terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sugestões de Livros

PROGRAMAS

StatusParentMateriaUIDStartDateEndDate O CONTEXTO DA ESCOLHA DOS LIVROSBIBLIOGRAFIA

Sugestões de livros

Agir:



Contos ao redor da fogueira, de Rogério Andrade

São histórias inspiradas em duas lendas africanas

Na obra é possível encontrar:





A cultura africana

A diversidade cultural africana



Sundjata o príncipe Leão, de Rogério Andrade

A historia da saga de um poderoso governante da África ocidental.

Na obra é possível encontrar:



Um conto tradicional da África ocidental



Mitologia africana e relações de poder em um estado africano antes dos europeus



Angola:



O Balão vermelho, de Cremilda Lima, s/ed,

Conta a história de um menino que está ansioso por ir a escola para participar da festa do livro infantil e ganhar um balão

Na obra é possível encontrar:



A importância da escola como espaço social identiário.



Literatura infantil de língua portuguesa sem ser brasileira



Atica:



A botija de Ouro, Joel Rufino

Conta a história de uma escrava que encontrou uma botija de ouro e gerou a cobiça de seu dono

Na obra é possível encontrar:



Como a sociedade escravista cuidava dos escravos



A luta pela humanização diante de uma sociedade escravista que coisificava o cativo



Dudu Calunga, Joel Rufino

Conta a história de um estranho que chega a uma festa e fatos estranhos começam a acontecer

Na obra é possível encontrar:



O ritual do candomblé na zona rural



O touro da língua de ouro, de Ana Maria Machado

A história de um touro com a língua de ouro muito malvado e de um garoto que consegue enfrentar o bicho e ficar com a princesa. Uma história popular da Jamaica, contada por Ana Maria Machado.



Cia das Letras:



História de escravo, de Isabel Lustosa

A história narrada por um avo ao seu neto sobre a escravidão.

Um bom paradidatico.

Na obra é possível encontrar:



O cotidiano da sociedade escravista do século XIX



As relações sócias estabelecidas por meio da escravidão: negociação e resistência



A situação dos negros depois da abolição



Histórias da Preta, de Heloisa Pires Lima

Eventos narrados envolvendo questionamentos de Preta.

O livro traz todos os questionamentos de um afrodescendentes, desde o que seria áfrica (áfricas) sua historia, a escravidão, o preconceito racial no Brasil e as estratégias de superação.

Na obra é possível encontrar:



De forma resumida, tudo que se conhece da áfrica (da pré historia aos dias de hoje)



A trajetória dos africanos no Brasil (da colônia aos dias de hoje)



Do convívio com o preconceito (desde de como ele se constrói na sociedade, como abala a auto-estima e como lutar contra).



Ogum: o rei de muitas faces e outras histórias dos orixás, de Lídia Chaib e Elizabeth Rodrigues

Livro conta as lendas mais conhecidas dos orixás, explica o culto co candomblé e conta um pouco a história d a África antes dos europeus e da escravidão

Na obra é possível encontrar:



A articulação cultural entre Brasil e a África



A trajetória dos africanos no Brasil (da colônia aos dias de hoje)



Cosac e Naify:



Os príncipes do destino, de Reginaldo Prandi

História da mitologia afro-brasileira. São 16 encontros dos Odus com Ifá.

Na obra é possível encontrar:



Mitologia africana



Simbologias dos cultos afro-brasileiros



DCL:



Lá vai o Rui e Cadê Clarice, de Sonia Rosa

O primeiro conta a história do menino Rui que estava sempre brincando de alguma coisa e o segundo livro mostra o momento em que a menina Clarice começa a engatinhar.

Na obra é possível encontrar:



O universo masculino infantil



O cotidiano de um bebê que começa a engatinhar



As descobertas de Paulinho na Metrópole, de Marina Franco

Um excelente livro paradidático. A partir de um trabalho escolar o menino Paulinho passa com seu skate conhecer a cidade de São Paulo.

Na obra é possível encontrar:



As principais referências espaciais da cidade



O papel da escola na construção do conhecimento



Perto dos olhos, perto do coração, de Fátima Miguez

Texto baseado em pinturas de Lasar Segall

Na obra é possível encontrar:



A relação da arte de Segall com a temática afro-brasileira



Uma possível discussão entre as obras de Segall e o tema etnia



Edições Chá de Caxinde Angola:



Niamana, de Mico-Douce

A história se passa em uma aldeia às margens do rio Zambeze. O desaparecimento do cesto de adivinhação da aldeia desencadeia uma série eventos.

Na obra é possível encontrar:



O universo mágico no contexto da história



A relação da aldeia com a natureza



Ynari, de Ondjaki

A história gira em torno de uma menina e um pequeno homem que aprendem os sentidos das palavras

Na obra é possível encontrar:



A descoberta do poder das palavras e seus vários sentidos



A força da amizade sendo alimentada pelas palavras



O presente, de Maria Celestina Fernandes

São duas histórias: o presente de natal conta a separação de duas crianças por conta da guerra. A segunda história gira em torno de uma menina que ao fugir da seca se perde da família e passa a viver com um lenhador

Na obra é possível encontrar:



O que a guerra significou para Angola



O sobrenatural no contexto da vida na zona rural



Editora do Brasil:



A História contou, de Odette de Barros Mott

Conta a história de amor do príncipe do poente com uma fadinha. Narra as peripécias dos dois para ficarem juntos, já que ele é uma pessoa e ela uma fada.

Na obra é possível encontrar:



A discussão sobre o amor entre os diferentes



A falta de compreensão dos outros em relação ao amor entre pessoas de etnias diferentes



O negrinho ganga Zumba, de Rogério Borges

História de uma criança escrava que durante o dia trabalhava e à noite retornava à senzala. Mesmo cativo ele trabalhava, sonhava e esperava que chegasse o dia em que ele pudesse voltar e conhecer a terra de seu pai.

O livro é de 1988. O texto trata explicitamente a temática da escravidão e luta pela liberdade.

Por meio da obra é possível:



Conhecer a formação social do Brasil colonial

Articular Brasil África por meio do tráfico negreiro

Resistência à escravidão: quilombos



O vôo de pretinha e Branquinha, de Lucia Pimentel Góes

O mote é desobediência, mas ao colocar as protagonistas de duas etnias diferentes tendo o mesmo comportamento, leva a discussão que a cor da pele em si não pode ser utilizada como elemento explicativo para o comportamento e o caráter de alguém.

Na obra é possível encontrar:



A interação social de pessoas de etnias diferentes

A discussão sobre a desobediência



Pretinho: meu boneco querido, de Maria Cistina Furtado

Conta a história de um boneco que por ser preto sofre o preconceito dos outros bonecos da casa, dando a dimensão simbólica do preconceito (auto estima).

Na obra é possível encontrar:

A discussão sobre o preconceito racial e o racismo.

O complexo processo de construção da auto-estima no contexto de preconceito



Editora Volta e Meia:



Saci siriri sici, de Luiz Galdino

Conta a história de 3 sacis que, ao perderem a casa vão para a cidade. A história gira em torno de suas desventuras de retorno da floresta.

Na obra é possível encontrar:



A discussão sobre a degradação do meio ambiente



A difícil adaptação das pessoas do campo à cidade



Formato:



Agbalá: um lugar continente, de Marilda Castanha

É um livro que reúne o conhecimento da África antes dos europeus e a vinda dos africanos para o Brasil. Faz parte das comemorações dos 500 anos. Excelente livro paradidatico. Todos os temas podem ser trabalhados no livro



Festas: o folclore do Mestre André, de Marcelo Xavier

Coletânea de manifestações culturais brasileiras

Na obra é possível encontrar:



A lista de todas as festas folclóricas



A explicação de organização destas manifestações



FTD:



A cor da ternura, de Geni Guimarães

O livro conta a trajetória de Geni, uma menina negra e pobre. Filha de lavrador ela se torna professora.

Na obra é possível encontrar:



O convívio com o preconceito em uma região rural



O retrato do sistema escolar como um lugar social hostil à população afrodescendente



Historias africanas para contar e recontar, de Rogério Andrade

São lendas e fábulas da tradição oral africana.

Os contos retratados no texto são elaborados a partir de narrativa que explora a tradição oral africana. O passado não é visto como algo que passou, mas como um continuo do presente, O livro insere-se na vertente literária privilegia a mitologia africana.

Ao longo dos textos é possível:



Conhecer o cotidiano, o modo de vida, os costumes de uma aldeia



Conhecer a mitologia africana por meio dos contos tradicionais



A relação tempo no mundo africano (o conceito de circularidade temporal africana)



Lendas negras, de Julio Emilio Braz

O livro reúne várias lendas do continente africano.

Dentro da perspectiva de resgate da tradição africana, o livro traz várias histórias de regiões geograficamente diferentes, tais como os zulus, malis, ressaltando a diversidade do continente africano.

No final do livro, há um texto explicativo de onde foram extraídas as lendas e os povos que os produziram.

Na obra é possível encontrar:



A relação do homem e a natureza em várias estruturas sociais



Um pouco da cosmogonia africana



As relações de gênero no universo simbólico africano.



Luana, a menina que viu o Brasil neném, de Aroldo Macedo e Oswaldo Faustino

Excelente livro paradidatico com a personagem Luana (do gibi)

Na obra é possível encontrar:



O contexto histórico em que se deu o encontro entre culturas africanas, europeus e indígenas.



Valorização da cultura afro-brasileira por meio de várias manifestações culturais



O menino que virou passarinho, de Fernando Lobo

A história do menino que queria aprender a cantar com o vento, mas para isso ele precisava de uma viola, e o marceneiro queria um cachimbo e quem fazia o cachimbo queria um rolo de fumo. Assim ele teve várias tarefas a cumprir até aprender a cantar com o vento.

Na obra é possível encontrar:



O convívio com a natureza



A música como forma de inspiração e aproximação com esta natureza



O rei do Mamulengo, de Rogério Andrade

O livro conta a historia de 3 gerações de fabricantes e brincantes de mamulengo.

O livro insere-se na vertente que ressalta a filiação com a África, mas prioriza a criatividade brasileira.

É possível encontrar na obra:



A relação com a natureza, pois a arte de fazer os bonecos se misturava ao respeito às coisas da natureza, característica da cultura popular.



A arte como forma de explicitar uma leitura da sociedade. Nas peças denunciavam a desigualdade social



O processo complexo de confecção dos bonecos.





Global Editora:



Gosto de África, de Joel Rufino

O livro reúne um conjunto de histórias do Brasil e da África.

Na obra é possível encontrar:



Articulação cultural entre Brasil e a África.



Histórias de heróis afrodescendentes.



Manati:



Nau catarineta, domínio popular, ilustração de Roger Mello

História lusitana, um conto tradicional lusitano.



Melhoramentos:



O Menino Marrom, de Ziraldo

O livro conta a história do menino Marrom e seu amigo cor de rosa. O livro é um dos primeiros a tratar da questão racial.

Por meio da obra é possível:



A representação social da cor da pele no imaginário brasileiro.



O preconceito racial na sociedade brasileira



Valorização do protagonista negro



Rio acima Mar abaixo, de Rogério Andrade

Lendas amazônicas contadas pelo preto velho de um antigo quilombo.

Marabaixo é uma aldeia que pode ser a representação do Brasil, influências indígenas e africanas estão colocadas nas situações apresentadas pelo texto.

Por meio da obra é possível:



A discussão sobre o quilombo como espaço da memória.



A simbiose das culturas indígenas e africanas na região norte



Paulinas:



Carol Carolina e o lado escuro da lua, de Silvio Liorbano

Aventura fantástica vivida pela menina Carol, ela conhece o lado escuro da lua.

O livro retrata a sociedade do lado escuro da lua como uma sociedade muito feliz e igual a da terra só que habitada apenas por negros, pois todos vieram da áfrica.

Na obra é possível encontrar:

A relação de diferença entre dois universos culturais transforma-se em relação de distância por conta do desconhecimento.

Uma organização social muito semelhante a da Carol, que se deslumbra com este conhecimento. A distância criada intencionalmente pelo autor entre as duas sociedades desaparece.



Ciça, de Neusa Jordem Possati

A História de uma menina negra, boa fria que trabalha, adora estudar, sofre com o padrasto e acaba perdendo uma perna em desastre de caminhão.

Na obra é possível encontrar:



O duro cotidiano dos bóias frias e questão racial na zona rural



O papel da escola na zona rural



Conceição, de Denise Nascimento

A História da menina Conceição que sofre muito preconceito na escola. Um acidente com o mais preconceituoso fez reverter a situação.

Na obra é possível encontrar:

A discussão da questão racial e do preconceito no espaço escolar



O convívio e a luta contra o preconceito em uma pequena cidade



Contos africanos, de Rogério de Andrade

O livro reúne dois contos do folclore africano. O primeiro narra a eterna luta entre o gato e o rato e o segundo relata o porquê dos jabutis terem cascos rachados.

O texto é uma forma leve de introduzir o pensamento africano no imaginário infantil. O livro insere-se na vertente literária privilegia a mitologia africana. Os contos têm suas versões na cultura brasileira, o interessante é poder comparar os dois universos culturais, percebendo as traduções de nossa cultura, como por exemplo o jabuti no lugar do sapo.

É possível encontrar no texto:





A relação da amizade e da ajuda mútua entre os diferentes



Como a traição é tratada no imaginário africano. No primeiro por meio da eterna inimizade entre o gato e o rato e no segundo por meio da vingança das aves na volta desastrada da festa no céu.



As marcas locais de um conto universal.



Memória de uma bola de natal, de Julio Emilio Brás

A Historia de uma bola de natal ao longo de vários natais de uma família. O autor é afrodescendente.

Na obra é possível encontrar:



A discussão sobre família



A ação do tempo nas relações familiares



O muro, de Julio Emilio Brás

A história e a ventura de um menino em sua cadeira de rodas.

Na obra é possível encontrar:



A discussão sobre o tratamento social dado as diferenças.



A luta pela inserção do diferente em nossa sociedade



Quando eu digo, digo digo, de Lenice Neves

Livro de poesia, envolvendo as brincadeiras da infância.

Na obra é possível encontrar:



Reminiscências infantis e brincadeiras de criança



A poesia e a forma lúdica do brincar



Peiropolis:



O espelho Dourado, de Heloisa Pires Lima

Lenda achanti do século VIII sobre o amor de um príncipe e uma princesa.

O universo cultural do reino de Gana no século VIII é mostrado de forma lúdica por meio de uma lenda resgatada por um pescador de história.

Na obra é possível encontrar:



A relação de sintonia entre o mundo dos vivos e dos mortos.



A ancestralidade como forma de não-ruptura entre as gerações



A geografia africana



A articulação política e as forças sociais que interagiram no reino de Gana estão contidas no anexo do livro



Produtor editorial independente:



Chica da Silva: a mulher que inventou o mar, de Lia Vieira

A história da heroína Chica da Silva.

Retrata de forma lúdica a hisotria de amor de Chica da Silva e o contratador J. Fernandes.

Na obra é possível encontrar:



O cotidiano da sociedade mineradora do século XVIII



As relações políticas entre metrópole e colônia



A historia da personagem histórica Chica da Silva



Record:



O órfão famoso, Elisa Lucinda

A história do Erro. Em forma de poesia o erro é apresentado. É um livro de adivinhação que leva ao leitor a descobrir sobre o tema tratado

Na obra é possível encontrar:



Em que situação (contexto social/ emocional) nasce o erro



Como essa ação humana pode ser tratada enquanto tema universal



Salamandra:



A menina transparente, Elisa Lucinda

Em forma de poesia é apresentada a própria poesia. É um livro de adivinhação que leva ao leitor a tentar descobrir antes do final o tema tratado no livro

Na obra é possível encontrar:



A importância da poesia em nossa sociedade



A poesia como libertação (como forma de pensar)



Záz, de Leny Werneck

A história se passa no ano novo. Uma menina espera encontrar Iemanjá na passagem do ano.

Na obra é possível encontrar:



O sincretismo religioso do povo brasileiro



A leitura infantil desse sincretismo



Moderna:



Cartola, de Mônica Ramalho

História do compositor Cartola.

Na obra é possível encontrar:



A vida e obra de Cartola



O contexto, o ambiente social, em que se produziram as músicas.



Dito, o negrinho da flauta, de Pedro Bloch

A desventura de um menino negro que queria uma flauta

Na obra é possível encontrar:



O difícil convívio com o preconceito racial



As forças sociais que podem interagir na luta contra o preconceito



Nzila Angola:



As sete vidas de um gato, de Dario Melo

Conta as peripécias de um gato que tem sete vidas

Na obra é possível encontrar:



Um pouco do imaginário do povo angolano, por meio de uma história de um gato.



Literatura infantil de língua portuguesa sem ser brasileira



Scipione:



O homem que casou com a sereia, de Ciça Fittipaldi

A história de um pescador que se casou com uma sereia, mas a sereia tinha saudade do mar e isto levou a separação do casal.

Na obra é possível encontrar:



Uma das formas de tradução de um conto popular



Cotidiano da população ribeirinha

Dicas para Trabalhar os Livros: O menino Nito e Menina bonita do laço de fita

:: O Menino Nito, de Sônia Rosa – Ilustração Victor Tavares – Editora Pallas.


:: Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado – Ilustração Claudius – Editora Ática.

O primeiro livro conta a história do menino Nito, que por tudo chorava. Seu pai, achando que ele já era grande para tal comportamento, vem com o seguinte discurso: “Você é um rapazinho, já está na hora de parar de chorar à toa. E tem mais: homem que é homem não chora.”

Essas palavras selaram o novo comportamento de Nito. O menino deixou de chorar. Em função dessa postura, ele ficou doente. A visita do médico resolveu o seu problema: o menino tinha de “desachorar” todas as lágrimas reprimidas.

O segundo livro conta a história de um coelhinho branco que queria ter uma filha pretinha porque achava a cor linda, tal qual a menina do laço de fita. Mas ele não sabia como a menina herdou aquela cor. Como ela também não sabia, dava várias explicações e sugestões, até que ele descobre que a cor era um fator genético. Se ele queria ter um filhote pretinho, teria de se casar com uma coelha pretinha.

Os dois livros podem ser inseridos no que genericamente se denominou literatura infanto-juvenil voltada para a temática relacionada com as questões étnicas. São livros que retratam o universo cultural e o cotidiano dos afro-descendentes.

Justificativa da escolha dos dois livros para um programa


- O contexto é atual e os dois protagonistas são negros.


- A questão da beleza (negra) envolve o próprio nome do protagonista boNITO, da mesma forma que em Menina Bonita, razão pela qual o coelhinho quer ter um filhote preto.


- Nito e a Bonita pertencem a famílias que chamaríamos genericamente de classe média, fugindo do estereótipo do “negro/pobre”.


- Herança enquanto transmissão de valores culturais e genéticos.

Especificamente pode–se trabalhar os seguintes aspectos com cada livro


- O processo subjetivo em que ocorre a consolidação de valores que aparentemente emergem como naturais em nossa sociedade, tal como “homem não chora”. A naturalização dessas idéias é construída desta forma, envolvendo muito carinho. O pai de Nito só queria educar o filho (provavelmente como ele fora educado). “Macho não chora.” Assim como essa idéia, outras também são transmitidas assim, tais como os preconceitos, sejam eles de fundo religioso, étnico ou sociais. Essa situação pode ser vista na página 5 de Nito.

- A questão fundamental do livro é como essa relação se materializa. O adulto às vezes não tem noção da importância do que ele fala para a criança e muito menos o conhecimento de como a criança vai elaborar (interpretar) o que ouviu. No caso de Nito, ele foi construir um muro alto para se adequar aos desejos (educação) do pai. Herança cultural passa também pela educação, como instrumento de transmissão de valores. Esse processo de introjeção de valores pode ser visto na página 6. A confusão do menino estava na noção de que ser homem passava por não chorar. Quando o médico lhe pediu que se lembrasse do choro retido e começasse a chorar, Nito perguntou ao médico se ele era realmente homem. A passagem da página 11 explicita essa idéia.

- A relação entre gerações está colocada na capacidade do diálogo entre pai e filho. O reconhecimento pelo pai da forma equivocada como pediu que Nito não chorasse mais foi uma experiência importante para ambos. Para Nito, a figura paterna era muito importante, e para o pai significou uma maior aproximação com o filho. O diálogo das páginas 14/15 contempla essa idéia.

- Em Menina Bonita a negritude enquanto beleza está explicitada. A menina é bonita por conta de sua cor. O cuidado com a beleza também está colocado, seja nos cuidados com os adereços, nas tranças e nos laços de fita, seja no cuidado com o corpo. A beleza negra como afirmação da auto-estima. A descrição da primeira página insere o modelo de beleza e a página 2 narra os cuidados de beleza tipicamente étnicos.


- A idéia de descendência e ascendência como herança cultural e genética. O coelho queria ter um filhote negro ao mesmo tempo em que se deu conta de que sua árvore genealógica não permitira isso, a não ser que se casasse com uma coelha preta. Essa problemática pode ser encontrada nas páginas 13/17.

- A mensagem positiva da miscigenação e as várias possibilidades de mistura, tal qual ocorre em nosso país. A mistura dos dois coelhos resultou em filhotes de todos as matizes. A página 19 explicita essa questão.


Sugestão de trabalhos para o programa

Atitudes do dia-a-dia reforçam e consolidam idéias que nem sem sempre são verbalizadas e acabam se tornando “verdades” sociais. Produto de intrincados processos de internalização de valores sociais, esse tipo de naturalização pode ser encontrado/materializado em nossa sociedade em exemplos como a pouca procura/matrícula de meninos em aulas de balé e de meninas em escolinhas de futebol; ou na dificuldade de encontrar bonecas de outras etnias que não a européia. Trabalhar com essas questões seria interessante no programa.

Uma sugestão de trabalho é que haja uma inversão dos papéis sociais, meninos fazendo coisas de menina e vice-versa. Há várias possibilidades, entre elas a de meninas construindo o que acham ser um brinquedo para menino, e os meninos para as meninas.

Outra sugestão está relacionada com a questão do medo (o que os levaria ao choro). Eles podem fazer mímica do que teriam medo para que os outros adivinhassem, ou algo similar.

E finalmente trabalhar com a estética negra, como afirmação de beleza, tais como fazer trancinhas (com contas, laços etc.) nas meninas/meninos e deixar que se vistam com uma produção afro (abadás, alacás etc.). Ou mesmo fabricação de bonecas e bonecos de várias cores e com características das várias etnias (asiática, indígena, africana e indo-européia).

Para saber mais


. Chagas, Conceição Corrêa. Negro: uma identidade em construção. Dificuldades e possibilidades. Rio de Janeiro/Petrópolis: Vozes, 1996.


. Fernandes, F. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Ática, 1978, 2ª ed.


. Fonseca, Maria Nazareth Soares (org). Brasil afro-brasileiro. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.


. Gonçalves, E. (org). Desigualdades de gêneros no Brasil. Goiânia: Grupo Transas do Corpo, 2004.


. Munanga, K. (org). Estratégias e políticas de combate à discriminação racial. São Paulo: EDUSP, 1996.


::: Textos de Lucia Silva, Dra. História Social.


http://www.acordacultura.org.br/ 







ORIGEM DO DINHEIRO

Para você que aprecia a Matemática, sugiro que você veja o vídeo que aborda a origem do dinheiro.

Bom divertimento!

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Entrevista, o psiquiatra Içami Tiba explica porque a disciplina é a base segura para uma educação saudável


Helena Poças Leitão


RCEG: Quais os maiores desafios da escola em relação à disciplina dos alunos?



Içami Tiba: A disciplina hoje tem um novo conceito. Antigamente, a criança é que seguiria as regras, cumpriria ordens, faria tudo sem questionar; ela seria o disciplinado. O critério de disciplina-ordem também é necessário para que o aluno possa realizar suas vontades.

Hoje, porém, a disciplina é uma qualidade que os alunos têm que desenvolver para que, desse modo, consigam concluir sua vontade, não só fazer o que lhe foi ordenado.



RCEG: Qual o maior problema causado pela indisciplina na escola?



Içami Tiba: É a dificuldade de organização que favorece a bagunça e, na bagunça, dificilmente as pessoas conseguem produzir. Hoje em dia uma pessoa até para aprender tem que ter uma mente organizada.

A pessoa precisa ter a capacidade de colocar as ideias em ordem, priorizar coisas para poder pelo menos expressar um sonho, uma vontade, uma ordem, um pedido. Hoje, parece que as crianças não conseguem completar nenhuma frase.

As crianças têm uma competência enquanto têm interesse, e essa competência some quando eles perdem o interesse. Isso tem a ver com a dificuldade de aprendizado, e a dificuldade de aprendizado tem a ver com a falta de disciplina no sentido antigo. O que temos hoje é uma sofisticação do antigo.



RCEG: Hoje em dia está mais difícil disciplinar as crianças?



Içami Tiba: Sem dúvida, sim. Há um novo paradigma de ensino. O professor não é fonte única do saber. O professor passa a ter que gerenciar aprendizados e não ele ser a única fonte do aprendizado. Os professores precisam hoje saber lidar com dinâmica de grupo. Não dá mais para ele lidar com 40 alunos, tem que entender uma sala de aula como uma entidade que tem vida própria em que cada aluno é um indivíduo único, formando subgrupos.

Dentro da sala de aula há vários grupos que se reuniram afetivamente, ou por faixas de idade, por interesses, entre outros. Por exemplo, um pai que tem cinco filhos não pode tratar todos eles da mesma forma, já que cada filho tem uma necessidade diferente. O professor pode selecionar alunos de acordo com as forças e as fraquezas de cada um e trabalhar em sala de aula um estudo das diferenças, gerando assim conflitos para que todos aprendam a gerenciá-los. Isso é diferente de confronto, por exemplo, um professor diz para o aluno “quem manda aqui sou eu, você cala a boca”, isto é um confronto. Se o professor precisar pedir respeito é por que o respeito não está existindo entre os alunos.



RCEG: Qual a influência do bom humor na arte de disciplinar?



Içami Tiba: O bom humor revela uma inteligência do professor. É muito comum o aluno achar que o professor é burro e que só entende daquela matéria e se for falar de outra coisa ele já não saberia responder. Então o bom humor traz o respeito do professor, consequentemente os alunos ficam mais relaxados e conseguem estabelecer o aprendizado.

Antigamente o “nerd” não era respeitado, e os alunos zombavam dele. Hoje, isso mudou. As pessoas respeitam a inteligência. Hoje o pensamento é outro: “trata bem ele que amanhã você pode ser empregado dele”.

A postura do professor dentro da sala de aula deve ser diferente assim como a formação dele também. Há mais de quarenta anos eles formam professores do mesmo jeito. Há professores que ainda não sabem mexer no computador. Daí surgem professores sem preparo, que impõem as coisas para o aluno, só sabe corrigir o que ele pediu, atrapalhando o aprendizado da criança.

A coisa que acho uma desgraça é o professor ser obrigado a fazer o que o currículo manda e não o que a classe necessita. Então o pensamento é “não tem problema se o aluno está entendendo, eu estou fazendo a minha função”.



RCEG: A tendência é piorar ou melhorar o modo de educar?



Içami Tiba: A tendência é piorar porque muitos dos professores que têm passado nos concursos são os mesmos que eram péssimos na época de colégio, e que não conseguiram outro emprego e optaram por ser professores. Que moral eles têm, esses professores, ao lado de outros que realmente querem fazer carreira de professor?



RCEG: A falta de disciplina nas escolas é responsável pelo declínio da qualidade do ensino? É possível o professor ser amigo do aluno, sem que este se torne um indisciplinado? Quais são os limites?



Içami Tiba: A falta de disciplina atrapalhou a vida das pessoas porque confundiram isso com liberdade. A disciplina é um ingrediente da liberdade. Não há meio-termo. Para ter esta disciplina é necessário se voltar para a saúde social e não apenas para o bem-estar pessoal. É necessária uma mudança radical, rumo a este conceito. Para esta mudança é necessário conhecimento. Os professores que desejam aplicar esse conhecimento precisam estudar. É a Teoria da Integração Relacional. Os pontos altos das minhas palestras são essas mudanças no conceito de disciplina. Os professores devem se capacitar – não há como fazer testes com alunos. É como um cirurgião, que não pode fazer testes com pacientes. O professor pode ser amigo com disciplina e inimigo com indisciplina. Os limites são os interesses do grupo.



RCEG: Quando falamos em limites e disciplina na escola, englobamos também os professores e funcionários?



Içami Tiba: Sem dúvida, estamos falando daquela disciplina necessária, que é a disciplina da civilidade, aquela que caracteriza o cidadão. A minha proposta em relação a isso é que se estabeleça a cidadania escolar. É importante que a criança saiba que na escola ela não pode repetir o que ela já não faz lá fora. A escola é a última chance que a criança tem de aprender isso.



RCEG: Muitos pais deixam inteiramente para a escola a responsabilidade de educar seus filhos. Como a escola deve agir nesse caso?



Içami Tiba: É fundamental que os pais acompanhem o estudo dos filhos. O que não dá é para os pais fazerem o que vemos muito hoje em dia: eles delegam, a criança estuda, dão o melhor para o filho, mas se ele repete de ano, a culpa é do professor que é ruim. A proposta hoje é que o cérebro não pare. Férias são horríveis por conta disso. Então os pais têm que cobrar os filhos todos os dias. Mesmo nas férias é preciso estimular o cérebro, e a tecnologia favorece isso.



“A falta de disciplina atrapalhou a vida das pessoas porque confundiram isso com liberdade. A disciplina é um ingrediente da liberdade”



RCEG: Relate experiências vitoriosas vivenciadas por meio dos conceitos de disciplina propostos pelo senhor.



Içami Tiba: Por exemplo, pense numa briga em escola. Um aluno machuca o outro. Não adianta o pai do aluno que agrediu pagar as despesas do hospital para o que se machucou e a escola suspender o agressor. A melhor coisa é aquele que bateu cuidar de quem foi agredido: fazer curativos acompanhá-lo para ir aos médicos. Independentemente da idade dos alunos. O agressor vai ver, com clareza, o estrago que provocou, vai tentar mudar seus métodos. Em família, isso é muito interessante – as pessoas se redescobrem. É como os alunos que têm uma doença e querem ser médicos. Outra situação comum em casa é a criança que brinca e depois não quer guardar os brinquedos. Por quê? Porque os pais só dão o meio do processo – o brincar.

A criança não cuida dos brinquedos e não quer guardá-los. Brincadeira tem começo, meio e fim. Para mudar isso, os pais devem ser duros. Na hora que a criança pegou o brinquedo deve ser avisada para arrumá-los depois de brincar – senão não vai brincar. O segundo passo é, depois que ela brincou, fazê-la arrumar os brinquedos. Se não quiser arrumar, os pais têm de combinar o seguinte: sendo assim, terão de dar os brinquedos para uma criança carente.

A criança precisa sentir que pode perder o brinquedo. Aprender um gesto de cidadão: o que não nos serve, serve para muita gente. Há crianças que têm de perder muitos brinquedos para aprender a valorizá-los.



RCEG: Os meios de comunicação são uma influência forte sobre crianças e adolescentes com relação ao consumismo, à cultura do prazer pelo prazer, à erotização e à ausência de limites. O que aconselha aos educadores e pais para lidar e se contrapor a essa influência? Que papel a escola tem nesse sentido?



Içami Tiba: Acho que a mídia funciona assim porque tem mercado para isso que é oferecido. Ela não é muito culpada. Oferece o que é consumido. O consumo não é problema de uma pessoa e sim de todas as gerações. É uma questão social. É importante que cada família reaprenda a ver televisão. Esperar que a TV regule sua programação por sua ética é algo em vão. São empresas que visam lucro. Se o preço de um apresentador como o Ratinho cair é porque caiu a audiência. Casas onde cada um tem um aparelho de TV em seu quarto, multiplica a oferta para o consumo. Independentemente disso, cada família deveria ter uma visão crítica dos produtos e comportamentos oferecidos pela TV.

A TV proíbe o diálogo, necessita da atenção visual do espectador. Mesmo assim, o costume de dialogar e trocar ideias deve ser alimentado na família – mesmo que seja sobre os programas assistidos. Não dá para ser uma sessão de ordens, na qual os pais dão lições de moral e impõem seus pensamentos. Deve ser uma conversa gostosa, em que todos impõem seu ponto de vista. Os pais devem deixar os filhos falar e eles devem falar também. Assim estão ensinando que seus filhos devem aprender a pensar e a discutir, para usufruir da melhor maneira da informação e da globalização. As experiências devem ser compartilhadas. Isso fará os pais crescerem. O papel da escola entra em determinadas matérias, como estudos da atualidade brasileira, ou nos conteúdos transversais (assuntos vistos por diversas matérias em determinados ângulos). A TV seria um objeto de debate crítico em sala de aula. Por exemplo: o programa Você Decide. Para o jovem é importante ser participativo. Esse modelo de que o bom aluno é aquele que absorve o que o professor fala, faz as lições, tira boas notas e não dá um pio é totalmente equivocado.



RCEG: Como o senhor avalia a influência da internet na educação e formação do adolescente? O senhor está desenvolvendo estudos a respeito?



Içami Tiba: Acredito que internet é um grande ganho social e educacional, desde que se selecione a informação que se quer obter. Não importa a quantidade de informação, mas sim como se faz uso delas. Hoje vale muito mais alguém que saiba aplicar bem conhecimentos específicos do que alguém com uma vasta quantidade de diplomas.

Atualmente, valoriza-se a aplicabilidade da informação. No começo do contato com a internet é aquele turbilhão de informação.

Com o tempo, as pessoas vão saber selecionar o que querem e por que querem. O que apavora os pais é quando eles não têm conhecimentos sobre isso. A internet passa a ser vista como um bicho de sete cabeças – e simboliza a perda do poder e do controle dos pais sobre os filhos. É importante que os pais estimulem os filhos a ensinar para eles como se mexe na internet – é um dos princípios do livro Ensinar aprendendo.



RCEG: Na sua opinião e de acordo com sua experiência, por que as escolas brasileiras e os professores têm aumentado seu interesse pela psicopedagogia?



Içami Tiba: Porque a pedagogia pura não funciona mais. O elemento relacional tem de entrar. Enquanto o adolescente não aceita uma pessoa, não aceita o que ela diz. Quando um burro fala, o outro baixa a orelha e não escuta. O aluno que abre a boca abre os ouvidos. Quando ele fala, se compromete, dá pistas do que pensa e por onde os professores podem ser melhor entendidos.

Fonte: Clube Eu Gosto – A Revista do Professor. Número IV- Agosto/Setembro 2010.

sábado, 11 de setembro de 2010

O FIM DA AMIZADE ENTRE O CORVO E O COELHO

O Corvo era muito amigo do Coelho. Combinaram, um dia, que cada um deles transportasse o companheiro às costas, indo de povoação em povoação, para dar a conhecer às pessoas a amizade que os unia.

O Corvo começou a carregar o Coelho. Andou com ele às costas pelas aldeias e a gente, quando o via, perguntava-lhe:

- Ó Corvo, que trazes tu aí?

- Trago um amigo meu que acaba de chegar de Namandicha.

Passou assim com ele por muitas terras.

Chegou depois a vez de ser o Coelho a carregar com o Corvo. Ao passar por uma aldeia, os moradores perguntaram-lhe:

- Ó Coelho, que trazes tu às costas?

- Ora, ora, trago penas, penugem e um grande bico - respondeu, a troçar, o Coelho.

O Corvo não gostou que o companheiro o gozasse daquela maneira, saltou logo para o chão e deixaram de ser amigos.

in: Contos Moçambicanos

INLD - 1979