dedutivo apenas se utiliza da razão para alcançar o conheceimento, já o indutivo obtem o conhecimento a partir da experimentação, enquanto o hipótetico dedutivo utiliza-se mais da lógica, o dialético os fenômenos são contraditórios e fenomenológico isola as experiências das causas para se chegar a uma conclusão.

A escolha de melhor método de pesquisa orientará o pesquisador a traçar todo o roteiro do que se pretender estudar. A melhor opção como também seguir uma metodologia, servirá para boa execução de um trabalho.





Referências:



LAKATOS, Eva Maria & MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 4 ed.rev. e ampl. – São Paulo: Atlas 200.



TEIXEIRA, Gilberto. A questão do método na investigação científica. http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=21&texto=1660. Acessado em 29/07/2009.



Wikipédia,a enciclopédia livre. ttp://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal

Como elaborar Projetos de Ensino

Adriana Lourenço

Existem vários benefícios da realização de projetos de ensino como alternativa metodológica. Eles possibilitam considerar o conhecimento como globalizado, abrem espaço para trabalhos que vão além do espaço delimitado por cada disciplina, valorizam os saberes dos alunos, oportunizam um processo mútuo de aprendizado, através de processos onde a aprendizagem se torna mais significativa, fortalece a função social da escola, ligando ensino-pesquisa-extensão na tríade escola-sujeitos-sociedade.

Porém, não existe nenhuma receita que garanta o sucesso de um projeto de ensino. O que temos são algumas prerrogativas que auxiliam neste processo. Elaborar um projeto é planejar, é delinear o que se pretende fazer, ao que se pretende chegar, como isto será feito... Quanto mais detalhado for este planejamento, mais condições você terá de prever os fatos, evitando imprevistos. Mesmo assim, os imprevistos não estão excluídos do processo, são eles, juntamente de todas as peculiaridades do processo, que tornam esta uma experiência tão rica. Porém, se o projeto estiver bem estruturado, será mais fácil para o educador lidar o que pode vir a acontecer.

Existem alguns passos que facilitam este planejar:

* Problematização: A problematização se dá a partir da observação. É a observação minuciosa do contexto que possibilita ao educador-investigador ver quais são as temáticas que realmente representam uma problemática para aquele contexto.

* Escolha do tema gerador: O tema surge do contexto observado e é ele que balizará todas as ações do projeto. É muito importante que o tema seja bem delimitado e que tenha uma relevância para o contexto em que se pretende trabalhar.

* Justificativa: Informe com clareza os motivos que o levaram a realizar seu projeto. O que você queria que a turma aprendesse? Para isso, trace um perfil da escola, dos alunos, cite a colaboração dos pais, da comunidade escolar e do bairro, das organizações envolvidas, de especialistas.. Mostre como as atividades se articulam à proposta pedagógica da escola.

* Objetivos: O que se pretende alcançar com esta ação (conhecimentos adquiridos, mudanças de atitude e/ou habilidades conquistadas). Normalmente tem-se um objetivo geral, de maior amplitude, e objetivos específicos, que esmiúçam o objetivo geral e dizem respeito às ações.

* Conteúdos: Especifique os principais conteúdos curriculares trabalhados no projeto para atingir os objetivos propostos. É interessante que o projeto envolva outras disciplinas (em um trabalho colaborativo com outros professores), neste caso, os conteúdos das outras disciplinas contempladas pela ação também devem ser elencados.

* Metodologia: Como você pretende alcançar os objetivos, qual é a dinâmica do projeto... Aqui, precisam ser descritas:

- Desenvolvimento das ações: passo-a-passo do trabalho e das atividades propostas, respeitando a ordem cronológica.

- Recursos: livros, vídeos, computador, retroprojetor, máquina fotográfica... Especificar quais recursos será utilizado e como ele serão adquiridos (a escola tem, os integrantes do grupo vão levar, os alunos vão trazer de casa...)

- Bibliografia e outras referências: livros, artigos, revistas, vídeos, sites... Especificar quais e onde estão disponíveis (os integrantes do grupo tem, existe na biblioteca da escola, a professora da escola vai emprestar, foi tirado xérox/cópia...)

É fundamental que todo o material utilizado (produzido ou compilado) para o desenvolvimento da atividade (questionários, palavras-cruzadas, figuras, textos...) seja anexado ao projeto.

* Revisão bibliográfica: É fundamental que se consulte a bibliografia sobre o tema/conteúdos que se pretende abordar no projeto. Dependendo do conteúdo, algumas metodologias se aplicam melhor que outras, mas, para tanto, é necessário conhecer o tema.

* Avaliação: No projeto é necessário indicar as prerrogativas teóricas da avaliação (qual concepção de avaliação se segue, o que se pretende com ela) além dos instrumentos que serão utilizados para tanto. Já no relatório, é necessário, nesta parte, descrever a implementação desta, dificuldades, novas construções, resultados obtidos... A avaliação se compõe de duas partes:

- Do processo de aprendizagem dos alunos. Como se pretende verificar o que os alunos aprenderam? Quais instrumentos avaliativos serão utilizados? Ao final é necessário apresentar sua avaliação sobre o que os alunos aprenderam, o que foi necessário alterar no planejamento, o progresso dos alunos...

- Do trabalho pedagógico. Esta avaliação é fruto da avaliação do grupo pela atividade desenvolvida e dos alunos sobre a atividade desenvolvida pelo grupo. Ou seja, é necessário que cada integrante do grupo que aplicou o projeto faça uma auto-avaliação do projeto, também é necessário que os alunos envolvidos posicionem-se sobre a ação, relatando os pontos positivos, as falhas, as críticas...

ORIENTAÇÕES DE PLANO DE TRABALHO DOCENTE

PLANO DE TRABALHO DOCENTE
Adriana Lourenço



A dimensão conceitual



O que é um plano?



• É um documento que registra o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com que fazer e com quem fazer;



• É um norte para as ações educacionais;



• Plano é a formalização dos diferentes momentos do processo de planejamento;



• É a apresentação sistematizada e justificada das decisões tomadas.





O plano de trabalho docente:



• Implica no registro escrito e sistematizado do planejamento do professor;



• Antecipa a ação do professor, organizando o tempo e o material de forma adequada;



• É um instrumento político e pedagógico que permite a dimensão transformadora do conteúdo;



• Permite uma avaliação do processo de ensino e aprendizagem;



• Possibilita compreender a concepção de ensino e aprendizagem e avaliação do professor;



• Orienta /direciona o trabalho do professor;



• Requer conhecimento prévio da Proposta Pedagógica Curricular;



• Pressupõe a reflexão sistemática da prática educativa.



TIPOS DE PLANO


Projeto Didático:



São inúmeras as atividades humanas nas quais, atualmente, a idéia de projetos está colocada como uma nova forma de organizar e realizar as atividades profissionais.

É muito utilizado atualmente na Pedagogia de Projetos, pois dá ao professor a possibilidade de realização de uma meta, um querer que orienta e dá sentido às ações que se realizam com a intenção de transformar a meta (o sonho) em realidade.

O projeto didático deve seguir as seguintes etapas:



1)Cabeçalho

2)Título

3)Justificativa

4)Objetivo Geral

4.1) Objetivos Específicos

5)Conteúdos

6)Metodologia

7)Cronograma

8)Recursos

9Avaliação

10)Referências Bibliográficas



Plano de Trabalho





Escola:_______________________________________ Disciplina:______________

Professor:____________________Período:_________________________________

Série:_______________________





Conteúdos Conceituais e Dimensão do Conceito Encaminhamentos Metodológicos Recursos (didáticos pedagógicos) Avaliação

Verbos mais usados por conceito:


Conteúdos Conceituais

Saber Conteúdos Procedimentais

Saber fazer Conteúdos Atitudinais

Ser e Conviver

Identificar, reconhecer, classificar, explicar, relacionar, situar (no espaço ou no tempo), interpretar, indicar, citar, enumerar, listar, assinalar, diferenciar, distinguir, conceituar, caracterizar, definir.

Manejar, construir, confeccionar, coletar, descrever, representar, observar, experimentar, testar, elaborar, simular, planejar, executar, compor, classificar, analisar, representar, comparar, resumir, obter e organizar dados, formular hipóteses, verificar, registrar, medir, sintetizar, ler diferentes tipologia textuais, consultar bibliografias, prever, predizer, elaborar perguntas, resumir, comunicar, pesquisar. Valorizar (suas próprias idéias...), comportar-se (de acordo com...), apreciar, ponderar, adotar hábitos, partilhar, dialogar, ouvir, criticar, avaliar, decidir, empenhar-se, procurar conhecer, interessar-se, predispor-se, colaborar, posicionar-se, exercitar, demonstrar, persistir, experimentar...


Plano de Aula:

1. Tema (informe aqui o tema da aula. Por exemplo: Computador como instrumento de comunicação);

2. Data e série/turma;

3. Objetivos (Enumere aqui os objetivos da aula, ressaltando o que espera que o aluno seja capaz de realizar utilizando os conhecimentos obtidos);

4. Conteúdos (conteúdos conceituais e dimensão do conceito);

5. Atividades (detalhe aqui as atividades que serão realizadas durante a aula, mencionando os procedimentos que serão utilizados em cada atividade. Por exemplo: a aula pode ser dividida em uma parte expositiva, onde serão apresentadas noções básicas sobre o tema explorado, seguida de uma parte prática, onde os alunos deverão desempenhar uma tarefa como uso do computador);

6. Avaliação (Descreva os instrumentos de avaliação de aprendizagem que serão utilizados nesta aula);

7. Recursos Didáticos (Relacione todo o material que servirá de apoio à preparação e à execução da aula, incluindo software, apostilas, DVD’s, músicas etc);

PLANO DE AÇÃO



Um plano de ação é uma previsão detalhada das etapas de um trabalho a ser realizado. Ele é importante por permitir uma reflexão sobre o processo a ser vivenciado, contribuindo para uma definição clara e consciente do que se pretende (objetivos) e dos modos de se alcançar tais intenções (estratégias e recursos).

Esse plano de ação deve ser utilizado na elaboração de festas, passeios, seminários, apresentações culturais, feira de Matemática, festival de música, viagens e etc.

O que será feito? Quando será feito? Onde será feito? Por que será feito? Quem fará? Como será feito? Agentes controladores


Dez Mandamentos do Professor

1 ESQUEÇA A BUROCRACIA

Acabou a idéia de que planejar é ir a reuniões chatas em que o professor se sente como um carimbador de papéis. "Antes o plano vinha pronto, em pacotes". "Hoje quem leciona tem espaço para criar."

2 CONHEÇA BEM DE PERTO O SEU ALUNO

Para planejar, é preciso conhecer as condições e os interesses dos estudantes. “Pergunte-se sempre: ‘O que meu aluno deve e pode aprender”?

3 FAÇA TUDO OUTRA VEZ (E MAIS OUTRA)

O plano de ensino é um documento pronto, que serve de base para o planejamento. Já o planejamento é um processo. Ele deve ser sempre alterado, de acordo com as necessidades da turma.

4 ESTUDE MUITO PARA ENSINAR BEM

"Uma pessoa só pode ensinar aquilo que sabe". Por isso, veja se você conhece bem os assuntos de que vai tratar. Claro que também é preciso saber como ensinar.

5 COLOQUE-SE NO LUGAR DO ESTUDANTE

Quando pensar numa aula, tente se colocar no lugar do estudante. Você deve saber se os temas trabalhados em sala são importantes do ponto de vista do aluno.

6 DEFINA O QUE É MAIS IMPORTANTE

"Dificilmente será possível trabalhar todos os conteúdos com toda a turma". Os critérios para estabelecer o que é mais importante ensinar devem ser as necessidades e as dificuldades dos alunos. "Dificilmente será possível trabalhar todos os conteúdos com toda a turma". Os critérios para estabelecer o que é mais importante ensinar devem ser as necessidades e as dificuldades dos alunos.

7 PESQUISE EM VÁRIAS FONTES

Toda aula requer material de apoio. Reserve tempo para pesquisar. Busque informações em livros, jornais, revistas, discos, na internet ou em qualquer fonte ligada a seu plano de trabalho, sem preconceitos.

8 USE DIFERENTES MÉTODOS DE TRABALHO

O professor deve aplicar diferentes métodos, como aulas expositivas, atividades em grupo e pesquisas de campo. "Combinar várias formas de trabalho é a essência da arte de ensinar".

9 CONVERSE E PEÇA AJUDA

Seu coordenador precisa ajudar você a planejar. Ele deve contribuir para que seu trabalho seja coerente com o projeto pedagógico da escola. Conversar com os colegas também é útil. Aproveite as reuniões.

10 ESCREVA, ESCREVA, ESCREVA

Uma boa idéia para analisar o que está ou não está dando certo em seu trabalho é comprar um caderno e anotar, no fim do dia, tudo o que você fez em classe, suas dúvidas e seus planos. Esse é um modo prático de atualizar o planejamento.

Fonte: Revista Nova Escola www.uol.com.br/novaescola

MELHORANDO A QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS ATRAVÉS DE TERAPIAS COMPLEMENTARES

Adriana S. Lourenço dos Santos

Antônio José Lourenço dos Santos

Um pouco da nossa experiência

Contemplamos nesta parte de nosso trabalho de pesquisa bibliográfica, para relatar a nossa experiência enquanto educadores no ensino especial e do uso e aplicação das terapias complementares em alunos com necessidades educativas especiais. Ele pode delinear os primeiros passos para um modo complementar de educar e de uma nova práxis, com a busca da essência da vida e da saúde, através de um espírito criador e de uma pedagogia holística.

No atual contexto, onde prevalece à cultura do ter em detrimento do ser, observamos que se dispõe cada vez menos de tempo para refletir sobre o verdadeiro sentido da vida, da saúde e da doença. Com o intuito de minimizar essa dificuldade, partimos em busca de outras formas de conhecer o ser humano, percorrendo outros caminhos terapêuticos. Percebemos a necessidade de conhecer a essência do ser e isso nos levou a buscar alternativas.

Além de Pedagogos, temos formação em Terapias Complementares como Reiki e Cromoterapia. Também nos dedicamos a pesquisar outras terapias como a Musicoterapia e Aromoterapia. Todas essas pesquisas nos instigaram a aplicar as terapias complementares em consonância ao pedagógico, com objetivo de melhorar a qualidade de vida dos alunos com necessidades especiais e auxiliar no processo de aprendizagem. Visto que a aprendizagem não pode ser encarada apenas como o ensinar a ler e escrever, mas a abordagem de vários aspectos relativos ao crescimento e desenvolvimento humano, permitindo ao aprendente, vivenciar experiências que possam ajudá-los durante sua existência.

A nossa experiência enquanto educadores vêm acontecendo desde 1985, na cidade do Rio de Janeiro, onde lecionávamos no ensino regular com turmas de 1ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. Muitas vezes nos deparamos com alunos inquietos, com alunos que não conseguiam aprender. Pela falta de informação não sabíamos lidar com este tipo de aluno, pensando tratar-se de falta de limites.

Nossa caminhada continua, e para que o leitor possa melhor compreender, necessitamos relatar a nossa trajetória espiritual e sua relação com a nossa experiência na Educação Especial.

Quando viemos morar em Rio do Sul tivemos a grande oportunidade de conhecer mais de perto as terapias complementares, das quais nos apaixonamos rapidamente. Fizemos diversos cursos, fomos a vários seminários, palestras e também recebemos tratamentos da maioria destas terapias.

No ano de 2003 comparecemos ao um seminário de Reiki, que significa segundo CARLI (2000) energia vital universal. Nesse seminário estava presente um grupo de pessoas, das quais uma era Mestra de Reiki. Fizemos várias sessões de relaxamento, aprendemos como utilizar e aplicar o Reiki e através de uma iniciação tornamo-nos reikianos. A partir dessa época sentimo-nos mais serenos e bem dispostos e nossa vida mudou em vários aspectos. Aprendemos a nos cuidar, a respeitar nossos limites, e continuamos nossos estudos aumentando nossos conhecimentos sobre esse tipo de energia.

Nessa caminhada meu esposo e companheiro de monografia, que sempre gostou de procurar respostas científicas e lógicas para todos os fatos, dedicou-se a estudar as Terapias Vibracionais.

Nossas leituras na busca do conhecimento sobre terapias Vibracionais, nos conectaram com cientistas holísticos como Bárbara Brennan (1987) que, através da física quântica, revela que:

“somos feitos de energia, interagindo e transmutando num infinito presente em ação. Somos um átomo fazendo parte de um infinito universo vibracional”.

No ano de 2004, começamos a trabalhar como professores do ensino especial, na escola Recanto Alegre no município de Rio do Sul em Santa Catarina, que tem como entidade mantenedora a APAE.

Nessa instituição, tivemos a oportunidade de atuar em turmas de alunos autistas, com síndrome de Down , TDAH e DM, classificados conforme diagnóstico médico e psiquiátrico, alguns deles apresentando também deficiências múltiplas.

No caso dos alunos autistas, verificamos que o Psiquiatra prescrevia medicações que atuavam diretamente no Sistema Nervoso Central. Sentíamos que eles necessitavam algo mais em suas vidas, além de acompanhamento pedagógico e multidisciplinar. Como o nosso trabalho também atua no Sistema Nervoso Central, pensamos em aplicar Terapias Complementares a fim de auxiliar os tratamentos tradicionais.

Na rotina dos autistas, as atividades iniciavam com relaxamento em consonância com a musicoterapia. Eram colocadas músicas instrumentais, sons da natureza ou sons de animais. Esses gêneros musicoterápicos eram usados de acordo com o estado de humor dos alunos. Observou-se que estes gêneros de sons proporcionavam efeitos relaxantes. Como apoio era, usada a Terapia Vibracional, aplicada na região da cabeça por intermédio do Reiki.

No início da aplicação alguns alunos não deixavam que os tocassem, porém com a continuidade verificou-se que quando estavam agitados, procuravam as mãos do professor aplicador e as encaminhavam diretamente na região da cabeça. Um aluno autista de 18 anos, após ingerir os medicamentos alopáticos, ficava com o rosto avermelhado e dava pancadas em sua cabeça, produzindo sons de dor. Com aplicações diárias de Reiki e de massagens faciais, o mesmo foi apresentando um comportamento mais tranqüilo e já conseguia por vezes se manter concentrado por alguns minutos em alguma atividade pedagógica dirigida.

Na aplicação da cromoterapia, era usado como instrumento uma lanterna, primeiramente com a cor verde e azul e na continuidade das aplicações foram introduzidas outras cores de acordo com a necessidade de cada aluno. Era colocado o filtro verde na base da lanterna, e era aplicado um banho de luz em volta de todo o corpo do aluno. Após essa aplicação era aplicada a cor azul no meio da fronte.

A aromaterapia foi usada em forma de incensos colocados dentro do ambiente da sala de atividades. As essências de camomila, rosa branca, aloe véra, alecrim, canela e outras mais, servem para ajustar o equilíbrio energético.

A turma do Ensino Fundamental era composta de seis alunos, com diagnóstico de hiperativos e deficientes mentais moderados e graves. Cada um demonstrava um ritmo de aprendizagem e acreditávamos no potencial de cada um, porém o ensino fundamental tem um caráter alfabetizador, conforme citado anteriormente. Essa turma já trazia consigo um histórico de fracasso escolar. A maioria desses alunos já havia passado por diversas experiências no ensino regular, sem sucesso no processo de alfabetização.

Como já foi descrito acima foi utilizado, a musicoterapia no início de cada aula, seguido de um relaxamento “Relax e Programação Positiva” do Dr. Pedro Antônio Grisa, no qual os alunos ouviam as mensagens. Pudemos observar que o aluno com diagnóstico de TDAH de início não conseguia ficar por muito tempo relaxado. Ele sempre mexia o seu corpo como também tirava os outros alunos da concentração. Conforme foram feitas às outras sessões, ele foi se acalmando, refletindo no seu tempo de concentração nas atividades de alfabetização. Os alunos com deficiência mental grave ficavam em silêncio ouvindo. Uma dessas alunas sorria muito e demonstrava alegria a ouvir a meditação como também as músicas.

Num outro momento era aplicada a luz na fronte tem como indicação a estimulação da criatividade e maior concentração. Segundo Pagnamenta (1998, pg.32) As crianças irrequietas estudam melhor com a luz azul. Observou-se que três desses alunos tiveram melhor fixação dos conteúdos. Saíram do analfabetismo funcional, e conseguiram atingir ao nível silábico alfabético. No final do ano já liam pequenos textos e escreviam frases simples. Esse fato de alfabetização ter se dado para três desses anos, mostrou-nos uma grande vitória. Por que o fracasso de anos se tornou um trunfo, com isso houve a melhora da auto-estima e verificamos serenidade em seus semblantes como também a diminuição dos ataques de epilepsia. Não podemos afirmar com cunho científico se todo tratamento realizado, contribuiu para a diminuição desses ataques que antes eram freqüentes.

A aplicação de Reiki era feita em dias alternativos e também de acordo com os transcorrer do dia. Inicialmente eram feitas aplicações (imposição das mãos a distancia), para todo o grupo, depois aplicávamos o Reiki na cabeça e logo após no coração. Cada um apresentou uma reação. Teve dias que uma das alunas chegou a chorar, dizendo estar com saudades de um ente querido, mais tarde soubemos que essa menina foi criada pela avó que já havia falecido. Cabe salientar que essa aluna não conseguiu se alfabetizar plenamente, mas demonstrava encorajamento e desenvoltura nas atividades extracurriculares e passou a pertencer ao grupo do coral da APAE.

Um dos alunos (autista), com as aplicações de Reiki começou a interagir melhor com a turma. Deixava que seus colegas pegassem seu jogo de dominó, jogo preferido no qual ele não compartilhava com ninguém. Apesar da ecolalia acentuada, por vezes chegou a nos chamar pelo nome.

Acreditamos que com uma visão holística da realidade da educação especial, possibilite aos profissionais da educação o reconhecimento de que para o pleno gozo da felicidade, saúde, aprendizagem é necessário um relacionamento integrado entre corpo, mente e espírito, e devemos ver nossos alunos com um ser total e não um ser isolado. O tema deste trabalho em Educação Especial nos deu coragem de experimentar muitos modos de ser e iluminou nosso projeto, não só o nosso trabalho, como também o nosso projeto de vida. Por isso nos propusemos a lançar, através do relato de nossa experiência, nossa intenção, já preconizada por Jorge Larrosa (2000) quando diz: “teremos, talvez, que aprender a viver de outro modo, a pensar de outro modo, a falar de outro modo, a ensinar de outro modo”.

recomendando Textos - Valores civilizatórios afro-brasileiros na Educação Infantil

Azoilda Loretto da Trindade(1)

A criança gozará de proteção contra atos que possam suscitar discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Criar-se-á num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal e em plena consciência de que seu esforço e aptidão devem ser postos a serviço de seus semelhantes. (Adotada pela Assembléia das Nações Unidas, de 20 de novembro de 1959(2))

Este texto, que se propõe a falar sobre os valores civilizatórios afro-brasileiros na Educação Infantil, tem como ponto de partida e está ancorado no princípio acima referido. Propõe um diálogo em aberto, que precisa ter continuidade no trabalho de cada professor, propondo um compartilhar idéias, no sentido amplo, com aqueles que fazem o cotidiano escolar. Cotidiano este entendido como vibrante, como lugar de desafios, inquietações, movimento, encontros e desencontros, alegrias, emoções, prazeres, desprazeres, produção de saberes, de conhecimentos e de múltiplos fazeres. Espaço de pessoas buscantes, pesquisadoras da sua própria prática.

Apresentamos, de início, algumas explicações, antes de darmos continuidade a este diálogo:

1ª) Ao destacarmos a expressão “valores civilizatórios afro-brasileiros”, temos a intenção de destacar a África, na sua diversidade, e que os africanos e africanas trazidos ou vindos para o Brasil e seus e suas descendentes brasileiras implantaram, marcaram, instituíram valores civilizatórios neste país de dimensões continentais, que é o Brasil. Valores inscritos na nossa memória, no nosso modo de ser, na nossa música, na nossa literatura, na nossa ciência, arquitetura, gastronomia, religião, na nossa pele, no nosso coração. Queremos destacar que, na perspectiva civilizatória, somos, de certa forma ou de certas formas, afrodescendentes. E, em especial, somos o segundo país do mundo em população negra.

A África e seus descendentes imprimiram e imprimem no Brasil valores civilizatórios ou seja, princípios e normas que corporificam um conjunto de aspectos e características existenciais, espirituais, intelectuais e materiais, objetivas e subjetivas, que se constituíram e se constituem num processo histórico, social e cultural. E apesar do racismo, das injustiças e desigualdades sociais, essa população afrodescendente sempre afirmou a vida e, conseqüentemente, constitui o/s modo/os de sermos brasileiros e brasileiras(3).

2ª) Sobre a África, é bom destacar que é um imenso continente, com 52 países, com uma imensa e variada diversidade: política, econômica, social, cultural... E que, assim como podemos dizer que existem vários brasis no Brasil, existem várias áfricas na mãe África.

Fonte: www.paginas.terra.com.br/arte/mundoantigo/africa

3ª) Sempre cremos que é interessante falar do cotidiano para fazer formulações. Recentemente, ouvi uma senhora reclamando que um dia na sua vida foi discriminada por ser branca e isso a indignou. Afinal, como e por que discriminá-la? Alias, muitas pessoas argumentam, baseadas em um único exemplo da sua existência, o fato de elas serem discriminadas, sobretudo quando a discriminação vem da parte daqueles que são, em geral, os mais discriminados. Outras pessoas destacam outras formas de discriminação, como que para amenizar a afirmação do racismo e a discriminação, histórica e atual, sofrida pelos negros e negras. Referem-se ao fato de que alguém pode ser discriminado por ser gordo, por ser pobre, por ser feio, por ser muito bonito, por ser, ou não, inteligente... E por aí vai.

Uma pessoa adulta, em geral, fica arrasada ao ser discriminada, sofre, se revolta, fica furiosa, deprimida... Enfim, tem várias reações. Agora, imaginemos um ser humano negro de 0 a 6 anos de idade, uma criança negra que é, numa sociedade racista, discriminada 24 horas por dia e, muitas vezes, com o silêncio omisso dos adultos, da professora.

Essa criança tem que se sustentar sozinha nestas situações. Infelizmente, ainda há muita insensibilidade para com as crianças negras. Estas, ao serem discriminadas, ficam acuadas, envergonhadas, inibidas em denunciar. Se essa é uma experiência muito confusa para uma pessoa adulta, imaginemos para um ser humano de pouca idade, uma criança de 0 a 6 anos. Professores e professoras, acreditem, a criança pode não saber expressar oralmente a discriminação, mas ela sente, sofre, seu corpo fica marcado, com a discriminação e com a omissão, com o silêncio conivente, com a falta de acolhida do adulto que ela tem como referência no momento.
Não é apenas motivo de negligência a discriminação, o preconceito, o racismo com relação às crianças negras. É também uma insensibilidade, que está ancorada nos 312 anos oficiais de escravidão neste país e nos 117 anos de promulgação da Lei Áurea. É impressionante que, por muito tempo, ninguém se preocupou com a importância de colocar, no acervo de brinquedos das crianças da Educação Infantil, bonecas e bonecos negros, livros infantis com imagens e personagens negros em posição de destaque, não ter mural com personagens negros, não serem trabalhadas as lendas, as histórias e a História africanas, entre outras formas de afirmação de existência e de valorização dos negros em nosso país. É, essa insensibilidade está inscrita na nossa memória coletiva de brasileiros e brasileiras, que vendiam crianças negras, que abusavam das crianças negras, que matavam crianças negras, que impediam que as crianças negras fossem amamentadas por suas mães. A história parece que nos legou uma responsabilidade social especial para com essas crianças. Especial, pois temos que ter responsabilidade social para com todas.

Para ilustrar que, para a cultura iorubá, todas as pessoas são divinas, traremos, um conto(4) que é emblemático do valor civilizatório afro-brasileiro de aceitação das diferenças humanas:

(...) Olodumaré, que é um deus ioruba, quis criar a Terra e deu um punhado dela, num saquinho, para Obatalá ir criá-la. Antes de ir, Obatalá teria que fazer a oferenda a Exu(5), pois sem movimento não há ação. Obatalá, que é muito velho, esqueceu e foi andando, andando devagarinho, e no caminho sentiu sede. Então viu uma árvore, dessas que têm água dentro, e parou, abriu a planta e bebeu. Só que era uma bebida que dava um pouco de tontura, e então ele se deitou debaixo da árvore e acabou dormindo.


Enquanto isso, Odudua, que também queria criar a Terra, fez as oferendas a Exu e alcançou Obatalá. Vendo-o dormir, achou que ele iria se atrasar muito, pegou o saquinho e foi ele mesmo criar a Terra. E criou.
Obatalá acordou e viu a Terra criada, e foi reclamar para Olodumaré, que enviou e deu a ele barro, para que criasse os homens na Terra. Obatalá foi e criou os homens, mas de vez em quando tomava a bebida da árvore de que tinha gostado, e ... não chegava a dormir, mas, meio tonto, fazia uns seres humanos meio tortinhos.

Tecendo fazeres e saberes afro-brasileiros na Educação Infantil

“Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação. Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas graças, de um pássaro e sua árvore.” Manoel de Barros. In: Memórias Inventadas. A Infância.

Vamos agora, pinçar alguns aspectos afro-brasileiros que consideramos caros à Educação Infantil. Alguns, pois há uma infinidade deles:

Principio do Axé ENERGIA VITAL - tudo que é vivo e que existe, tem axé, tem energia vital: Planta, água, pedra, gente, bicho, ar, tempo, tudo é sagrado e está em interação. Imaginem se nosso olhar sobre nossas crianças de Educação Infantil forem carregados da certeza de que elas são sagradas, divinas, cheias de vida.

Podemos trabalhar a potencialização deste princípio nas nossas crianças, se nosso olhar, nosso coração, nosso corpo senti-las verdadeiramente assim.

Elogios, um afago, brincadeiras de faz-de-conta, nas quais elas se sintam a mais bela estrela do mundo, a mais bela flor, alguém que cuida, alguém que é cuidado. Um espelho para que elas se admirem, para que brinquem com o espelho, e se habituem a se olhar e a serem olhadas com carinho e respeito.

ORALIDADE – Muitas vezes preferimos ouvir uma história que lê-la, preferimos falar que escrever... Nossa expressão oral, nossa fala é carregada de sentido, de marcas de nossa existência. Faça de cada um dos seus alunos e alunas contadores de histórias, compartilhadores de saberes, memórias, desejos, fazeres pela fala. Falar e ouvir podem ser libertadores.

Promova momentos em que a história, a música, a lenda, as parlendas, o conto, os fatos do cotidiano possam ser ditos e reditos. Potencialize a expressão “fale menino, fale menina”.

CIRCULARIDADE – a roda tem um significado muito grande, é um valor civilizatório afro-brasileiro, pois aponta para o movimento, a circularidade, a renovação, o processo, a coletividade: roda de samba, de capoeira, as histórias ao redor da fogueira...

Já fazemos as tradicionais rodinhas na Educação Infantil, e nas reuniões pedagógicas, nas reuniões dos responsáveis. Que tal potencializarmos mais a roda, com cirandas, brincadeiras de roda e outras brincadeiras circulares?

CORPOREIDADE – o corpo é muito importante, na medida em que com ele vivemos, existimos, somos no mundo. Um povo que foi arrancado da África e trazido para o Brasil só com seu corpo, aprendeu a valorizá-lo como um patrimônio muito importante. Neste sentido, como educadores e educadoras de Educação Infantil, precisamos valorizar nossos corpos e os corpos dos nossos alunas, não como algo narcísico, mas como possibilidade de trocas, encontros. Valorizar os nossos corpos e os de nossas crianças como possibilidades de construções, produções de saberes e conhecimentos coletivizados, compartilhados.

Cuidar do corpo, aprender a massageá-lo, tocá-lo, senti-lo, respeitá-lo é um dos nossos desafios no trabalho pedagógico com a Educação Infantil. Dançar, brincar, rolar, pular, tocar, observar, cheirar, comer, beber, escutar com consciência. Aparentemente nada de novo, se não fosse o desmonte de corpos idealizados e a aceitação dos corpos concretos

MUSICALIDADE – A música é um dos aspectos afro-brasileiros mais emblemáticos. Um povo que não vive sem dançar, sem cantar, sem sorrir e que constitui a brasilidade com a marca do gosto pelo som, pelo batuque, pela música, pela dança.

Portanto, mãos à obra, som na caixa e muita música, muito som, mas não os “enlatados”, as músicas estereotipadas, o mesmismo que vemos na TV e em quase todas os momentos da escola, nos quais a música se faz presente. Vamos ouvir músicas que falem da nossa cultura, que desenvolvam nossos sentidos, nosso gosto para a música e, com isso, não produzirmos alienados musicais desde a tenra idade. Nosso país é riquíssimo em ritmos musicais e em danças, que tal investirmos neste caminho? Conhecer para promover.

LUDICIDADE – A ludicidade, a alegria, o gosto pelo riso pela diversão, a celebração da vida. Se não fôssemos um povo que afirma cotidianamente a vida, um povo que quer e deseja viver, estaríamos mortos, mortos em vida, sem cultura, sem manifestações culturais genuínas, sem axé.

Portanto, brinquemos na Educação Infantil, muita brincadeira, muito brilho no olho, muito riso, muita celebração da vida.

COOPERATIVIDADE – A cultura negra, a cultura afro-brasileira, é cultura do plural, do coletivo, da cooperação. Não sobreviveríamos se não tivéssemos a capacidade da cooperação, do compartilhar, de se ocupar com o outro.

Como dissemos, este texto é um compartilhar idéias e contamos com seu retorno6 com opiniões, sugestões, críticas, complementações, ponderações, em nome de um verdadeiro e profundo amor pelas nossas crianças brasileiras, que merecem ter acesso a um patrimônio cultural que as constitui como brasileiras, que é o patrimônio cultural afro-brasileiro.

Muito axé.

Bibliografia

BENTO, Maria Aparecida da Silva. Cidadania em preto e branco: discutindo as relações raciais. São Paulo: Ática, 1998.

CAVALLEIRO, Eliane (org.). Racismo e Anti-Racismo na Educação-Repensando nossa Escola. São Paulo: Summus, 2001.

_________________. Do silêncio do lar ao silêncio escolar. São Paulo: Contexto, 2000.


NEN- NÚCLEO DE ESTUDOS NEGROS. Negros e Currículo. Série Pensamento Negro em Educação. Florianópolis: Editora Atilènde, 2002.


SODRÉ, Muniz. Claro e Escuros – identidade, Povo e Mídia no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1999.



______. A Verdade Seduzida. Por um conceito de Cultura no Brasil. Rio de Janeiro: Codecri, 1983.



TRINDADE, Azoilda Loretto e SANTOS, Rafael (org.). Multiculturalismo – mil e uma faces da escola. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.



______. Racismo no Cotidiano Escolar. Rio de Janeiro: FGV/IESAE, 1994. Dissertação de Mestrado em Educação.



Literatura Infantil Literatura Infantil



• Ana e Ana - Célia Godoy – Difusão Cultural do Livro.

• Agbalá, um lugar-continente – Marilda Castanha – Editora Formato.

• A menina que tinha o céu na boca – Júlio Emílio Braz – Difusão Cultural do Livro.

• A semente que veio da África – Heloísa Pires Lima – Salamandra.

• A ovelha negra – Bernardo Aibê – Ed. Ioni Meloni Naif.

• As tranças de Bintou – Sylviane A. Diouf – Cosac e Naify.

• Berimbau – Raquel Coelho – Editora Ática.

• Bruna e a Galinha D’ Angola - Gercilda de Almeida – Editora Pallas

• Como as histórias se espalharam pelo mundo – Rogério Andrade Barbosa – Editora Difusão Cultural do Livro.

• Duula, a mulher canibal – Rogério Andrade Barbosa – Ed. Difusão Cultural do Livro.

• Gosto de África – Histórias de lá e de cá – Joel Rufino dos Santos – Editora Onda Livre.

• Histórias Africanas para contar e recontar - Rogério A. Barbosa – Ed. do Brasil.

• Histórias da Preta – Heloísa Pires Lima – Editora Companhia das Letrinhas.

• Ifá, o adivinho – Reginaldo Prandi- Companhia das Letrinhas.

• Lendas Negras – Júlio Emílio Braz – Editora FTD.

• Menina bonita do laço de fita – Ana Maria Machado - Editora Ática.

• O amigo do rei – Ruth Rocha – Editora Ática.

• O espelho dourado – Heloísa Pires Lima – Peirópolis.

• O filho do vento – Rogério Andrade Barbosa – Ed. Difusão Cultural do Livro.

• O menino marrom – Ziraldo – Ed. Melhoramentos.

• O menino Nito – Sonia Rosa – Editora Pallas.

• Os reizinhos de Congo – Edimilson de Almeida Pereira – Ed. Paulinas.

• Que mundo maravilhoso! – Julius Lester – Editora Brinque-Book.

• Tanto, tanto! – Tristh Cooke – Editora Ática.

• A cor da ternura – Geni Guimarães – Editora FTD



Notas:

1- Doutora em Comunicação pela UFRJ. Mestre em Educação/IESAE/FGV. Professora universitária,supervisora da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. Ativista da luta contra o racismo.

2- http://www.fvt.com.br/declaracaouniversal.htm

3- É bom dizer, para evitar as tradicionais inquietações quando se afirma a africanidade brasileira, que sabemos que somos um país plural, marcado por valores civilizatórios de outros grupos humanos, contudo, este não é o foco deste texto.

4- Recontado por Heloisa Pires Lima em Histórias de Preta. São Paulo, Cia. das Letrinhas, 1998. p. 61.


5- Divindade que simboliza na cosmovisão ioruba, a transformação, a comunicação, os encontros, a contradição, o movimento.

6- azoildaloretto@ig.com.br

SALTO PARA O FUTURO / TV ESCOLA

WWW.TVEBRASIL.COM.BR/SALTO

A princesa e a ervilha



Hans Christian Andersen



Havia uma vez um príncipe que queria se casar com uma princesa, mas não se contentava com uma princesa que não fosse de verdade. De modo que se dedicou a procurá-la no mundo inteiro, ainda que inutilmente, pois todas que via apresentavam algum defeito.

Princesas havia muitas, porém não podia ter certeza, já que sempre havia nelas algo que não estava bem. Assim, regressou ao seu reino cheio de sentimento, pois desejava muito uma princesa verdadeira!

Certa noite caiu uma tempestade horrível. Trovejava e chovia a cântaros. De repente, bateram à porta do castelo, e o rei foi pessoalmente abrir.

No umbral havia uma princesa. Mas, Santo Céu, como havia ficado com o tempo e a chuva! A água escorria por seu cabelo e roupas, seu sapato estava desmanchando. Apesar disso, ela insistia que era uma princesa real e verdadeira. "Bom, isso vai saber logo", pensou a rainha velha.

E, sem dizer uma palavra, foi ao quarto, tirou toda a roupa de cama e colocou uma ervilha no estrado, em seguida colocou vinte colchões sobre a ervilha, e sobre eles vinte almofadas feitas com as plumas mais suaves que se pode imaginar.




Ali teria que dormir toda a noite a princesa.

Na manhã seguinte, perguntaram-lhe como tinha dormido.

-Oh, terrivelmente mal! - disse a princesa. Não consegui fechar os olhos toda a noite. Vá se saber o que havia nessa cama! Encostei-me em algo tão duro que amanheci cheia de dores. Foi horrível!

Ouvindo isso, todos compreenderam que se tratava de uma verdadeira princesa, já que havia sentido a ervilha através dos vinte colchões e vinte almofadões. Só uma princesa podia ter uma pele tão delicada.

E assim o príncipe casou com ela, seguro que sua era uma princesa completa. A ervilha foi enviada a um museu onde pode ser vista, a não ser que alguém a tenha roubado.

João Jiló

HÁ MUITO TEMPO, NUMA FAZENDA NÃO MUITO LONGE DAQUI, MORAVA UM MENINO CHAMADO JOÃO JILÓ. ELE ERA MUITO LEVADO, MALCRIADO E TEIMOSO. GOSTAVA DE FAZER MALDADES COM OS ANIMAIS, UM DIA, ELE ACORDOU E DISSE À SUA MÃE:

_ MÃE, HOJE EU ACORDEI COM UMA VONTADE GRANDE DE CAÇAR PASSARINHO, EU VOU SAIR E SÓ VOLTO QUANDO CONSEGUIR PEGAR UM BEM BONITO, GORDINHO E QUE DÊ PARA FAZER UM ENSOPADO BEM GOSTOSO, VIU?

A MÃE DE JÃO JILÓ LHE PEDIU:
_ MAS, MEU FILHO, EU JÁ CANSEI DE LHE FALAR QUE NÃO SE DEVE CAÇAR PASSARINHO! OLHE, A NATUREZA É MUITO BOA, MAS, QUANDO NÓS A MALTRATAMOS, ELA NOS CASTIGA. CUIDADO, JOÃO. FIQUE AQUI. DEIXE DE SER TEIMOSO!

MAS JOÃO JÁ ESTAVA RESOLVIDO. PEGOU SEU BODOQUE E SAIU CALADINHO. QUANDO CHEGOU A FLORESTA, LOGO ELE VIU UM PASSARINHO ESTRANHO. MUITO DIFERENTE MESMO. UM POUCO MAIOR QUE OS OUTROS PASSARINHOS E TODO COLORIDO. JOÃO PENSOU ALTO:

"QUE SORTE EU TENHO!"

E PEGOU UMA PEDRA, COLOCOU NO BODOQUE, MIROU BEM O PASSARINHO. QUANDO ELE IA ATIRAR, O PASSARINHO CANTOU:

_NÃO ME MATE NÃO JOÃO JILÓ!

EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!

SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!

PARA PIAR!

MAS NÃO ADIANTOU, JOÃO JILÓ ATIROU E ACERTOU A CABECINHA DO PASSARINHO, QUE CAIU NO CHÃO COM AS PERNINHAS PRA CIMA.

ENTÃO, ELE PEGOU O PASSARINHO, COLOCOU DENTRO DA SACOLINHA E FOI PARA CASA. QUANDO CHEGOU EM CASA, FOI DIRETO PARA COZINHA. COMEÇOU A DEPENAR O PASSARINHO, QUANDO ELE CANTOU:

_NÃO ME DEPENE NÃO, JOÃO JILÓ!

EU VIM PARA CANTAR, JOÃO JILÓ!

SOU BICHO DO MATO, JOÃO JILÓ!
PARA PIAR!


E ADIANTOU? NÃO. AÍ QUE JOÃO JILÓ TIROU MESMO AS PENINHAS DO PASSARINHO. QUANDO O PASSARINHO FICOU TODO PELADINHO, JOÃO JILÓ ACENDEU O FOGO E JÁ IA SAPECÁ-LO, MAS ELE COMEÇOU A CANTAR:

_ NÃO ME SAPEQUE, JOÃO JILÓ!

EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!
SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!

PARA PIAR!

JOÃO JILÓ NEM LIGOU! SAPECOU O PASSARINHO NO FOGO. DEPOIS, LEVOU O COIUTADINHO PARA A PIA, PEGOU UMA FACA ENORME PARA PARTIR O PASSARINHO, MAS ELE CANTOU:

_ NÃO ME PARTA, JOÃO JILÓ!
EU VIM PRA CANTAR, JÃO JILÓ!

SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!
PARA PIAR!

ELE PARTIU O PASSARINHO ASSIM MESMO E O LAVOU BEM LAVADINHO. QUANDO ELE IA TEMPERAR O BICHINHO, ELE CANTOU:

_ NÃO ME TEMPERE NÃO, JOÃO JILÓ!
EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!

SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!
PARA PIAR!

DEPOIS, JOÃO JILÓ, PEGOU UMA PANELA, COLOCOU ÓLEO, PÓS PARA ESQUENTAR, MAS, QUANDO IA FRITAR O PASSARINHO, ELE CANTOU:

_NÃO ME FRITA NÃO, JOÃO JILÓ!
EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!

SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!

PARA PIAR!

ELE FRITOU O PASSARINHO. PEGOU UM PRATO, E, QUANDO IA COMÊ-LO, O PASSARINHO CANTOU:

_ NÃO ME COMA NÃO, JOÃO JILÓ!
EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!
SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!
PARA PIAR!

ELE COMEU O PASSARINHO TODINHO DE REPENTE, A BARRIGA DE JOÃO JILÓ COMEÇOU A INCHAR... A INCHAR... E ELE OUVIU UMA VOZ VINDA LÁ DE DENTRO:

_ EU QUERO SAIR DAQUI, JOÃO JILÓ.
E JOÃO JILÓ RESPONDEU:
_ ENTÃO, SAIA PELO NARIZ!
E O PASSARINHO:
_ NO NARIZ TE MELECA.

E JOÃO JILÓ:

_ ENTÃO, SAIA PELO OUVIDO.
E O PASSARINHO:

_ NO OUVIDO TEM MUITA CERA.

E JOÃO JILÓ:
_ ENTÃO SAIA PELA BOCA.

E O PASSARINHO:

_ NA BOCA TEM SALIVA.

E A BARRIGA DE JOÃO JILÓ FOI INCHANDO, FOI INCHANDO, FOI INCHANDO E... BUM! EXPLODIU!

O PASSARINHO SAIU VOANDO CONTENTE E CANTANDO:

_ EU SOBREVIVI, JOÃO JILÓ!

EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!

SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!

PARA PIAR!
JOÃO JILÓ FICOU ´LÁ COM A BARRIGA TODA ABERTA. TIVERAM DE CHANAR O MÉDICO, QUE COSTUROU A BARRIGA DAQUELE MENINO TEIMOSO.

JOÃO JILÓ APRENDEU A LIÇÃO. NUNCA MAIS DESOBEDECEU À SUA MÃE NEM CAÇOU PASSARINHO!

MORAL DA HISTÓRIA: A NATUREZA SEMPRE CASTIGA DE ALGUM JEITO. E QUEM QUISER QUE LEMBRE OUTRA!
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Baixe o vídeo do João Jiló em: http://www.overmundo.com.br/banco/contacao-de-historias-joao-jilo-de-jose-mauro-brant
 
Incentive a cultura , através da Literatura. Adriana

OPINIÕES DE ROBINSON

(Carlos Drummond de Andrade)

Robinson aproximou-se cautelosamente. Percebia-se que era um homem disposto a defender sua ilha deserta.

__ Naturalmente o senhor veio aqui para entrevistar-me. Quer conhecer minhas opiniões sobre o mundo do pós-guerra, a maneira de domesticar os alemães, a possibilidade de dar comida a toda a gente e outras utopias. Mas eu sou um homem sem opiniões. Tenho apenas meu machado e minha cabana. Entende?

__ Não, velho Robinson. Não vim perguntar-lhe nenhuma coisa. Apenas, cuidou-se de dedicar à literatura infantil o número de uma revista e eu me lembrei de procurá-lo, a você personagem típico dos livros infantis, para ouvi-lo discorrer sobre matéria tão complexa.

__ Não sou personagem de histórias infantis. Minha história não foi escrita para crianças.

__ Precisamente por isso escolhi você, meu caro amigo. Como se explica o fato de um livro escrito para adultos atingir a zona difícil das crianças e passar a ser considerado um livro feito para elas, e até mais compreendido por elas do que pela gente grande?

Robinson coçou a barba de uma exuberância vegetal. Mostrava-se embaraçado, mas estava antes envaidecido.

__ Então no Brasil também?...

__ Também no Brasil, pois não. A princípio nas velhas e ingênuas séries de quadros coloridos do Tico Tico a sua aventura foi contada às crianças brasileiras.(Chorei minha lágrima na semana em que você deixou a ilha) Depois vieram outras adaptações e resumos, antecipando a técnica moderna da condensação. Por último você foi apresentado aos nossos garotos pelo escritor Monteiro Lobato, um dos homens que mais fizeram pelas crianças brasileiras, contando-lhes histórias entre fantásticas e realistas, em que lhes ensinava de maneira pitoresca a ciência, a história, a geografia, os fenômenos da natureza.

__ Cortaram muito das minhas peripécias?

__ Muito. Mas era preciso, e todo o escritor já está habituado a essa operação. O essencial é que o personagem ficasse. E o personagem está vivo. Fizeram o mesmo com o Quixote.

__ Este cavalheiro é diferente – interrompeu Robinson agastado.__ Nada temos em comum. Trata-se de um sonhador, um lunático, ao passo que eu sempre fui um honrado comerciante (talvez mais comerciante que honrado) e sobretudo um espírito prático. Minha longa permanência na ilha que cultivei e colonizei não é uma aventura romântica. Não perdi o meu tempo construindo uma torre, mas aproveitei-o fazendo uma cabana fortificada; e não escrevi versos à maneira dos jovens poetas puros, em matéria de escrita, limitava-me a dar talhos na madeira, para indicar os dias e controlar a passagem do tempo. Enfim, minha vida pode ser tida como exemplo de força prática, laboriosa e construtiva, nela se fundem capacidade inventiva, força de vontade e poder de adaptação.

__ Já sei prezado Robinson, e desculpe se lembrei à toa o nome de um ser tão diferente como o Quixote. O certo é que os meninos gostam de você, homem de vista curta e segura (isto não é xingamento), como o do fidalgo manchego que era a própria imaginação desenfreada. Meninos gostam de tudo e o apetite infantil em matéria de histórias e caracteres vai ao infinito.

__ Além do meu “caso” que é que eles lêem ultimamente por lá?

__ Tudo. E muitos lêem Robinson sem o saberem. Porque você tem mil nomes, fique ciente disto. Os escritores e desenhistas norte-americanos não pecam pelo excesso de espírito criador, e muitas vezes, com feições e rótulos diversos, fazem de você ou de outros personagens clássicos o objeto de suas histórias aparentemente novas. Essas histórias, como tantas outras mercadorias padronizadas, são despachadas para o mundo inteiro e aparecem simultaneamente nos jornais e revistas de toda a parte. Sua receita de viver numa ilha deserta tem sido muito explorada.

__ Sei disso. Recebo as Seleções e ouço o aviso aos navegantes... Hoje em dia, isso de ilha deserta é conversa fiada.

__É mesmo, velho Robinson e as crianças também o sabem. As crianças envelheceram terrivelmente nos últimos tempos. O cinema lhes trouxe uma soma brutal de conhecimentos. O rádio também. Já não falo das crianças dos países onde se desenvolvem operações militares – essas aprenderam demais. Refiro-me às crianças dos países não invadidos, nem bombardeados, das crianças mais felizes e protegidas. Amadureceram muito. Há mesmo quem receie que os contos maravilhosos já não seduzam os meninos mais tenros, a menos que esses contos também se renovem e, por exemplo, exibam uma moralidade mais direta e cortante. Na opinião dessas pessoas, as fábulas estão desmoralizadas. A figura do lobo não interessa; um fascista impressiona muito mais. E as fadas teriam perdido o prestígio, depois que surgiram os pára-quedistas.

__ Afinal, o senhor está entrevistando ou sendo entrevistado? – estranhou Robinson.

__ Tem razão. Vim aqui para pedir-lhe que me ajude a compreender o mistério da leitura – ou um aspecto dele. As crianças lêem histórias para gente grande. Os homens lêem contos de Andersen e Perrault. Um conto como “O príncipe feliz” de Oscar Wilde, não se sabe se foi composto para homens ou crianças – todos o adoram. Que é, afinal, literatura infantil?

__ Meu filho – respondeu Robinson gravemente, depois de um minuto de reflexão. __ O problema é estranho a minhas cogitações habituais, mas é possível examiná-lo à luz da natureza humana. A literatura infantil é talvez uma invenção dos livreiros. Quem sabe?

__ Mas os especialistas...

__ Deixe em paz os especialistas. Não é fora da história do comércio ou da sociedade que um gosto ou uma tendência sejam impostos pelo produtor. O uso da gravata nos países ocidentais talvez não tenha outra explicação senão a de que foi estabelecido pelos fabricantes de gravatas. Literatura é uma só, e não parece razoável que se divida em seções correspondentes às fases do crescimento físico e mental do homem.

__ Entretanto – arrisquei – certa maneira de contar...

__ Dirige-se de preferência ao público infantil, não é? Mas essa maneira não basta para constituir uma nova forma de literatura, nem mesmo um novo gênero. Dentro da “literatura adulta”, se é que vocês a chamam assim, cabem todas as maneiras, formas e gêneros. E a redução microscópica de um gênero é ainda um gênero. “Infantil”, geralmente é o autor da história em si. O que há de gravidade e consciência das coisas no espírito da criança escapa, geralmente, a esses escritores especializados em livros para crianças. Como se a criança fosse um ser à parte, que se transforme visceralmente ao crescer.

E o homem positivo continuou:

__ Não há escritores para homens e escritores para meninos. Há somente bons e maus escritores. Dentro da categoria dos bons uns são particularmente dotados para a representação de pessoas, coisas e fatos, reais ou imaginários. Esses criarão histórias e personagens que darão a volta ao mundo, fascinarão velhos e moços, mulheres e homens, de todas as profissões, e serão sempre vivos. Não têm a preocupação de uma clientela, de uma classe ou de uma zona de influência. São os escritores propriamente ditos. Os outros são os ruins – não interessam.

E depois:

__ Afinal, e sumariamente, a chamada literatura infantil tem seu principal celeiro no folclore. Mas, não é o folclore universal um fornecedor de motivos para toda a literatura? O folclore, simplesmente, seria insuficiente para individualizar essa pretensa literatura pré-púbere. Outro elemento de caracterização seria o seu duplo objetivo de recreação e educação (não falo de propaganda, que já é um desvio).Ora, aqueles são objetivos que podem coincidir com os da leitura. É preciso divertir as crianças, como também é preciso ensinar-lhes matemática elementar, mas não vejo em que isto envolva preocupação literária, como não há literatura no ato de cantar para que o filho adormeça ou no de substituir-lhe os cueiros molhados...

__ Mas há vida, Robinson ilustre, há vida!

__ E a vida não é uma só, sem embargo das diferenças biológicas?

Fugi. Seria Robinson um conferencista recalcado?