terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sugestões de Livros

PROGRAMAS

StatusParentMateriaUIDStartDateEndDate O CONTEXTO DA ESCOLHA DOS LIVROSBIBLIOGRAFIA

Sugestões de livros

Agir:



Contos ao redor da fogueira, de Rogério Andrade

São histórias inspiradas em duas lendas africanas

Na obra é possível encontrar:





A cultura africana

A diversidade cultural africana



Sundjata o príncipe Leão, de Rogério Andrade

A historia da saga de um poderoso governante da África ocidental.

Na obra é possível encontrar:



Um conto tradicional da África ocidental



Mitologia africana e relações de poder em um estado africano antes dos europeus



Angola:



O Balão vermelho, de Cremilda Lima, s/ed,

Conta a história de um menino que está ansioso por ir a escola para participar da festa do livro infantil e ganhar um balão

Na obra é possível encontrar:



A importância da escola como espaço social identiário.



Literatura infantil de língua portuguesa sem ser brasileira



Atica:



A botija de Ouro, Joel Rufino

Conta a história de uma escrava que encontrou uma botija de ouro e gerou a cobiça de seu dono

Na obra é possível encontrar:



Como a sociedade escravista cuidava dos escravos



A luta pela humanização diante de uma sociedade escravista que coisificava o cativo



Dudu Calunga, Joel Rufino

Conta a história de um estranho que chega a uma festa e fatos estranhos começam a acontecer

Na obra é possível encontrar:



O ritual do candomblé na zona rural



O touro da língua de ouro, de Ana Maria Machado

A história de um touro com a língua de ouro muito malvado e de um garoto que consegue enfrentar o bicho e ficar com a princesa. Uma história popular da Jamaica, contada por Ana Maria Machado.



Cia das Letras:



História de escravo, de Isabel Lustosa

A história narrada por um avo ao seu neto sobre a escravidão.

Um bom paradidatico.

Na obra é possível encontrar:



O cotidiano da sociedade escravista do século XIX



As relações sócias estabelecidas por meio da escravidão: negociação e resistência



A situação dos negros depois da abolição



Histórias da Preta, de Heloisa Pires Lima

Eventos narrados envolvendo questionamentos de Preta.

O livro traz todos os questionamentos de um afrodescendentes, desde o que seria áfrica (áfricas) sua historia, a escravidão, o preconceito racial no Brasil e as estratégias de superação.

Na obra é possível encontrar:



De forma resumida, tudo que se conhece da áfrica (da pré historia aos dias de hoje)



A trajetória dos africanos no Brasil (da colônia aos dias de hoje)



Do convívio com o preconceito (desde de como ele se constrói na sociedade, como abala a auto-estima e como lutar contra).



Ogum: o rei de muitas faces e outras histórias dos orixás, de Lídia Chaib e Elizabeth Rodrigues

Livro conta as lendas mais conhecidas dos orixás, explica o culto co candomblé e conta um pouco a história d a África antes dos europeus e da escravidão

Na obra é possível encontrar:



A articulação cultural entre Brasil e a África



A trajetória dos africanos no Brasil (da colônia aos dias de hoje)



Cosac e Naify:



Os príncipes do destino, de Reginaldo Prandi

História da mitologia afro-brasileira. São 16 encontros dos Odus com Ifá.

Na obra é possível encontrar:



Mitologia africana



Simbologias dos cultos afro-brasileiros



DCL:



Lá vai o Rui e Cadê Clarice, de Sonia Rosa

O primeiro conta a história do menino Rui que estava sempre brincando de alguma coisa e o segundo livro mostra o momento em que a menina Clarice começa a engatinhar.

Na obra é possível encontrar:



O universo masculino infantil



O cotidiano de um bebê que começa a engatinhar



As descobertas de Paulinho na Metrópole, de Marina Franco

Um excelente livro paradidático. A partir de um trabalho escolar o menino Paulinho passa com seu skate conhecer a cidade de São Paulo.

Na obra é possível encontrar:



As principais referências espaciais da cidade



O papel da escola na construção do conhecimento



Perto dos olhos, perto do coração, de Fátima Miguez

Texto baseado em pinturas de Lasar Segall

Na obra é possível encontrar:



A relação da arte de Segall com a temática afro-brasileira



Uma possível discussão entre as obras de Segall e o tema etnia



Edições Chá de Caxinde Angola:



Niamana, de Mico-Douce

A história se passa em uma aldeia às margens do rio Zambeze. O desaparecimento do cesto de adivinhação da aldeia desencadeia uma série eventos.

Na obra é possível encontrar:



O universo mágico no contexto da história



A relação da aldeia com a natureza



Ynari, de Ondjaki

A história gira em torno de uma menina e um pequeno homem que aprendem os sentidos das palavras

Na obra é possível encontrar:



A descoberta do poder das palavras e seus vários sentidos



A força da amizade sendo alimentada pelas palavras



O presente, de Maria Celestina Fernandes

São duas histórias: o presente de natal conta a separação de duas crianças por conta da guerra. A segunda história gira em torno de uma menina que ao fugir da seca se perde da família e passa a viver com um lenhador

Na obra é possível encontrar:



O que a guerra significou para Angola



O sobrenatural no contexto da vida na zona rural



Editora do Brasil:



A História contou, de Odette de Barros Mott

Conta a história de amor do príncipe do poente com uma fadinha. Narra as peripécias dos dois para ficarem juntos, já que ele é uma pessoa e ela uma fada.

Na obra é possível encontrar:



A discussão sobre o amor entre os diferentes



A falta de compreensão dos outros em relação ao amor entre pessoas de etnias diferentes



O negrinho ganga Zumba, de Rogério Borges

História de uma criança escrava que durante o dia trabalhava e à noite retornava à senzala. Mesmo cativo ele trabalhava, sonhava e esperava que chegasse o dia em que ele pudesse voltar e conhecer a terra de seu pai.

O livro é de 1988. O texto trata explicitamente a temática da escravidão e luta pela liberdade.

Por meio da obra é possível:



Conhecer a formação social do Brasil colonial

Articular Brasil África por meio do tráfico negreiro

Resistência à escravidão: quilombos



O vôo de pretinha e Branquinha, de Lucia Pimentel Góes

O mote é desobediência, mas ao colocar as protagonistas de duas etnias diferentes tendo o mesmo comportamento, leva a discussão que a cor da pele em si não pode ser utilizada como elemento explicativo para o comportamento e o caráter de alguém.

Na obra é possível encontrar:



A interação social de pessoas de etnias diferentes

A discussão sobre a desobediência



Pretinho: meu boneco querido, de Maria Cistina Furtado

Conta a história de um boneco que por ser preto sofre o preconceito dos outros bonecos da casa, dando a dimensão simbólica do preconceito (auto estima).

Na obra é possível encontrar:

A discussão sobre o preconceito racial e o racismo.

O complexo processo de construção da auto-estima no contexto de preconceito



Editora Volta e Meia:



Saci siriri sici, de Luiz Galdino

Conta a história de 3 sacis que, ao perderem a casa vão para a cidade. A história gira em torno de suas desventuras de retorno da floresta.

Na obra é possível encontrar:



A discussão sobre a degradação do meio ambiente



A difícil adaptação das pessoas do campo à cidade



Formato:



Agbalá: um lugar continente, de Marilda Castanha

É um livro que reúne o conhecimento da África antes dos europeus e a vinda dos africanos para o Brasil. Faz parte das comemorações dos 500 anos. Excelente livro paradidatico. Todos os temas podem ser trabalhados no livro



Festas: o folclore do Mestre André, de Marcelo Xavier

Coletânea de manifestações culturais brasileiras

Na obra é possível encontrar:



A lista de todas as festas folclóricas



A explicação de organização destas manifestações



FTD:



A cor da ternura, de Geni Guimarães

O livro conta a trajetória de Geni, uma menina negra e pobre. Filha de lavrador ela se torna professora.

Na obra é possível encontrar:



O convívio com o preconceito em uma região rural



O retrato do sistema escolar como um lugar social hostil à população afrodescendente



Historias africanas para contar e recontar, de Rogério Andrade

São lendas e fábulas da tradição oral africana.

Os contos retratados no texto são elaborados a partir de narrativa que explora a tradição oral africana. O passado não é visto como algo que passou, mas como um continuo do presente, O livro insere-se na vertente literária privilegia a mitologia africana.

Ao longo dos textos é possível:



Conhecer o cotidiano, o modo de vida, os costumes de uma aldeia



Conhecer a mitologia africana por meio dos contos tradicionais



A relação tempo no mundo africano (o conceito de circularidade temporal africana)



Lendas negras, de Julio Emilio Braz

O livro reúne várias lendas do continente africano.

Dentro da perspectiva de resgate da tradição africana, o livro traz várias histórias de regiões geograficamente diferentes, tais como os zulus, malis, ressaltando a diversidade do continente africano.

No final do livro, há um texto explicativo de onde foram extraídas as lendas e os povos que os produziram.

Na obra é possível encontrar:



A relação do homem e a natureza em várias estruturas sociais



Um pouco da cosmogonia africana



As relações de gênero no universo simbólico africano.



Luana, a menina que viu o Brasil neném, de Aroldo Macedo e Oswaldo Faustino

Excelente livro paradidatico com a personagem Luana (do gibi)

Na obra é possível encontrar:



O contexto histórico em que se deu o encontro entre culturas africanas, europeus e indígenas.



Valorização da cultura afro-brasileira por meio de várias manifestações culturais



O menino que virou passarinho, de Fernando Lobo

A história do menino que queria aprender a cantar com o vento, mas para isso ele precisava de uma viola, e o marceneiro queria um cachimbo e quem fazia o cachimbo queria um rolo de fumo. Assim ele teve várias tarefas a cumprir até aprender a cantar com o vento.

Na obra é possível encontrar:



O convívio com a natureza



A música como forma de inspiração e aproximação com esta natureza



O rei do Mamulengo, de Rogério Andrade

O livro conta a historia de 3 gerações de fabricantes e brincantes de mamulengo.

O livro insere-se na vertente que ressalta a filiação com a África, mas prioriza a criatividade brasileira.

É possível encontrar na obra:



A relação com a natureza, pois a arte de fazer os bonecos se misturava ao respeito às coisas da natureza, característica da cultura popular.



A arte como forma de explicitar uma leitura da sociedade. Nas peças denunciavam a desigualdade social



O processo complexo de confecção dos bonecos.





Global Editora:



Gosto de África, de Joel Rufino

O livro reúne um conjunto de histórias do Brasil e da África.

Na obra é possível encontrar:



Articulação cultural entre Brasil e a África.



Histórias de heróis afrodescendentes.



Manati:



Nau catarineta, domínio popular, ilustração de Roger Mello

História lusitana, um conto tradicional lusitano.



Melhoramentos:



O Menino Marrom, de Ziraldo

O livro conta a história do menino Marrom e seu amigo cor de rosa. O livro é um dos primeiros a tratar da questão racial.

Por meio da obra é possível:



A representação social da cor da pele no imaginário brasileiro.



O preconceito racial na sociedade brasileira



Valorização do protagonista negro



Rio acima Mar abaixo, de Rogério Andrade

Lendas amazônicas contadas pelo preto velho de um antigo quilombo.

Marabaixo é uma aldeia que pode ser a representação do Brasil, influências indígenas e africanas estão colocadas nas situações apresentadas pelo texto.

Por meio da obra é possível:



A discussão sobre o quilombo como espaço da memória.



A simbiose das culturas indígenas e africanas na região norte



Paulinas:



Carol Carolina e o lado escuro da lua, de Silvio Liorbano

Aventura fantástica vivida pela menina Carol, ela conhece o lado escuro da lua.

O livro retrata a sociedade do lado escuro da lua como uma sociedade muito feliz e igual a da terra só que habitada apenas por negros, pois todos vieram da áfrica.

Na obra é possível encontrar:

A relação de diferença entre dois universos culturais transforma-se em relação de distância por conta do desconhecimento.

Uma organização social muito semelhante a da Carol, que se deslumbra com este conhecimento. A distância criada intencionalmente pelo autor entre as duas sociedades desaparece.



Ciça, de Neusa Jordem Possati

A História de uma menina negra, boa fria que trabalha, adora estudar, sofre com o padrasto e acaba perdendo uma perna em desastre de caminhão.

Na obra é possível encontrar:



O duro cotidiano dos bóias frias e questão racial na zona rural



O papel da escola na zona rural



Conceição, de Denise Nascimento

A História da menina Conceição que sofre muito preconceito na escola. Um acidente com o mais preconceituoso fez reverter a situação.

Na obra é possível encontrar:

A discussão da questão racial e do preconceito no espaço escolar



O convívio e a luta contra o preconceito em uma pequena cidade



Contos africanos, de Rogério de Andrade

O livro reúne dois contos do folclore africano. O primeiro narra a eterna luta entre o gato e o rato e o segundo relata o porquê dos jabutis terem cascos rachados.

O texto é uma forma leve de introduzir o pensamento africano no imaginário infantil. O livro insere-se na vertente literária privilegia a mitologia africana. Os contos têm suas versões na cultura brasileira, o interessante é poder comparar os dois universos culturais, percebendo as traduções de nossa cultura, como por exemplo o jabuti no lugar do sapo.

É possível encontrar no texto:





A relação da amizade e da ajuda mútua entre os diferentes



Como a traição é tratada no imaginário africano. No primeiro por meio da eterna inimizade entre o gato e o rato e no segundo por meio da vingança das aves na volta desastrada da festa no céu.



As marcas locais de um conto universal.



Memória de uma bola de natal, de Julio Emilio Brás

A Historia de uma bola de natal ao longo de vários natais de uma família. O autor é afrodescendente.

Na obra é possível encontrar:



A discussão sobre família



A ação do tempo nas relações familiares



O muro, de Julio Emilio Brás

A história e a ventura de um menino em sua cadeira de rodas.

Na obra é possível encontrar:



A discussão sobre o tratamento social dado as diferenças.



A luta pela inserção do diferente em nossa sociedade



Quando eu digo, digo digo, de Lenice Neves

Livro de poesia, envolvendo as brincadeiras da infância.

Na obra é possível encontrar:



Reminiscências infantis e brincadeiras de criança



A poesia e a forma lúdica do brincar



Peiropolis:



O espelho Dourado, de Heloisa Pires Lima

Lenda achanti do século VIII sobre o amor de um príncipe e uma princesa.

O universo cultural do reino de Gana no século VIII é mostrado de forma lúdica por meio de uma lenda resgatada por um pescador de história.

Na obra é possível encontrar:



A relação de sintonia entre o mundo dos vivos e dos mortos.



A ancestralidade como forma de não-ruptura entre as gerações



A geografia africana



A articulação política e as forças sociais que interagiram no reino de Gana estão contidas no anexo do livro



Produtor editorial independente:



Chica da Silva: a mulher que inventou o mar, de Lia Vieira

A história da heroína Chica da Silva.

Retrata de forma lúdica a hisotria de amor de Chica da Silva e o contratador J. Fernandes.

Na obra é possível encontrar:



O cotidiano da sociedade mineradora do século XVIII



As relações políticas entre metrópole e colônia



A historia da personagem histórica Chica da Silva



Record:



O órfão famoso, Elisa Lucinda

A história do Erro. Em forma de poesia o erro é apresentado. É um livro de adivinhação que leva ao leitor a descobrir sobre o tema tratado

Na obra é possível encontrar:



Em que situação (contexto social/ emocional) nasce o erro



Como essa ação humana pode ser tratada enquanto tema universal



Salamandra:



A menina transparente, Elisa Lucinda

Em forma de poesia é apresentada a própria poesia. É um livro de adivinhação que leva ao leitor a tentar descobrir antes do final o tema tratado no livro

Na obra é possível encontrar:



A importância da poesia em nossa sociedade



A poesia como libertação (como forma de pensar)



Záz, de Leny Werneck

A história se passa no ano novo. Uma menina espera encontrar Iemanjá na passagem do ano.

Na obra é possível encontrar:



O sincretismo religioso do povo brasileiro



A leitura infantil desse sincretismo



Moderna:



Cartola, de Mônica Ramalho

História do compositor Cartola.

Na obra é possível encontrar:



A vida e obra de Cartola



O contexto, o ambiente social, em que se produziram as músicas.



Dito, o negrinho da flauta, de Pedro Bloch

A desventura de um menino negro que queria uma flauta

Na obra é possível encontrar:



O difícil convívio com o preconceito racial



As forças sociais que podem interagir na luta contra o preconceito



Nzila Angola:



As sete vidas de um gato, de Dario Melo

Conta as peripécias de um gato que tem sete vidas

Na obra é possível encontrar:



Um pouco do imaginário do povo angolano, por meio de uma história de um gato.



Literatura infantil de língua portuguesa sem ser brasileira



Scipione:



O homem que casou com a sereia, de Ciça Fittipaldi

A história de um pescador que se casou com uma sereia, mas a sereia tinha saudade do mar e isto levou a separação do casal.

Na obra é possível encontrar:



Uma das formas de tradução de um conto popular



Cotidiano da população ribeirinha

Dicas para Trabalhar os Livros: O menino Nito e Menina bonita do laço de fita

:: O Menino Nito, de Sônia Rosa – Ilustração Victor Tavares – Editora Pallas.


:: Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado – Ilustração Claudius – Editora Ática.

O primeiro livro conta a história do menino Nito, que por tudo chorava. Seu pai, achando que ele já era grande para tal comportamento, vem com o seguinte discurso: “Você é um rapazinho, já está na hora de parar de chorar à toa. E tem mais: homem que é homem não chora.”

Essas palavras selaram o novo comportamento de Nito. O menino deixou de chorar. Em função dessa postura, ele ficou doente. A visita do médico resolveu o seu problema: o menino tinha de “desachorar” todas as lágrimas reprimidas.

O segundo livro conta a história de um coelhinho branco que queria ter uma filha pretinha porque achava a cor linda, tal qual a menina do laço de fita. Mas ele não sabia como a menina herdou aquela cor. Como ela também não sabia, dava várias explicações e sugestões, até que ele descobre que a cor era um fator genético. Se ele queria ter um filhote pretinho, teria de se casar com uma coelha pretinha.

Os dois livros podem ser inseridos no que genericamente se denominou literatura infanto-juvenil voltada para a temática relacionada com as questões étnicas. São livros que retratam o universo cultural e o cotidiano dos afro-descendentes.

Justificativa da escolha dos dois livros para um programa


- O contexto é atual e os dois protagonistas são negros.


- A questão da beleza (negra) envolve o próprio nome do protagonista boNITO, da mesma forma que em Menina Bonita, razão pela qual o coelhinho quer ter um filhote preto.


- Nito e a Bonita pertencem a famílias que chamaríamos genericamente de classe média, fugindo do estereótipo do “negro/pobre”.


- Herança enquanto transmissão de valores culturais e genéticos.

Especificamente pode–se trabalhar os seguintes aspectos com cada livro


- O processo subjetivo em que ocorre a consolidação de valores que aparentemente emergem como naturais em nossa sociedade, tal como “homem não chora”. A naturalização dessas idéias é construída desta forma, envolvendo muito carinho. O pai de Nito só queria educar o filho (provavelmente como ele fora educado). “Macho não chora.” Assim como essa idéia, outras também são transmitidas assim, tais como os preconceitos, sejam eles de fundo religioso, étnico ou sociais. Essa situação pode ser vista na página 5 de Nito.

- A questão fundamental do livro é como essa relação se materializa. O adulto às vezes não tem noção da importância do que ele fala para a criança e muito menos o conhecimento de como a criança vai elaborar (interpretar) o que ouviu. No caso de Nito, ele foi construir um muro alto para se adequar aos desejos (educação) do pai. Herança cultural passa também pela educação, como instrumento de transmissão de valores. Esse processo de introjeção de valores pode ser visto na página 6. A confusão do menino estava na noção de que ser homem passava por não chorar. Quando o médico lhe pediu que se lembrasse do choro retido e começasse a chorar, Nito perguntou ao médico se ele era realmente homem. A passagem da página 11 explicita essa idéia.

- A relação entre gerações está colocada na capacidade do diálogo entre pai e filho. O reconhecimento pelo pai da forma equivocada como pediu que Nito não chorasse mais foi uma experiência importante para ambos. Para Nito, a figura paterna era muito importante, e para o pai significou uma maior aproximação com o filho. O diálogo das páginas 14/15 contempla essa idéia.

- Em Menina Bonita a negritude enquanto beleza está explicitada. A menina é bonita por conta de sua cor. O cuidado com a beleza também está colocado, seja nos cuidados com os adereços, nas tranças e nos laços de fita, seja no cuidado com o corpo. A beleza negra como afirmação da auto-estima. A descrição da primeira página insere o modelo de beleza e a página 2 narra os cuidados de beleza tipicamente étnicos.


- A idéia de descendência e ascendência como herança cultural e genética. O coelho queria ter um filhote negro ao mesmo tempo em que se deu conta de que sua árvore genealógica não permitira isso, a não ser que se casasse com uma coelha preta. Essa problemática pode ser encontrada nas páginas 13/17.

- A mensagem positiva da miscigenação e as várias possibilidades de mistura, tal qual ocorre em nosso país. A mistura dos dois coelhos resultou em filhotes de todos as matizes. A página 19 explicita essa questão.


Sugestão de trabalhos para o programa

Atitudes do dia-a-dia reforçam e consolidam idéias que nem sem sempre são verbalizadas e acabam se tornando “verdades” sociais. Produto de intrincados processos de internalização de valores sociais, esse tipo de naturalização pode ser encontrado/materializado em nossa sociedade em exemplos como a pouca procura/matrícula de meninos em aulas de balé e de meninas em escolinhas de futebol; ou na dificuldade de encontrar bonecas de outras etnias que não a européia. Trabalhar com essas questões seria interessante no programa.

Uma sugestão de trabalho é que haja uma inversão dos papéis sociais, meninos fazendo coisas de menina e vice-versa. Há várias possibilidades, entre elas a de meninas construindo o que acham ser um brinquedo para menino, e os meninos para as meninas.

Outra sugestão está relacionada com a questão do medo (o que os levaria ao choro). Eles podem fazer mímica do que teriam medo para que os outros adivinhassem, ou algo similar.

E finalmente trabalhar com a estética negra, como afirmação de beleza, tais como fazer trancinhas (com contas, laços etc.) nas meninas/meninos e deixar que se vistam com uma produção afro (abadás, alacás etc.). Ou mesmo fabricação de bonecas e bonecos de várias cores e com características das várias etnias (asiática, indígena, africana e indo-européia).

Para saber mais


. Chagas, Conceição Corrêa. Negro: uma identidade em construção. Dificuldades e possibilidades. Rio de Janeiro/Petrópolis: Vozes, 1996.


. Fernandes, F. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Ática, 1978, 2ª ed.


. Fonseca, Maria Nazareth Soares (org). Brasil afro-brasileiro. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.


. Gonçalves, E. (org). Desigualdades de gêneros no Brasil. Goiânia: Grupo Transas do Corpo, 2004.


. Munanga, K. (org). Estratégias e políticas de combate à discriminação racial. São Paulo: EDUSP, 1996.


::: Textos de Lucia Silva, Dra. História Social.


http://www.acordacultura.org.br/ 







ORIGEM DO DINHEIRO

Para você que aprecia a Matemática, sugiro que você veja o vídeo que aborda a origem do dinheiro.

Bom divertimento!

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Entrevista, o psiquiatra Içami Tiba explica porque a disciplina é a base segura para uma educação saudável


Helena Poças Leitão


RCEG: Quais os maiores desafios da escola em relação à disciplina dos alunos?



Içami Tiba: A disciplina hoje tem um novo conceito. Antigamente, a criança é que seguiria as regras, cumpriria ordens, faria tudo sem questionar; ela seria o disciplinado. O critério de disciplina-ordem também é necessário para que o aluno possa realizar suas vontades.

Hoje, porém, a disciplina é uma qualidade que os alunos têm que desenvolver para que, desse modo, consigam concluir sua vontade, não só fazer o que lhe foi ordenado.



RCEG: Qual o maior problema causado pela indisciplina na escola?



Içami Tiba: É a dificuldade de organização que favorece a bagunça e, na bagunça, dificilmente as pessoas conseguem produzir. Hoje em dia uma pessoa até para aprender tem que ter uma mente organizada.

A pessoa precisa ter a capacidade de colocar as ideias em ordem, priorizar coisas para poder pelo menos expressar um sonho, uma vontade, uma ordem, um pedido. Hoje, parece que as crianças não conseguem completar nenhuma frase.

As crianças têm uma competência enquanto têm interesse, e essa competência some quando eles perdem o interesse. Isso tem a ver com a dificuldade de aprendizado, e a dificuldade de aprendizado tem a ver com a falta de disciplina no sentido antigo. O que temos hoje é uma sofisticação do antigo.



RCEG: Hoje em dia está mais difícil disciplinar as crianças?



Içami Tiba: Sem dúvida, sim. Há um novo paradigma de ensino. O professor não é fonte única do saber. O professor passa a ter que gerenciar aprendizados e não ele ser a única fonte do aprendizado. Os professores precisam hoje saber lidar com dinâmica de grupo. Não dá mais para ele lidar com 40 alunos, tem que entender uma sala de aula como uma entidade que tem vida própria em que cada aluno é um indivíduo único, formando subgrupos.

Dentro da sala de aula há vários grupos que se reuniram afetivamente, ou por faixas de idade, por interesses, entre outros. Por exemplo, um pai que tem cinco filhos não pode tratar todos eles da mesma forma, já que cada filho tem uma necessidade diferente. O professor pode selecionar alunos de acordo com as forças e as fraquezas de cada um e trabalhar em sala de aula um estudo das diferenças, gerando assim conflitos para que todos aprendam a gerenciá-los. Isso é diferente de confronto, por exemplo, um professor diz para o aluno “quem manda aqui sou eu, você cala a boca”, isto é um confronto. Se o professor precisar pedir respeito é por que o respeito não está existindo entre os alunos.



RCEG: Qual a influência do bom humor na arte de disciplinar?



Içami Tiba: O bom humor revela uma inteligência do professor. É muito comum o aluno achar que o professor é burro e que só entende daquela matéria e se for falar de outra coisa ele já não saberia responder. Então o bom humor traz o respeito do professor, consequentemente os alunos ficam mais relaxados e conseguem estabelecer o aprendizado.

Antigamente o “nerd” não era respeitado, e os alunos zombavam dele. Hoje, isso mudou. As pessoas respeitam a inteligência. Hoje o pensamento é outro: “trata bem ele que amanhã você pode ser empregado dele”.

A postura do professor dentro da sala de aula deve ser diferente assim como a formação dele também. Há mais de quarenta anos eles formam professores do mesmo jeito. Há professores que ainda não sabem mexer no computador. Daí surgem professores sem preparo, que impõem as coisas para o aluno, só sabe corrigir o que ele pediu, atrapalhando o aprendizado da criança.

A coisa que acho uma desgraça é o professor ser obrigado a fazer o que o currículo manda e não o que a classe necessita. Então o pensamento é “não tem problema se o aluno está entendendo, eu estou fazendo a minha função”.



RCEG: A tendência é piorar ou melhorar o modo de educar?



Içami Tiba: A tendência é piorar porque muitos dos professores que têm passado nos concursos são os mesmos que eram péssimos na época de colégio, e que não conseguiram outro emprego e optaram por ser professores. Que moral eles têm, esses professores, ao lado de outros que realmente querem fazer carreira de professor?



RCEG: A falta de disciplina nas escolas é responsável pelo declínio da qualidade do ensino? É possível o professor ser amigo do aluno, sem que este se torne um indisciplinado? Quais são os limites?



Içami Tiba: A falta de disciplina atrapalhou a vida das pessoas porque confundiram isso com liberdade. A disciplina é um ingrediente da liberdade. Não há meio-termo. Para ter esta disciplina é necessário se voltar para a saúde social e não apenas para o bem-estar pessoal. É necessária uma mudança radical, rumo a este conceito. Para esta mudança é necessário conhecimento. Os professores que desejam aplicar esse conhecimento precisam estudar. É a Teoria da Integração Relacional. Os pontos altos das minhas palestras são essas mudanças no conceito de disciplina. Os professores devem se capacitar – não há como fazer testes com alunos. É como um cirurgião, que não pode fazer testes com pacientes. O professor pode ser amigo com disciplina e inimigo com indisciplina. Os limites são os interesses do grupo.



RCEG: Quando falamos em limites e disciplina na escola, englobamos também os professores e funcionários?



Içami Tiba: Sem dúvida, estamos falando daquela disciplina necessária, que é a disciplina da civilidade, aquela que caracteriza o cidadão. A minha proposta em relação a isso é que se estabeleça a cidadania escolar. É importante que a criança saiba que na escola ela não pode repetir o que ela já não faz lá fora. A escola é a última chance que a criança tem de aprender isso.



RCEG: Muitos pais deixam inteiramente para a escola a responsabilidade de educar seus filhos. Como a escola deve agir nesse caso?



Içami Tiba: É fundamental que os pais acompanhem o estudo dos filhos. O que não dá é para os pais fazerem o que vemos muito hoje em dia: eles delegam, a criança estuda, dão o melhor para o filho, mas se ele repete de ano, a culpa é do professor que é ruim. A proposta hoje é que o cérebro não pare. Férias são horríveis por conta disso. Então os pais têm que cobrar os filhos todos os dias. Mesmo nas férias é preciso estimular o cérebro, e a tecnologia favorece isso.



“A falta de disciplina atrapalhou a vida das pessoas porque confundiram isso com liberdade. A disciplina é um ingrediente da liberdade”



RCEG: Relate experiências vitoriosas vivenciadas por meio dos conceitos de disciplina propostos pelo senhor.



Içami Tiba: Por exemplo, pense numa briga em escola. Um aluno machuca o outro. Não adianta o pai do aluno que agrediu pagar as despesas do hospital para o que se machucou e a escola suspender o agressor. A melhor coisa é aquele que bateu cuidar de quem foi agredido: fazer curativos acompanhá-lo para ir aos médicos. Independentemente da idade dos alunos. O agressor vai ver, com clareza, o estrago que provocou, vai tentar mudar seus métodos. Em família, isso é muito interessante – as pessoas se redescobrem. É como os alunos que têm uma doença e querem ser médicos. Outra situação comum em casa é a criança que brinca e depois não quer guardar os brinquedos. Por quê? Porque os pais só dão o meio do processo – o brincar.

A criança não cuida dos brinquedos e não quer guardá-los. Brincadeira tem começo, meio e fim. Para mudar isso, os pais devem ser duros. Na hora que a criança pegou o brinquedo deve ser avisada para arrumá-los depois de brincar – senão não vai brincar. O segundo passo é, depois que ela brincou, fazê-la arrumar os brinquedos. Se não quiser arrumar, os pais têm de combinar o seguinte: sendo assim, terão de dar os brinquedos para uma criança carente.

A criança precisa sentir que pode perder o brinquedo. Aprender um gesto de cidadão: o que não nos serve, serve para muita gente. Há crianças que têm de perder muitos brinquedos para aprender a valorizá-los.



RCEG: Os meios de comunicação são uma influência forte sobre crianças e adolescentes com relação ao consumismo, à cultura do prazer pelo prazer, à erotização e à ausência de limites. O que aconselha aos educadores e pais para lidar e se contrapor a essa influência? Que papel a escola tem nesse sentido?



Içami Tiba: Acho que a mídia funciona assim porque tem mercado para isso que é oferecido. Ela não é muito culpada. Oferece o que é consumido. O consumo não é problema de uma pessoa e sim de todas as gerações. É uma questão social. É importante que cada família reaprenda a ver televisão. Esperar que a TV regule sua programação por sua ética é algo em vão. São empresas que visam lucro. Se o preço de um apresentador como o Ratinho cair é porque caiu a audiência. Casas onde cada um tem um aparelho de TV em seu quarto, multiplica a oferta para o consumo. Independentemente disso, cada família deveria ter uma visão crítica dos produtos e comportamentos oferecidos pela TV.

A TV proíbe o diálogo, necessita da atenção visual do espectador. Mesmo assim, o costume de dialogar e trocar ideias deve ser alimentado na família – mesmo que seja sobre os programas assistidos. Não dá para ser uma sessão de ordens, na qual os pais dão lições de moral e impõem seus pensamentos. Deve ser uma conversa gostosa, em que todos impõem seu ponto de vista. Os pais devem deixar os filhos falar e eles devem falar também. Assim estão ensinando que seus filhos devem aprender a pensar e a discutir, para usufruir da melhor maneira da informação e da globalização. As experiências devem ser compartilhadas. Isso fará os pais crescerem. O papel da escola entra em determinadas matérias, como estudos da atualidade brasileira, ou nos conteúdos transversais (assuntos vistos por diversas matérias em determinados ângulos). A TV seria um objeto de debate crítico em sala de aula. Por exemplo: o programa Você Decide. Para o jovem é importante ser participativo. Esse modelo de que o bom aluno é aquele que absorve o que o professor fala, faz as lições, tira boas notas e não dá um pio é totalmente equivocado.



RCEG: Como o senhor avalia a influência da internet na educação e formação do adolescente? O senhor está desenvolvendo estudos a respeito?



Içami Tiba: Acredito que internet é um grande ganho social e educacional, desde que se selecione a informação que se quer obter. Não importa a quantidade de informação, mas sim como se faz uso delas. Hoje vale muito mais alguém que saiba aplicar bem conhecimentos específicos do que alguém com uma vasta quantidade de diplomas.

Atualmente, valoriza-se a aplicabilidade da informação. No começo do contato com a internet é aquele turbilhão de informação.

Com o tempo, as pessoas vão saber selecionar o que querem e por que querem. O que apavora os pais é quando eles não têm conhecimentos sobre isso. A internet passa a ser vista como um bicho de sete cabeças – e simboliza a perda do poder e do controle dos pais sobre os filhos. É importante que os pais estimulem os filhos a ensinar para eles como se mexe na internet – é um dos princípios do livro Ensinar aprendendo.



RCEG: Na sua opinião e de acordo com sua experiência, por que as escolas brasileiras e os professores têm aumentado seu interesse pela psicopedagogia?



Içami Tiba: Porque a pedagogia pura não funciona mais. O elemento relacional tem de entrar. Enquanto o adolescente não aceita uma pessoa, não aceita o que ela diz. Quando um burro fala, o outro baixa a orelha e não escuta. O aluno que abre a boca abre os ouvidos. Quando ele fala, se compromete, dá pistas do que pensa e por onde os professores podem ser melhor entendidos.

Fonte: Clube Eu Gosto – A Revista do Professor. Número IV- Agosto/Setembro 2010.

sábado, 11 de setembro de 2010

O FIM DA AMIZADE ENTRE O CORVO E O COELHO

O Corvo era muito amigo do Coelho. Combinaram, um dia, que cada um deles transportasse o companheiro às costas, indo de povoação em povoação, para dar a conhecer às pessoas a amizade que os unia.

O Corvo começou a carregar o Coelho. Andou com ele às costas pelas aldeias e a gente, quando o via, perguntava-lhe:

- Ó Corvo, que trazes tu aí?

- Trago um amigo meu que acaba de chegar de Namandicha.

Passou assim com ele por muitas terras.

Chegou depois a vez de ser o Coelho a carregar com o Corvo. Ao passar por uma aldeia, os moradores perguntaram-lhe:

- Ó Coelho, que trazes tu às costas?

- Ora, ora, trago penas, penugem e um grande bico - respondeu, a troçar, o Coelho.

O Corvo não gostou que o companheiro o gozasse daquela maneira, saltou logo para o chão e deixaram de ser amigos.

in: Contos Moçambicanos

INLD - 1979

O CÁGADO E O LAGARTO

Num ano em que havia pouca comida, o Cágado pegou o dinheiro que tinha economizado e foi a Nanhagaia onde comprou um saco de milho.

Quando voltava para casa, viu, a certa altura, um tronco de árvore atravessado no caminho. Como não conseguia passar por cima dele, atirou o saco de milho para o outro lado e depois foi dar a volta.

Quando estava a dar a volta, ouviu uma voz a gritar:

- Viva, viva, tenho um saco de milho que caiu lá de cima.

Era o Lagarto, que segurava o saco que o Cágado tinha atirado.

O Cágado protestou:

- Não. O saco é meu. Comprei-o agora e vou levá-lo para casa.

O Lagarto não quis ouvir nada e levou o saco para casa dele, dizendo:

- Eu não o roubei de ninguém. Achei-o. Vou comer o milho porque encontrei o saco.

O Cágado ficou muito zangado mas não podia fazer nada. Cheio de fome, no dia seguinte foi com os filhos ver se encontrava alguma coisa para comer.

A certa altura viram o rabo do Lagarto que saía de dentro de um buraco, só com o rabo de fora.

O Cágado agarrou no rabo e numa faca e preparou-se para o cortar. Depois de cortado, levou-o para casa e comeu-o com os filhos.

O Lagarto que, entretanto tinha conseguido sair do buraco, foi queixar-se ao responsável da aldeia:

- O Cágado cortou-me o rabo. Mande-o chamar para ele dizer porque é que me cortou o rabo.

O responsável convocou o Cágado e perguntou-lhe:

- É verdade que tu cortaste o rabo ao Lagarto?

O Cágado, que era muito esperto, disse:

- É verdade que eu encontrei um rabo perto de um buraco e o levei para casa para comer, mas não era de ninguém. Eu não vi mais nada senão o rabo.

- Mas o rabo era meu - gritou o Lagarto - tens de o pagar.

O Cágado respondeu:

- Não, não pago. Eu fiz o mesmo que tu fizeste ontem. Tu ontem encontraste o meu saco de milho e comeste-o. Eu hoje encontrei o teu rabo e comi-o. Agora estamos pagos.

O responsável achou que ele tinha razão e mandou-os embora.

in: Contos Moçambicanos

INLD - 1979

NENHUM REI É COMO DEUS

Quando um súdito comparece perante o seu rei, é natural que o saúde dizendo: "Que o rei viva para sempre." Uma vez, porém, houve um nobre que, cada vez que vinha a corte, dizia: "Nenhum rei é como Deus." Tantas vezes repetiu esta saudação que o rei ficou enfurecido e conspirou para o destruir. Ofereceu ao homem dois anéis de prata, dizendo-lhe que se tratava de um presente a ser bem guardado, mas na realidade o rei pretendia vingar-se através deles. O homem a quem todos hoje chamam de Nenhum-Rei-Como -Deus, aceitou os anéis e colocou-os dentro de um chifre de carneiro seco e vazio, que deu à mulher para guardar. Uma semana mais tarde, o rei chamou Nenhum-Rei-Como -Deus e enviou-o a uma aldeia distante, para dizer à população que viesse ajudar a construir as muralhas da cidade. Mal o nobre partiu, o rei enviou emissários à mulher, oferecendo-lhe um milhão de cauris (pequenas conchas importadas, usadas como moeda ou como ornamento) e cem vestidos e ornamentos de cabeça, caso ela lhe entregasse aquilo que seu marido lhe confiara. Tentada pelo esplendor dos presentes, a mulher entregou o chifre de carneiro, e quando o rei o abriu viu lá dentro, em segurança, os dois anéis de prata.

Mandou os criados atirá-lo para um lago profundo, que nunca secava. Estes assim o fizeram, mas mal o chifre tocou na água, apareceu um grande peixe que o engoliu. No dia que Nenhum-Rei-Como -Deus regressava a casa, cruzou-se com uns amigos que iam pescar e, tendo ido com eles, acabou por pescar o grande peixe. O filho, enquanto o limpava, bateu com a faca em qualquer coisa dura e chamou o pai para ver. Este retirou o chifre, e quando o abriu viu no interior os anéis de prata que o rei lhe dera para guardar. "Em boa verdade -- disse -- nenhum rei é como Deus!" Ainda estavam a tomar banho quando chegou um mensageiro real convocando o nobre à presença do rei com urgência. O homem perguntou à mulher onde estava o objeto precioso que o rei pusera à sua guarda, ao que ela respondeu que não o conseguia encontrar e que pensava ter sido comido por um rato.

O homem mesmo assim, pôs-se a caminho da corte real. Os outros conselheiros saudaram o rei da forma habitual, dizendo: "Que o rei viva eternamente." Mais o homem mais uma vez disse:"Nenhum rei é como Deus". O rei mandou calar os conselheiros e, avançando para o homem, perguntou: "É verdade que não há nenhum rei como Deus?" O nobre respondeu com firmeza: "É verdade". Então o rei pediu-lhe aquilo que lhe confiara, enquanto os guardas, prevenidos, o cercaram prontos a matá-lo. Mas Nenhum-Rei-Como -Deus, metendo as mãos debaixo do vestido, retirou o chifre e entregou-o ao rei. Este abriu-o e retirou os dois anéis de prata. "Na realidade, não há nenhum rei como Deus", disse, e todos os conselheiros manifestaram a sua aprovação. O rei dividiu então a cidade ao meio, dando metade para Nenhum-Rei-Como -Deus governar.

(Este provérbio: Nenhum rei é como Deus é um dos mais populares na áfrica Ocidental. Pretende demonstrar que Deus é o Ser Supremo, perante o qual todos os homens, sem exceção, devem se curvar. A origem do provérbio é atribuída a história nigeriana da etnia Haúça, registrada acima conforme foi coletada por Parrinder em África)



http://www.emack.com.br/sao/webquest/sp/2004/africa/processo.htm- Acessado em 18/05/2008.

O CRIADOR

Todos ou quase todos os povos africanos acreditam no Ser Supremo, criador de todas as coisas. Um deus supremo é referido num dicionário da língua banta datado de 1650, bem como na descrição da África Ocidental publicada por Bosman em 1705.

Os nomes dados ao Ser Supremo, como é natural, variam muito, devido à diversidade de línguas em toda a África. Nomes há, contudo, que são comuns em vastas áreas. Nas regiões ocidentais, o nome Mulungu é o mais ouvido, tendo sido adotado em cerca de trinta traduções da Bíblia. Na África Central, o nome Leza foi adotado por diversas etnias, e no ocidente dos trópicos até ao Congo encontram-se variações do nome Niambé.

Os povos da África Ocidental têm ainda muitos outros nomes para designar o Ser Supremo: Ngeno, Mavu, Amma, Olurun ou Chuquo.

Deus é o criador, e os mitos que se lhe referem tentam explicar as origens do mundo e da espécie humana. É um ser transcendente, que vive no céu, e para quem as pessoas naturalmente levantam a cabeça, reconhecendo a sua grandeza.

Não existem muitos templos dedicados ao Deus Criador. Isso é explicado pelos africanos idosos e experientes: Deus é demasiado grande para ser contido numa simples casa. O rei Salomão, em sua grande sabedoria já sabia disso: "Mas, de fato, habitaria Deus com os homens na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei." (Bíblia - 2 Cronicas 6.18).

O Deus Supremo é considerado como uma divindade pessoal, em geral benevolente, que se preocupa com as pessoas e não as espanta nem atemoriza. Mais ainda, é muitas vezes um poder residente, que sustenta e anima todas as coisas. Deus sabe tudo, vê tudo, e pode fazer o que quiser. Representa a justiça, recompensando os bons e punindo os maus.

Como criador, é responsável pelo aparecimento de todas as coisas e pelos costumes dos povos. Na sua qualidade de moldador, deu forma a todas as coisas, tal qual fazem as mulheres ao confeccionarem potes de barro. Colocou os objetos lado a lado, construiu tudo o que existe, como faz o homem que constrói a casa.

Como o Ser Supremo vive no céu, preocupa-se com a chuva, sem a qual os homens não podem viver. Quando a chuva começa a cair, a agradável frescura que daí resulta é descrita como "Foi Deus que amaciou o dia".

O arco-íris é freqüentemente referido como o "arco de Deus", que na ocasião atua como um caçador.

Alguns dos nomes dados a Deus nos rituais, provérbios e mitos africanos revelam o que o homem pensa sobre seu caráter e atributos. Primeiro que tudo, ele é o Criador, o escultor, o Doador do Sopro e da Alma, o Deus do Destino. O seu trabalho na natureza reconhece-se em títulos como Doador da Chuva e do Sol, O que Traz as Estações, O que Troveja, O Arco do Céu, O Acendedor de Fogos. A grandiosidade divina é indicada por nomes como: O Mais Antigo, O Iluminado, O que faz Curvar até os Reis, O que Dá e faz Apodrecer, O que Existe por Si, O que se Encontra em Todo Lado.

A providência divina também lhe confere nomes: Pai das Crianças, Grande Mãe, O maior dos Amigos, O Gentil, Deus da Misericórdia e do Conforto, A Providência que tudo Vigia como o Sol, Aquele em quem os Homens se Apóiam para Nunca Cair. Por fim, são-lhe dados nomes misteriosos e enigmáticos: O GRande Oceano Cujo Penteado é o Horizonte, O Grande Lago Contemporâneo de Todas as Coisas, O que Está para Além de Todos os Agradecimentos, O Inexplicável, O Furioso, A Grande Aranha.

(Texto adaptado do livro África, de Geoffrey Parrinder)

A CRIAÇÃO DO MUNDO

No princípio, o Deus único criou o Sol e a Lua, que tinha a forma de cântaros, a sua primeira invenção. O Sol é branco e quente, rodeado por oito anéis de cobre vermelho, e a Lua, de forma idêntica tem anéis de cobre branco. As estrelas nasceram de pedras que Deus atirou para o espaço. Para criar a Terra, Deus espremeu um pedaço de barro e, tal como fizera com as estrelas, arremessou-o para o espaço, onde ele se achatou, com o Norte no topo e o restante espalhado em diferentes regiões, à semelhança do corpo humano quando está deitado de cara para cima.

(Mito africano de origem Dogon reveladas por um velho cego, Ogotemmêli, escolhido pela tribo para contar aos seus amigos europeus os segredos da mitologia dos Dogons, relatado por Parrinder em África)

A CABAÇA UNIVERSAL

A cabaça é um fruto do gênero do melão ou da abóbora, cuja casca grossa o torna útil para os homens, depois que se lhe retirar a polpa macia. Serve como jarro de água ou, se for cheio com sementes secas, dá para chocalho musical. Em alguns templos colocam uma cabaça redonda cortada ao meio horizontalmente, para receber pequenas oferendas ou objetos simbólicos. O fruto é muitas vezes decorado com gravuras, em ambas as metades, com enorme variedade de desenhos bem como figuras de seres humanos, animais e répteis.

Em Abomei, O Universo é considerado como uma esfera semelhante à cabaça redonda, e o horizonte fica nos bordos da união das metades do fruto. É aí que céu e mar se juntam, num local hipotético inacessível ao homem. A terra é considerada plana, flutuando dentro da grande esfera, tal como uma cabaça pequena pode flutuar dentro da maior. Dentro da esfera estão as águas, não só no horizonte como por debaixo da Terra. Este aspecto particualr é explicado pelo fato de que se alguém fura o solo sempre descobre água, de modo que esta tem de rodear toda a terra. O Sol, a Lua e as estrelas movem-se na metade superior da cabaça.

Quando Deus criou todas as coisas, a sua primeira preocupação foi formar a Terra, fixando os limites das águas e unindo bem os bordos da cabaça. Uma cobra divina enrolou-se à volta da Terra, para agregar e manter firme, e levou Deus a vários lugares, estabelecendo a ordem e sustentando todas as coisas com os seus movimentos essenciais.

(Mito africano de origem Abomei antiga capital da República Popular de Benin, registrado por Parrinder em África)

O CELEIRO DO MUNDO

Quando Deus criou a Terra, serviu-se de um punhado de argila que amassou muito bem antes de a lançar para o espaço, onde se espalhou de norte a sul e de leste a oeste. Deus utilizou a mesma técnica para criar as estrelas, servindo-se desta vez, de bolinhas mais pequenas, que começaram a cintilar quando as projetou em todas as direções. Depois, aperfeiçoou a sua arte para formar o Sol e a Lua, enormes bolas de argila envolvidas numa espiral de cobre vermelho ou branco incandescente.

Terra era deserta e árida: Deus enviou-lhe a chuva para a tornar fértil. Em seguida, uniu-se ao novo planeta para gerar os seres vivos que o povoariam. O primeiro filho foi um chacal feroz e os seguintes foram gêmeos meio homem, meio serpentes.

Decepcionado, Deus retomou a técnica da olaria e moldou quatro homens e quatro mulheres de argila, os quais foram enviados para a Terra.

A missão dos oito primeiros seres humanos era simples: criar uma descendência numerosa e ensinar técnicas aos homens. A vida terrestre destes antepassados devia ter sido eterna, mas, passado algum tempo, Deus chamou-os para junto dele. Regressaram, pois, ao Céu, onde Deus os proibiu de se encontrarem, pois receava vê-los a discutir. A fim de poder matar a fome, deu a cada um deles sementes de oito plantas comestíveis, como o milho, o arroz e o feijão; a última planta, a digitária, era tão pequena e tão pouco prática de preparar que o primeiro dos oito antepassados jurou nunca comer.

Ora, acontece que todas as sementes se esgotaram, exceto uma: a minúscula digitária. O primeiro antepassado decidiu-se, então, a consumir esta última semente. Tendo rompido o juramento, tornou-se indigno de permanecer no Céu. Preparou, pois, o regresso à Terra.

O primeiro antepassado recordou-se então do estado miserável em que viviam os homens que abandonara à superfície da Terra: como formigas, habitavam galerias escavadas no chão; não possuíam nenhum utensílio, só conheciam o fogo e, além disso, teriam tido muita dificuldade em trabalhar, pois seus membros, como os dos antepassados, eram desprovidos de articulações e moles como serpentes. Antes de abandonar o Céu, reuniu, portanto, tudo o que considerou útil para os homens. Em primeiro lugar, um macho e uma fêmea de espécies desconhecidas na Terra: galinhas, galos, carneiros, cabras, gatos, cães e até mesmo ratos e ratazanas; entre os animais selvagens, escolheu os antílopes, as hienas, os gatos bravos, os macacos, os elefantes; pensou também nas aves, nos insetos e nos peixes. Ocupou-se igualmente do mundo vegetal, começando pelo baobá, e, naturalmente, não se esqueceu das oito sementes comestíveis que tão bem conhecia. Por fim, pretendia levar aos homens um fole, um martelo de madeira e uma bigorna, para os ensinar a fabricar instrumentos. Tudo isso era pesado e volumoso, mas ele teve uma idéia.

Com "terra de céu", construiu uma pirâmide truncada, cuja base era circular e o topo quadrado. No interior, ordenou oito compartimentos, nos quais guardou as sementes comestíveis. Nas paredes do edifício, escavou quatro escadas, nas quais dispôs os animais e as plantas. Em seguida, espetou no cimo da pirâmide uma flecha, à volta da qual enrolou um fio. Prendeu a outra extremidade do fia a uma segunda flecha, que enviou para a abóboda celeste. Faltava-lhe fazer o mais perigoso: subtrair aos ferreiros do céu um pedaço de sol, a fim de levar o fogo aos homens. Introduziu-se na oficina dos ferreiros e, utilizando uma haste encurvada, apoderou-se de algumas brasas e de um fragmento de ferro incandescente, que ocultou no fole. Por fim, lançou seu curioso edifício para o vazio, ao longo de um arco-íris: enquanto o fio se desenrolava como uma serpentina, o antepassado mantinha-se de pé, pronto para se defender dos perigos do espaço.

O ataque veio do céu. Furiosos, os dois ferreiros atiraram archotes acesos sobre o ladrão de fogo, obrigando-o a proteger-se com a pele de carneiro que envolvia o fole. Contudo, o edifício descia cada vez mais depressa, deixando no seu rastro um feixe de estrelas...

A aterragem foi violenta: o antepassado perdeu o equilíbrio, a bigorna e o martelo quebraram-lhe os membros frágeis, criando as articulações de que tanto carecia. Observou-se imediatamente a mesma transformação no corpo de todos os homens. O antepassado delimitou então, o primeiro campo, construiu a primeira aldeia e a primeira forja. Em seguida, ensinou os homens a cavar com uma enxada. Os outros sete antepassados juntaram-se-lhe, possuindo cada um deles o segredo de várias técnicas, como o fabrico de sapatos ou de instrumentos musicais.

(Mito africano de origem Dogon citado por Ragache em A Criação do Mundo - Mitos e lendas)

PORQUE É QUE OS CÃES SE CHEIRAM UNS AOS OUTROS

Há muito tempo, quando os cães ainda não tinham sido domesticados pelo homem, viviam organizados em dois países. Cada país tinha um chefe e cada chefe gabava-se de ser mais poderoso que o outro.

Um desses chefes quis um dia casar com a irmã do outro. Mas, como eles estavam sempre zangados, o outro respondeu:

- Não. Não quero que sejas o marido da minha irmã.

O chefe que queria casar ficou furioso, porque gostava muito da irmã do outro chefe. Por isso mandou um dos seus servidores à terra do outro para lhe dizer:

- Se me recusas a tua irmã eu vou aí com o meu exército e destruo tudo.

Quando o servidor se preparava para partir, os conselheiros do chefe viram que ele estava todo sujo. Não tinha lavado a cara e tinha a cauda muito suja.

Ora era costume naqueles países uma pessoa ir limpa e bem apresentada quando ia à terra dos pais da noiva pedir-lhes a filha em casamento. Por isso perguntaram-lhe:

- Como se compreende que não te tenhas lavado?

Ele ficou muito envergonhado e os conselheiros encarregaram outros servidores de o lavarem muito bem e de lhe deitarem perfume na cauda para que ele cheirasse bem.

Quando o mensageiro ia pelo caminho, sentia-se muito vaidoso por ir tão limpo e com a cauda perfumada. Por isso esqueceu-se do que ia fazer. Começou a procurar uma esposa para ele próprio e desapareceu sem cumprir a sua tarefa até hoje.

É por isso que, desde essa altura, os cães andam todos sempre muito ocupados a cheirar a cauda uns dos outros para ver se encontram o mensageiro que desapareceu.

in: Contos Moçambicanos

INLD - 1979

O GATO E O RATO

O Gato e o Rato tornaram-se amigos. Um dia combinaram fazer uma viagem a uma terra distante. Pelo caminho tinham de atravessar um rio.

- Por onde passaremos? - perguntou o Gato. - O rio leva muita água.

O Rato respondeu:

- Não faz mal. Fazemos um barco.

O Gato concordou e logo ali os dois colheram uma grande raiz de mandioca e fizeram um barco com ela. Meteram o barco na água, entraram para ele e começaram a atravessar o rio.

Pelo caminho começaram a ter fome e repararam que não tinham levado comida.

O Gato perguntou então:

- O que é que nós havemos de comer?

- Não te preocupes, amigo Gato, porque podemos comer o nosso próprio barco.

E os dois começaram a comer o barco. O Gato pouco comeu porque a mandioca não lhe sabia bem, mas o Rato comeu, comeu, comeu até que acabou por furar o barco, que foi ao fundo.

O Gato e o Rato tiveram que nadar até à margem, mas, enquanto o Rato nadava bem e depressa, o Gato que mal sabia nadar, só com muita dificuldade e muito envergonhado é que conseguiu chegar a terra.

O Gato olhou então para o Rato e viu que ele estava com a barriga bem cheia por causa da mandioca, enquanto ele continuava cheio de fome. Por isso lembrou-se de comer o Rato.

- Sinto muita fome, Rato. Vou ter de te comer.

- Está bem - disse o Rato espertalhão - mas olha que eu estou muito sujo. É melhor ir primeiro lavar-me. Espera aí.

O Rato afastou-se e desapareceu. O Gato ainda hoje está à espera.

In: Contos Moçambicanos

INLD - 1979

O Elefante, escravo do Coelho

Uma vez, o Coelho andava a passear e encontrou um grande ajuntamento de animais sentados à sombra de uma árvore.

Cheio de curiosidade, quis logo saber do motivo daquela reunião e perguntou:

- Então o que é que se passa? Que novidades há por aqui?

Um dos animais explicou:

- Trata-se de um milando e estamos à espera do Elefante, o nosso chefe, para o resolver.

- O quê?... O quê?... O Elefante vosso chefe? - perguntou o Coelho, franzindo a testa.

E continuou:

- O Elefante não é chefe nenhum! O Elefante é meu escravo e leva-me sempre às costas a qualquer parte que eu queira!

Alguns do grupo admiraram-se:

- Como pode o Elefante ser teu escravo se tu és tão pequeno?

- O ser pequeno nada tem a ver com o meu valor - replicou o Coelho.

E, em tom autoritário, acrescentou:

- Já vos disse e torno a dizer que o Elefante não é chefe, é meu escravo, e por isso, vocês podem ir embora daqui, que nesta coisa de resolver milandos ele não tem nada que se meter.

Dito isto, o Coelho dirigiu os passos para sua casa e muitos dos animais foram-se também embora dali por terem acreditado nas suas palavras.

Algum tempo depois, chegou o Elefante e perguntou:

- Então onde estão os outros que aqui faltam? Atrasaram-se na viagem?

- Não! - explicaram-lhe os poucos animais que lá tinham ficado. - Os que aqui faltam foram-se embora há pouco tempo, porque passou neste lugar o Coelho e disse-nos que tu, Elefante, não és chefe, mas sim, um escravo dele.

O Elefante tremeu todo de indignação e, muito furioso, resmungou:

- Ah, Coelho malandro! Coelho vigarista!... Deixa lá que, hoje mesmo, me darás conta de palavras tão injuriosas e tão vis!...

Entretanto, o Coelho chegou a casa e fingiu-se doente. A mulher, cheia de pena, foi estender uma esteira e o Coelho deitou-se nela.

Daí a momentos chegou a Impala, que era cunhada do Coelho, avisando-o de que o Elefante já se aproximava para lhe fazer mal. E, transmitido o recado, retirou-se.

O Coelho, manhoso, entrou então em grandes convulsões, soltando, ao mesmo tempo, gemidos tão lastimosos que era mesmo de partir o coração.

Chegou o Elefante que se pôs a roncar, muito mal disposto:

- Ó Coelho, ó malandro, salta depressa cá para fora, que tens de me acompanhar.

O Coelho murmurou, a gemer e entrecortando as palavras:

- Oh! Por... fa...vor! Des...cul...pe-me... porque eu... não... es...tou... bom!... dói-me mui...to... o cor...po to...do! Isto foi... um mal que me deu de re...pen...te...

- Não quero saber! Seja como for, tens de vir comigo ao lugar onde estão reunidos os outros animais, porque ouvi dizer que tiveste o descaramento de enxovalhar o meu título de chefe e de dizer que eu sou teu escravo - replicou o Elefante.

- Tens to...da a ra...zão... mas o cer...to é que eu... não aguen...to ca...mi...nhar... para te po...der... acom...pa...nhar!

- Já te disse, tens de vir comigo, custe o que custar, mesmo que eu tenha de te levar às costas - ordenou o Elefante.

- Então só se for desse mo...do, mas fi...ca... sa...ben...do que mes...mo assim a via...gem me vai ser muito... pe...no...sa.

E, logo a seguir, chamou a mulher e disse, chorosamente:

- Dá cá a minha ca...mi...sa nova. Hi... Hi... Hi... Hi... vai tam...bém bus...car as minhas cal...ças no...vas.

E, depois:

- Já a...go...ra, traz tam...bém os meus sa...pa...tos no...vos! É que po...de a...con...te...cer que eu morra e, ao me...nos, que...ro morrer com os meus tra...jes mais ricos.

Uma vez o Coelho vestido e calçado, o Elefante abaixou-se e o Coelho saltou-lhe para as costas, onde se instalou muito bem instalado.

Estava um calor de rachar pedras. Antes de partir, o Coelho gritou para a mulher:

- Ó mulher, dá-me cá a sombrinha porque está muito calor... e posso agravar os meus males com alguma insolação.

O Elefante, em grandes e rápidas passadas, pôs-se a caminho da reunião.

Quando se aproximavam do lugar, o Coelho, deixando de fingir que estava doente, ensaiou uma atitude de pessoa importante e esboçou um sorriso feliz.

Os outros animais ao verem o Coelho assim todo solene e bem apresentado, às costas do Elefante, começaram todos com grandes exclamações:

- Olha! Olha!.. Sempre é verdade o que o Coelho dizia. O Elefante é escravo dele... pois que o traz às costas.

Quando o Elefante parou, o Coelho deu um salto, muito ágil e elegante, para o chão e, tomando a palavra, dirigiu-se assim aos outros animais:

- Estão a ver?... Estão a ver?... Eu não vos dizia que o Elefante é o meu escravo?

Todos os animais presentes romperam em grande gritaria, clamando:

- É verdade, sim senhor, é verdade. Tu, Elefante, não és chefe nenhum!... És escravo do Coelho pois o carregas às costas.

O Elefante só então deu pelo ato de estupidez que cometera e, cheio de vergonha, desandou dali para fora.

in: Contos Moçambicanos

INLD - 1979

O CARACOL E A IMPALA

Uma Impala, muito vaidosa da sua agilidade e da rapidez com que corria, encontrou um Caracol e começou a fazer pouco dele:

- Ó Caracol, tu não és capaz de correr. Que vergonha, só és capaz de te arrastar pelo chão.

O Caracol, que era esperto, resolveu enganar a Impala. Por isso desafio-a:

- Vem cá no próximo domingo e vamos fazer uma corrida por esta estrada, desde aqui até ao rio.

- Uma corrida comigo? - perguntou, espantada, a Impala. - Está bem, cá estarei.

E afastou-se a rir, pensando que o Caracol era maluco por querer correr com ela.

O Caracol, entretanto, como tinha ido à escola e sabia ler e escrever, escreveu uma carta a todos os caracóis amigos dele que moravam ao longo da estrada até ao rio. Nessa carta ele dizia aos amigos para, no domingo, estarem junto à estrada e, quando passasse a Impala, se ela chamasse pelo Caracol, eles responderem: "Cá estou eu, o Caracol."

No domingo, a Impala encontrou-se com o Caracol e, a rir muito, disse-lhe:

- Vamos lá então correr os dois e ver quem chega primeiro ao rio.

O Caracol deixou-a partir a correr e escondeu-se num arbusto. A Impala corria e, de vez em quando, gritava:

- Caracol, ó Caracol, onde é que tu estás?

E havia sempre um dos amigos do Caracol que estava ali perto e respondia:

- Cá estou eu, o Caracol.

A Impala, que julgava ser sempre o mesmo Caracol que ia a correr com ela, corria cada vez mais, mas havia em todos os momentos um Caracol para responder quando ela chamava.

De tanto correr, a Impala acabou por se deitar muito cansada e morrer com falta de ar.

O Caracol ganhou a aposta porque foi mais esperto que a Impala e tinha ido à escola junto com os outros caracóis e todos sabiam ler e escrever. Só assim se puderam organizar para vencer a Impala.

in: Contos Moçambicanos

Questionário para Diagnóstico de Alfabetização

Unidade:___________________________________________________________


Professor:_________________________

Série:____________________________

Aluno(a):__________________________________________________________



Questionário para Professores



1. Interesse na aprendizagem:

( ) recusa-se a aprender.

( ) tenta realizar, mas não corresponde ao solicitado.

( ) participa quando solicitado, sob pressão, errando muito.

( ) participa quando solicitado, sob pressão,correspondendo ao esperado.

( ) Interessa-se pelo conteúdo oferecido, participando com exemplos.



2. Atenção/concentração na sala de aula:

( ) dispersa-se o tempo todo, não realizando as atividades.

( ) dispersa-se facilmente, realizando sob pressão só o início das atividades.

( ) realiza as atividades, quando solicitado, mas cometendo muitos erros.

( ) realiza as atividades, quando solicitado, acertando-as.

( ) tem atenção espontânea às ordens, realizando as atividades do começo ao fim.



3. Leitura de palavras:

( ) não lê nada.

( ) tenta ler, mas comete erros que impedem a compreensão.

( ) lê as palavras, cometendo erros, mas compreende o significado.

( ) lê corretamente as palavras, mas com segmentação silábica, perdendo velocidade.

( ) lê corretamente as palavras, em velocidade equivalente à classe.



4. Leitura de textos simples:

( ) não lê nada.

( ) tenta ler, mas comete erros que impedem a compreensão.

( ) lê as palavras, cometendo erros, mas compreende o significado do texto.

( ) lê corretamente as palavras, mas com segmentação silábica, perdendo velocidade.

( ) lê corretamente o texto, em velocidade equivalente à classe.



5. Interpretação de textos simples:

( ) não responde as questões, ou apenas copia partes do texto.

( ) responde aleatoriamente as perguntas, sem compreender o significado.

( ) responde as questões com frases mal estruturadas, comprometendo o significado

( ) responde as questões com alguns erros, mas adequadamente.

( ) responde corretamente as questões, sem erros, com adequação e clareza.



6. Ditado de palavras:

( ) não acerta quase nada.

( ) erra cerca da metade das palavras.

( ) comete alguns erros de trocas de letras que comprometem a compreensão.

( ) acerta as palavras, com erros ortográficos, que não comprometem a compreensão.

( ) acerta todas as palavras.



7. Cópia da lousa:

( ) recusa-se a copiar.

( ) copia com erros de trocas de linhas, omissões, aglutinações, etc., que comprometem a inteligibilidade.

( ) copia com erros de trocas de linhas, omissões, aglutinações, mas que não chegam a comprometer a inteligibilidade.

( ) copia sem erros, mas com velocidade abaixo da classe.

( ) copia sem erros e em velocidade equivalente à classe.

Testes de Piaget para crianças de 8/9 anos.

Aplicar provas espaciais: construção horizontal, vertical e coordenação do espaço bidimencional.

Relembrando que não se deve aplicar várias provas de conservação em uma mesma sessão, para evitar a contaminação da forma de resposta.

1º Grupo: Conservação.

1. Conservação da quantidade de matéria.

2. Conservação do comprimento.

3. Conservação de superfície.

4. Conservação de pêso.

2º Grupo: Classificação.

1. Dicotomia ou mudança de critério.

2. Quantificação da Inclusão de classes.

3. Intersecção de classes.

3º Grupo: Seriação.

1. Seriação de bastonetes



1ª Sessão: Aplicar:

1. Seriação de bastonetes

2. Intersecção de classes.

3. Conservação de pêso.

4. Quantificação da Inclusão de classes.

5. Conservação de superfície.

6. Dicotomia ou mudança de critério.

7. Conservação do comprimento.

8. Conservação da quantidade de matéria.





Conjunto de Testes: Provas de Seriação

1º TESTE:

SERIAÇÃO DE BASTONETES

I – MATERIAL :uma série de 10 bastonetes graduados de 16 a 10 cm com a diferença de um para outro de 0.6 cm; um anteparo. (utilizar a placa emborrachada da prova de intersecção, com o verso voltado para o examinando)

II – DESENVOLVIMENTO:

O examinador dá à criança os 10 bastonetes em desordem para que tome conhecimento do material.

• 2.a. Seriação a descoberto: “Você vai fazer uma escadinha com todos esses pauzinhos, colocando-os em ordem do menor para o maior”. Se a criança não conseguir, o examinador pode, eventualmente, fazer a demonstração de uma série inicial com 3 pauzinhos. É importante registrar a ordem em que a criança escolhe cada pauzinho e como faz cada escolha e a configuração final. Anotar o processo de realização.

• 2.b. Verificação da exclusão: Se o sujeito acertar a seriação a descoberto, o examinador pode pedir que feche os olhos e, ao abri-los, descubra o local, a posição, em que estava o bastonete retirado pelo examinador da “escadinha” feita pelo sujeito.

• 2.c. Seriação oculta atrás do anteparo: Se o sujeito acertou a seriação pode-se fazer também de outra forma: “Agora sou eu que vou fazer a escadinha atrás dessa placa (anteparo); você vai me dando os pauzinhos um a um, e eu vou colocando aqui, na ordem fazendo a escada. Registra-se a maneira de escolher e a ordem que ele deu ao examinador.

1. SERIAÇÃO

1.1. Seriação de palitos



Materiais:



 10 palitos com aproximadamente 1cm de largura com uma diferença de 0,6mm de altura entre um e outro, sendo que o primeiro tem aproximadamente 11,5cm.





III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS :

a) Ausência de Seriação - (aproximadamente 3-5 anos) Nível 1 – O sujeito fracassa nas suas tentativas de ordenar.

- ausência de séries (3-4 anos) a criança não entende a proposta e coloca os bastões em qualquer ordem, justapondo–os;

- esboço de séries (4-5 anos) a criança faz tentativas diversas; pares (grandes e pequenos), série de 3 ou 4 bastões , mas não coordena as diferentes série entre si, ou não consegue intercalar os outros;

- faz uma escada sem considerar o tamanho dos bastões, mas só arrumação da parte superior imitando uma escadinha.

b) Conduta Intermediária (aproximadamente 5-6 anos) – Nível 2 – Em que o sujeito vai por ensaio e erro compondo a série; compara cada bastão com todos os demais até achar o que serve. É uma seriação intuitiva por regulações sucessivas.

c) Êxito Obtido por Método Operatório (aproximadamente 6-7- anos) – Nível 3 – O sujeito com facilidade antecipa a escada fazendo metodicamente a sua construção, colocando primeiro os bastões menores e a seguir, em graduação, até o final. Neste nível faz a descoberta, atrás do anteparo, exclui bastões e constrói espontaneamente a linha de base.

IV – ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS:


Conjunto de Testes: Provas de Classificação

2º TESTE:

INTERSECÇÃO DE CLASSES

I – MATERIAL: 3 espécies de fichas do mesmo material e tamanho sendo: 5 redondas de uma cor, 5 redondas de outra e 5 quadradas da mesma cor das segundas, 1 placa emborrachada com 2 círculos desenhados, que se entrecruzam delimitando 3 partes das quais uma é comum aos 2 círculos(Diagrama de Venn)

II – DESENVOLVIMENTO:

• 1. O examinador dispõe as fichas nos círculos em intersecção, sendo que as redondas que têm a mesma cor dos quadrados devem ficar na área de intersecção (exemplo abaixo). Pede que a criança observe a disposição, descreva as fichas e pergunta: “Por que você acha que eu pus estas redondas no meio?”

• 2. Perguntas feitas pelo examinador:

a. Há mais fichas desta cor ou daquela?

b. Há mais fichas quadradas ou redondas?

c. Há a mesma coisa, mais ou menos fichas redondas do que fichas desta cor? (pergunta de intersecção)

d. Há a mesma coisa, mais ou menos fichas quadradas do que fichas desta cor? (pergunta de intersecção)

Após cada resposta da criança, o examinador diz: “Como é que você sabe?” “Você pode me mostrar?”. Caso a criança não responda às perguntas principais, são feitas perguntas suplementares: “O que é que tem no círculo da esquerda?” “Mostre. E no da direita?”

2. Intersecção de classes



Materiais:



 5 círculos azuis de 2,5cm de diâmetro

 5 círculos vermelhos também de 2,5cm de diâmetro

 5 quadrados vermelhos de 2,5cm de lado

 1 folha de cartolina ou papel E.V.A. com dois círculos em intersecção, sendo que um preto e outro amarelo.



Obs.: os 5 círculos devem poder entrar na intersecção



III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS (aproximadamente desde 4-5 anos)

1. As perguntas feitas sobre classes separadas são respondidas com acerto. As de inclusão e intercessão não são compreendidas nessa faixa de idade. As perguntas suplementares também revelam erros. Nível 1.

2. A partir de 6 anos a criança faz acertos nas perguntas suplementares, mas hesita nas respostas de inclusão e intercessão, faz repetições e pode dar algumas respostas corretas. Nível 2.

3. Crianças a partir de 7-8 anos dão respostas corretas desde a primeira vez. Nível 3.

IV – ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS:


Conjunto de Testes: Provas de Conservação

3º TESTE:

CONSERVAÇÃO DE PESO

I –MATERIAL: 2 bolas de massa plástica de cores diferentes( as mesmas utilizadas na prova de conservação de quantidade de massa).

OBS: Não há necessidade, para a realização da prova, que exista uma balança concreta. Por isso nosso kit não a contém. Além disso, balanças de dois pratos já não fazem parte do universo significativo das novas gerações, na medida em que atualmente as balanças eletrônicas é que são utilizadas no comércio em geral.

II – DESENVOLVIMENTO: O examinador verifica se a criança conhece as relações de peso , usando as duas mãos , com objetos diversos (pedra, apontador, bolas de massa, etc.) e vai sempre perguntado se um objeto pesa mais do que o outro, o que acontece com a mão que o sustenta , etc... O examinador pede que a criança faça duas bolas que tenham o mesmo peso.

1ª Transformação: O examinador transforma uma das bolas em salsicha e finge que iria pesá-las, falando: “Você pensa que a salsicha pesa a mesma coisa que a bola ou será que uma pesa mais que a outra? Como é que você sabe?”

Contra- argumentação: O examinador provocará uma reação da criança, afirmando sempre o contrário de sua resposta. Falará como nas provas anteriores.

Retorno empírico: O examinador procederá como nas provas anteriores

2ª Transformação: Transforma–se a mesma bola em uma mini-pizza e procede-se como na 1ª transformação quanto à contra–argumentação e ao “retorno empírico”.

3ª Transformação: Fragmenta-se a mesma bola em 8 a 10 pedaços e procede-se como nas outras transformações, realizando também a contra–argumentação e o “retorno empírico”.

3. Conservação de peso

Materiais:



 2 massas de modelar de cores diferentes cada uma, cujo tamanho possa fazer 2 bolas de aproximadamente 4cm de diâmetro.



 1 balança com dois pratos cuja leitura seja pela posição dos braços.



Igualdade inicial:

Modificação

do elemento experimental

(alargamento)







Modificação do elemento experimental

(achatamento)





Modificação do elemento experimental (partição)





III – PROCEDIMENTOS AVALIVOS:

1. Condutas não- conservativas (até aproximadamente 6-7 anos) – Nível 1

Em cada uma das transformações um dos pesos é julgado mais pesado que o outro. As condutas não conservativas das crianças são semelhante às das provas anteriores nos julgamentos, nas contra-argumentações e no “retorno empírico.”

2. Condutas Intermediárias – Nível 2

Os julgamentos das crianças vacilam entre conservação e não- conservação aparecendo de diferentes maneiras, com condutas semelhantes às provas anteriores de conservação.

3. Condutas Conservativas (aproximadamente a partir de 8 anos)

Em todas as transformações os pesos são julgados iguais. A criança é capaz de dar um ou vários argumentos (identidade, reversibilidade e compensação) mantendo o seu julgamento apesar das contra- argumentações.

IV – ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS:

Conjunto de Testes: Provas de Classificação

4º TESTE:

QUANTIFICAÇÃO DA INCLUSÃO DE CLASSE

I – MATERIAL: 1 ramo de flores de duas espécies, sendo que uma delas existe em maior quantidade do que a outra. Ex. 10 rosas e 3 ou 4 margaridas

II – DESENVOLVIMENTO:

1. O examinador verifica se a criança conhece o nome das flores e se conhece o termo genérico “flores”: “Você conhece o nome de outras flores? Quais?”

2. Perguntas :

• -Pergunta 1: “Nesse ramo, há mais rosas ou mais flores?” Após a resposta: “Como você sabe? Você pode me Mostrar?”

• -Pergunta 2: “Conheço duas meninas que querem fazer raminhos. Uma faz um ramo com as rosas. Depois ela desmancha e me devolve as rosas. A outra, faz seu ramo com as flores. Qual foi o ramo maior?”

• -Pergunta 3a. “Se eu dou para você as rosas, o que fica no ramo?”

• -Pergunta 3b.“Se eu dou para você as flores, o que sobra no ramo?”

• -Pergunta 4. “Eu vou fazer um ramo com todas as rosas e você vai fazer um ramo com todas as flores. Quem vai fazer o ramo maior? Como é que você sabe?”

4 Quantificação de Inclusão de classes



Materiais:



Com flores:

- 10 margaridas

- 3 rosas vermelhas



Com animais

- 10 coelhos ou outra espécie

- 3 camelos ou outra espécie



Pode-se fazer também com:

- 10 carros

- 3 ônibus







III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS:

1.Ausência de Quantificação inclusiva (até aproximadamente 5-6 anos) – Nível 1

A criança faz sistematicamente a comparação das duas subclasses e reponde então que há mais margaridas do que flores. Costuma errar sobre a subtração de subclasse (perguntas 3a e 3b.)

2.Condutas Intermediárias – Nível 2

Observa-se hesitação na resposta à pergunta 1. Às vezes responder: “É a mesma coisa”. Nesse nível as perguntas 3a. e 3b. são respondidas corretamente.

3.Existência da Quantificação inclusiva (aproximadamente a partir 7-8 anos) – Nível 3

A criança responde corretamente a todas às perguntas.

IV – ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS:
Conjunto de Testes: Provas de Classificação

5º TESTE:

CLASSES – MUDANÇA DE CRITÉRIO (DICOTOMIA)

I-MATERIAL: fichas de figuras geométricas (material emborrachado):6 círculos de diâmetro de 25mm (pequenos) de uma cor e 6 de outra cor ; 6 círculos de diâmetro de 50mm (grandes) de uma cor e 6 de outra cor ; 6 quadrados de 25mm de lado (pequenos) de uma cor e 6 de outra cor; 6 quadrados de 50mm (grandes) de uma cor e 6 de outra cor . O material é formado por duas cores distintas.

II – DESENVOLVIMENTO:

1. O examinador coloca as fichas em desordem sobre a mesa e pede que a criança as descreva: “Você pode me dizer o que está vendo?”

2. Classificação espontânea: “Você pode pôr juntas todas as fichas que combinam?” “Ponha juntas todas que são iguais...” “Ponha juntas as que têm alguma coisa igual ...as que se parecem muito”. Após a criança terminar: “Você pode me explicar por que colocou assim?”

3a. Dicotomia: “Agora gostaria que você fizesse apenas 2 grupos (ou 2 montinhos ou 2 família) e os colocasse separados sobre a mesa.” Após o término: “Por que você colocou todas essas fichas juntas? É aquelas? Como a gente poderia chamar esse monte aqui? E aquele outro?”

3b. 1ª mudança de critério: “Será que você poderia arrumar em 2 grupos (montes) diferentes?” Se a criança repetir o 1o critério: “Você já separou desse modo. Você pode descobrir um outro modo (critério) de separar em 2 grupos ?” Se for preciso, o experimentador inicia, ele mesmo, uma nova classificação e pede a criança para continuar. Procede-se em seguida, como em 3a.

3b. 2ª mudança de critério: “será que você ainda pode separar de um modo diferente fazendo 2 grupos novos?” Procede-se em seguida como em 3a e 3b.

5. Mudança de critério - Dicotomia

Materiais:

 5 círculos vermelhos de 2,5cm de diâmetro.

 5 círculos azuis de 2,5cm de diâmetro.

 5 círculos vermelhos de 5cm de diâmetro.

 5 círculos azuis de 5cm de diâmetro.

 5 quadrados vermelhos de 2,5cm de lado.

 5 quadrados azuis de 2,5cm de lado.

 5 quadrados vermelhos de 5cm de lado.

 5 quadrados azuis de 5cm de lado.

 2 caixas planas de mais ou menos 4 a 5cm de altura e uns 12cm de lado.









Material

Classificação por cores sem caixa

Classificação por cores usando a caixa

Classificação por formas usando a caixa

Classificação por tamanho usando a caixa



III- PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS

1.Coleções Figurais (desde 4-5 anos ) Nível 1

As crianças arrumam as fichas estruturando figuras de trens, casas, bonecos, etc. Podem também arrumar as fichas que tenham alguma semelhança, mudando sempre de critério e não utilizando todas.

1. Início de classificação (aproximadamente 5-6 anos) Nível 2

As crianças conseguem fazer pequenos grupos não figurais, segundo diferentes critérios, mas são coleções justapostas, sem ligação entre si: “É o monte das bolas vermelhas grandes, das bolas pequenas vermelhas, dos quadrinhos vermelhos” , etc. Num desenvolvimento maior, as crianças podem conseguir um começo de reagrupamento dos subgrupos em classes gerais, sem conseguirem uma antecipação de critérios.

2. Dicotomia segundo os 3 critérios – Nível 3

As crianças iniciam a tarefa já antecipando as possibilidades; conseguem fazer e recapitular corretamente duas dicotomias sucessivas, segundo 2 critérios, o 3º critério só sendo descoberto com incitação do examinador. Num desenvolvimento maior, os 3 critérios são antecipados e utilizados espontaneamente.

Provas Operatórias de Piaget

De acordo com Denise da Cruz Gouveia : “As provas piagetianas constituem um dos instrumentos mais utilizados no Diagnóstico Psicopedagógico. Elas têm a função de ser um parâmetro do desenvolvimento cognitivo. No entanto, é nas defasagens que se apresentam nos resultados dessas provas, que podemos obter os dados que nos põem na pista da compreensão dos problemas de aprendizagem.

Podemos dizer que as defasagens na produção da criança configuram o seu problema de aprendizagem. Poder perceber essas defasagens e onde elas estão é o primeiro passo no diagnóstico. O segundo é poder compreender o que elas dizem da subjetividade da criança que as apresenta.

Vejamos, pois, o que podemos pensar quando nos deparamos com defasagens nas operações lógicas de classificação ou de seriação em contraposição a um nível de conservação de acordo com o esperado para a idade da criança.

Por exemplo, uma criança de nove anos que apresenta conservação de peso, mas apresenta um nível pré-operatório nos seus critérios de classificação ou seriação. Sabemos que essas operações estabelecem relações lógicas e, portanto, relações socialmente compartilhadas entre os objetos. Por outro lado, no modo de funcionamento pré-operatório, tanto os critérios no estabelecimento de relações são subjetivos, como os próprios objetos têm significações singulares que dizem respeito a uma realidade subjetivada. Retornando ao exemplo dessa criança de nove anos, não devemos pensar que se trata de uma defasagem cognitiva, sobretudo porque pelo menos num ponto (o da conservação) o seu desempenho é adequado, mas devemos pensar que ela não se vale das operações para conhecer, mas para dizer algo de sua subjetividade e do seu desejo. Em outros termos, as defasagens que ela apresenta constituem o seu problema de aprendizagem como um sintoma, no sentido psicanalítico, na medida em que remetem ao cenário inconsciente e às peculiaridades de sua manifestação.

Vejamos, agora, o que podemos pensar no caso contrário, ou seja, quando a criança apresenta defasagem no nível de conservação em relação às suas possibilidades de classificação e seriação. Sabemos que a conservação do objeto se estabelece a partir de sua representação. Na teoria piagetiana, a representação não corresponde a uma cópia internalizada do objeto, mas é uma imagem construída, onde entram em jogo não somente a motricidade e a percepção, mas supõe também a intencionalidade de um eu nascente. Tampouco, na teoria freudiana, a representação é uma cópia do objeto, mas é também uma construção de um eu nascente, na medida em que advém das experiências de satisfação e, mais especificamente, da alucinação (uma falsa percepção) do objeto de satisfação, na sua falta. Seguindo nesse paralelo entre as teorias, podemos dizer que, em ambas as extensões das representações dizem respeito à constituição da realidade e de seus objetos. Em ambas ainda, essa realidade é marcada pelas vivências e experiências singulares deste eu. Freud acrescentaria a isso que os objetos da realidade são tomados como substitutos do objeto de satisfação. Na teoria piagetiana, estas primeiras representações que constituem a realidade são um passo em direção às representações lógicas que constituem o conhecimento dessa realidade. Na teoria freudiana, essa mudança de estatuto nas representações implica na operação de recalque e na divisão do sujeito e conseqüente constituição do inconsciente e da consciência, em seu sentido próprio.

Voltemos à defasagem na conservação que, no diagnóstico operatório, diz respeito à conservação do conjunto dos objetos e de suas grandezas, mas supõe a extensão das representações, pois somente através delas a realidade ou o conjunto dos objetos se constitui.

Não se pode pensar, aqui também, simplesmente numa defasagem cognitiva, mas num empobrecimento do eu e de suas representações. Nesse caso, a defasagem que constitui o problema de aprendizagem recebe o nome de inibição, onde a restrição na subjetividade repercute nas possibilidades cognitivas.

É claro que as provas piagetianas são apenas um dos instrumentos do Diagnóstico Psicopedagógico e é preciso estabelecer relações entre os dados aí obtidos com o conjunto da avaliação e, sobretudo com a história da criança.

“No entanto, o que chamamos de uso clínico das provas piagetianas é um exemplar daquilo que constitui um diagnóstico dos problemas de aprendizagem, na medida em que se faz um uso clínico dos diversos instrumentos utilizados e que, de uma forma geral, nos informam sobre o nível de desenvolvimento da criança.”

Esta Verificação consiste de quatro conjuntos de Provas,

1º Conjunto: Provas de Conservação

2º Conjunto: Provas de Classificação

3º Conjunto: Provas de Seriação

4º Conjunto: Provas Operatórias para o Pensamento Formal


1º Conjunto de Testes: Provas de Conservação

1º TESTE:

CONSERVAÇÃO DE PEQUENOS CONJUNTOS DISCRETOS DE ELEMENTOS

(Quantidades descontínuas)



I-MATERIAL: 20 fichas de emborrachado de mesma forma e tamanho, sendo 10 de cada cor.



II – DESENVOLVIMENTO:



1ª Situação - Pedir que a criança esco1ha uma cor de fichas. O examinador a1inha sabre a mesa 8 de suas fichas (por exemplo, 8 azuis) e pede que a criança faça uma coleção equivalente numericamente com suas próprias fichas. "Coloque a mesma quantidade de suas fichas... o mesmo número... um número igual... nem mais, nem mesno."

Registrar o que é feito pela criança. Se for preciso, o examinador organiza uma correspondência termo a termo com as duas coleções de fichas que já estão na mesma quantidade, para garantir a equivalência inicial.



2ª Situação - O examinador espaça ou aproxima as fichas de sua coleção, sempre mantendo a outra linha que fica mais curta ou comprida: "Tem a mesma coisa, ... o mesmo número de minhas e suas , ou não? Onde tem menos? Como você sabe?"

Contra- argumentação: o examinador provocará a criança afirmando o contrário de sua resposta inicial. Para resposta conservativa, diz: "Veja, esta linha está mais comprida, terá mais fichas?" Para a não-conservativa: "Você se lembra, antes as duas fileiras tinham a mesma quantidade. O que você acha agora?

Pergunta de quantidade: "Conte às fichas que sobraram com você", ao mesmo tempo em que esconde as próprias na mão. Responda sem contar. Como você sabe?"



3ª Situação: - Depois de reunir todas as fichas, o examinador coloca 8 fichas em círculo, procedendo dai em diante como nas situações anteriores e fazendo o mesmo tipo de pergunta.





1.1. Conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos





Materiais:



 10 fichas vermelhas

 10 fichas azuis

 cada um com 2cm de diâmetro



Igualdade inicial:





Correspondência termo a termo:





Primeira modificação espacial:





Segunda modificação espacial:





Terceira modificação espacial:







III- PROCEDIMENTO AVALIATIVOS

1.-Condutas não-conservativas (até aproximadamente -5-6 anos) - Nível 1

Nas duas situações a criança pode fazer uma contagem, uma correspondência termo a termo ou global ou qualquer disposição figural. Essas respostas são não-conservativas. Poderá ou não resolver corretamente a questão da quantidade.

2. Condutas intermediárias – Nível 2

As coleções (1ª e 2ª situações) são constituídas por correspondência termo a termo de forma correta. As perguntas do examinador dão margem às seguintes condutas:

a. Resposta conservativa para uma situação e não conservativa para outra.

b. Vacilações no julgamento durante cada situação: "Tem mais azuis... não, tem mais vermelhas ... não, é igual?”

Não justifica com argumentos claros e precisos as respostas de conservação. Resolve corretamente a questão da quantidade.

3. Condutas conservativas (desde aproximadamente 5anos) – Nível 3

Quando a criança apresenta condutas conservativas, ela deverá justificar com um ou vários argumentos:

a. De "identidade": Tem a mesma coisa, você não tirou nem botou nada.

..você só apertou... você só afastou."

b. De "reversibilidade": "Se você botou as vermelhas do jeito do azul fica igual... se você encolher ou esticar de novo os azuis vai ficar igual de novo."

c. De "compensação": Você fez mais comprido, mas as fichas estão mais longe umas das outras (ou estão mais perto)".

2º TESTE:

CONSERVAÇÃO DO COMPRIMENTO

I – MATERIAL: 2 correntinhas de comprimentos e cores diferentes.

II – DESENVOLVIMENTO: A criança é levada a constatar e a afirmar a desigualdade das correntes A (40cm) e fazer o julgamento que A é maior que B. O examinador brinca que seriam como duas estradas, assim: “Nessa estrada (A) a gente tem que andar a mesma coisa que nesta (B) ou tem que andar mais aqui (A) ou ali (B)? Este caminho (A) é do mesmo comprimento do que este (B), mais comprido ou mesmo comprido que este (B)?”

A ___________________

B_________

1a)Transformação: O examinador deforma a corrente maior (A) até que as extremidades coincidam com as do fio B. Se há duas formiguinhas, uma em cada estrada, será que as duas vão andar a mesma coisa, o comprimento da estrada será o mesmo?

A

B ________________

O examinador procederá como as provas anteriores quanto à contra- argumentação e ao retorno empírico.

2a)Transformação: O examinador faz curvas na corrente A de modo que fique uma diferença entre uma das extremidades dos dois fios (B). Faz- se como na 1ª transformação uma comparação dos comprimentos de A e B. O examinador fará como na transformação anterior a contra–argumentação e o “retorno empírico”, agindo conforme as respostas da criança.

A

B ____________________



1.2 Conservação de comprimento



Materiais:



 1 corrente ou barbante de aproximadamente 10cm



 1 corrente ou barbante de aproximadamente 15cm



Apresentação das correntes. Perguntas iniciais





Primeira situação







Segunda situação







III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS :

1.Condutas não- conservativas (até aproximadamente 6-7 anos) – Nível 1

Em cada uma das transformações, o comprimento não é conservado. Na 1a, os comprimentos são julgados iguais e na 2a o fio com curvas (B) é julgado menor. O examinador procederá como nas provas anteriores em relação à contra – argumentação e ao “retorno empírico”.

2.Condutas Intermediárias – Nível 2

O julgamento da criança é correto na 1ª transformação e incorreto na 2ª. Posteriormente, a criança pode fazer o julgamento correto na 2ª, mas as respostas são instáveis sendo modificadas com a contra- argumentação: não faz justificativas adequadas de respostas conservativas. Proceder quanto ao “retorno empírico”, como nas provas anteriores.

3.Condutas conservativas (aproximadamente a partir de 7 anos) – Nível 3

A criança já é capaz de dar um ou vários argumentos (Identidade, reversibilidade e compensação), mantendo o seu julgamento apesar da contra argumentação





3º TESTE:

CONSERVAÇÃO DE SUPERFÍCIE.

I – MATERIAL: 2 pranchas verdes retangulares de 20 x 25, 16 quadrados vermelhos de 4 x 4 cm, e 2 vaquinhas.

II – DESENVOLVIMENTO:



1a)Transformação:











2a)Transformação:











1.3. Conservação de superfície



Materiais:

 2 folhas de cartolina verde ou papel E.V.A. (20x25)

 12 quadrados de cartolina ou E.V.A. na cor vermelha com cerca de 4cm de lado

 1 vaquinha

Igualdade inicial:





Perguntas iniciais





Perguntas iniciais



Retorno empírico





Segunda modificação espacial





Primeira modificação espacial:





Outra modificação espacial sugerida





Terceira modificação espacial







III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS :

1.Condutas não- conservativas (até aproximadamente 6-7 anos) – Nível 1







2.Condutas Intermediárias – Nível 2







4º TESTE:

CONSERVAÇÃO DA QUANTIDADE DE MATÉRIA (Quantidades contínuas)

I – MATERIAL: 2 bolas de massa plástica de cores diferentes (diâmetro aproximado de 4cm.)

II – DESENVOLVIMENTO : O examinador pede que a criança faça duas bolas que tenham a mesma quantidade de massa. “Se fossem bolinhos e a gente pudesse comê-los seria preciso que houvesse a mesma quantidade para comer. O que você deve fazer para ficarem iguais? Para uma não ter nem mais nem menos massa que a outra?”

1ª Transformação: Transforma-se uma das bolas (a do examinador) em uma salsicha. “Será que agora tem a mesma quantidade de massa na bola e na salsicha ou tem mais na bola ou mais na salsicha. Como você sabe? Você pode me explicar? Você pode me mostrar isso?”

Contra – argumentação: O examinador provocará uma reação da criança afirmando sempre o contrário de sua resposta inicial. Para reposta conservativa diz: “Veja a salsicha é mais comprida que a bola, terá mais massa?” Para a não–conservativa: “Você se lembra, antes as 2 bolas tinham a mesma quantidade. O que você acha agora?”

Retorno empírico: Antes do examinador refazer a bola inicial, pergunta à criança: “Se dessa salsicha eu refaço a bola (o bolinho), será que vai ter a mesma quantidade (a mesma coisa para comer) ou não?” Se a criança não resolver esse problema de “retorno empírico”, faz-se essa volta e, se for necessário, iguala-se novamente as bolas até que ela as julgue com quantidades iguais.

2ª Transformação: Transforma–se a mesma bola (do examinador) em uma bola achatada (mini-pizza, panqueca) e procede-se como na 1ª transformação quanto à contra-argumentação, terminando sempre pela questão do retorno empírico.

3ª Transformação: Fragmenta-se a bola inicial em 10 pedacinhos e procede-se como nas outras transformações.



1.4. Conservação da quantidade de matéria



Materiais:

 2 massas de modelar de cores diferentes cada uma, cujo tamanho possa fazer 2 bolas de aproximadamente 4cm de diâmetro.



Obs.: É interessante que escolha cores correspondentes a substâncias comestíveis.

Igualdade inicial:

Modificação do elemento experimental (achatamento)



Modificação do elemento experimental (alargamento)

Modificação do elemento experimental (partição)



III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS:

1. Condutas não -conservativas (até aproximadamente 5-6 anos) – Nível 1

Em cada transformação uma das duas quantidades é julgada maior: “Tem mais na salsicha porque é mais comprida. Ou tem mais na bola porque é mais alta”. Face às contra argumentações do examinador, a criança ou mantém o seu julgamento ou a troca embora a quantidade seja maior. O retorno empírico pose ser resolvido corretamente ou não.

2. Condutas Intermediárias- Nível 2

Os julgamentos das crianças oscilam entre conservação e não- conservação aparecendo de diferentes maneiras:

a) Por uma mesma transformação, a criança julga alternadamente as quantidades como iguais e diferentes.

b) Por diversas transformações os julgamentos se alternam ora de conservação ora de não-conservação.

c) A contra- argumentação do examinador provoca vacilação e alternância de julgamentos. As justificativas de conservação são poucas e incompletas. O problema do “retorno empírico é resolvido corretamente.

3.Condutas conservativas (aproximadamente a partir de 7 anos) – Nível 3

Em todas as transformações as quantidades são sempre julgadas iguais. A criança já é capaz de dar um ou vários argumentos: “de identidade”: “É a mesma coisa”; compensação”: “Aqui a panqueca é maior, mas é mais fina que a bola, então, é a mesma coisa” . A criança mantém o julgamento de conservação apesar do contra–argumentação do examinador.





5º TESTE:

CONSERVAÇÃO DA QUANTIDADE DE LÍQUIDO (TRANSVASAMENTO)

I – MATERIAL: 2 vidros iguais (controle A e A) de diâmetro de aproximadamente 5cm e altura 8cm; um vidro mais alto (vidro E), 4 vidrinhos iguais correspondentes a aproximadamente ¼ do volume de a (P1, P2, P3,P4) 1 garrafa com água colorida. A caixa contém a anilina em pó para colorir a água, que pode ser guardada em qualquer garrafa disponível.

II – DESENVOLVIMENTO:

1)O examinador faz a criança constatar que os dois recipientes (A, A’) são iguais. Despeja água em A. Pede à criança que despeje água em A’ na mesma quantidade que está em A: “A mesma coisa, nem mais, nem menos...” A seguir: “Se você beber o que está em A e eu o que está em A’, será que vamos beber a mesma coisa? Temos o mesmo para beber?”

2) 1º Transvasamento – Despeja-se a água de A no vidrinho E (mais alto) “Será que agora vamos beber a mesma quantidade? Um tem mais do que o outro? Um tem menos do que outro? Pedir uma explicação: Como é que você sabe? Como descobriu? Pode me mostra?”

Contra- argumentação: O examinador provocará uma reação da criança afirmando sempre o contrário da sua resposta: Se a resposta for correta, chamar atenção para o nível de líquido nos dois vidros: “Aqui (E) está mais alto... não fica mais para beber? Uma criança disse que tinha mais no E porque ficou mais cheio, o que você acha?” Se a resposta for de não–conservação, relembrar a igualdade inicial dos níveis: “Você lembra que antes estavam iguais (A, A’)? E este é mais baixo (E).”

Retorno empírico: “Se eu puser o que está em E, de volta no A, será que vai ter a mesma coisa para beber?” Se a criança não acertar fazer o “retorno empírico”, igualando A e A’.

3) 2º Transvasamento – Despejar o líquido de A em quatro vidrinhos P1, P2, P3, P4 e proceder como nos transvasamentos anteriores quanto à contra- argumentação e ao retorno empírico.



1.5. Conservação de quantidade de líquidos



Materiais:

 2 vasos iguais A1 e A2

 1 vaso mais fino e alto B

 1 vaso mais largo e baixo C

 4 vasinhos iguais D1, D2, D3, D4

 2 copos contendo líquidos de cores diferentes



Igualdade inicial





Primeira modificação

Segunda modificação



Terceira modificação





III – PROCEDIMENTOS AVALITIVOS

1.Condutas não- conservativas (até aproximadamente 5 ou 6 anos) – Nível 1

Em cada transvasamento a criança considera um dos vidros (A ou E) Como tendo mais líquido: “Tem mais porque está mais cheio”. Face à contra-argumentação, mantém a resposta ou troca para o outro vidro. O problema do retorno empírico pode ser resolvido corretamente ou não.

2.Condutas intermediárias – Julgamentos oscilando entre conservação e não-conservação – Nível 2

No mesmo transvasamento a criança julga as mesmas quantidades ora como iguais, ora diferentes: “Tem mais para beber nesse..., não, no outro..., não, é a mesma coisa” - Os julgamentos se alternam de um transvasamento para o outro, ora conservando em (E), e não conservando em (A); - A alternância do julgamento é suscitada pela contra- argumentação. - O problema do retorno empírico é resolvido corretamente.

3 Condutas conservativas ( a partir de aproximadamente 7 anos) – Nível 3

Para cada transvasamento, as quantidades de líquidos são consideradas iguais. A criança é capaz de dar uma justificativa (identidade, reversibilidade ou compensação): O julgamento de conservação é mantido apesar das contra argumentações.



6º TESTE:

CONSERVAÇÃO DE VOLUME

(Esta prova, indica que a criança pode estar na transição do Período Operatório Concreto para o Formal)

I – MATERIAL:2 vidrinhos iguais com água até o mesmo nível (2/4) (os mesmo usados como controle na prova nº8); 2 bolas de massa plástica (as mesmas da prova nº4).

II – DESENVOLVIMENTO: O examinador leva o sujeito a constatar a igualdade no nível da água nos 2 vidrinhos. Pede que o sujeito faça duas bolas iguais, “que tenham a mesma quantidade...” “Como você pode fazer para ficarem com a mesma quantidade?”

A seguir o examinador pergunta: “Se eu puser esta bola dentro do vidrinho o que acontecerá com a água que está aí dentro? “ Por que você acha isso?” Insistir até obter algum tipo de resposta sobre o nível de água. Excepcionalmente se faz a comprovação empírica quando for absolutamente necessário para compreensão (vidro de comparação). Continuando: “E se pusermos esta outra bolinha no outro vidrinho será que a água subirá o mesmo que neste (o 1º de comparação)? Subirá mais ou subirá menos?”

1ª Transformação: O examinador transforma a segunda bola em salsicha, (lingüiça) e esboça o gesto de introduzi-la no 2º vidrinho. “Se coloco neste, a água subirá a mesma coisa, mais ou menos que neste 1º? (o da bola)?”

Na contra- argumentação: O examinador provocará uma reação afirmando sempre o contrário da resposta do sujeito. Falará como nas provas anteriores.

No Retorno Empírico, o examinador procederá como nas provas anteriores.

2ª Transformação: O examinador transforma a bola numa mini-pizza ou biscoito redondo e age do mesmo modo que na 1ª transformação até o retorno empírico.

3ª Transformação: O examinador fragmenta o “biscoito” em 8 ou 10 pedacinhos e esboça o gesto de colocar todos no 2º vidrinho, procedendo e falando como nas transformações anteriores até o retorno empírico.



1.6. Conservação de volume



Materiais:



 2 vasos iguais

 2 massas de modelar de cores diferentes

 2 copos contendo líquidos de cores diferentes

Igualdade inicial:



Modificação do elemento experimental (achatamento)







Modificação do elemento experimental (alargamento)





Modificação do elemento experimental (partição)









III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS

Condutas não- conservativas (até aproximadamente 8-9 anos) – Nível 1

Para cada uma das transformações, o sujeito julga que a modificação da forma faz subir a água mais ou menos que a água do vidrinho em que ficaria a bola.

Condutas Intermediárias – Nível 2

Os julgamentos dos sujeitos oscilam entre conservação e não- conservação: ora a água sobe igualmente, ora mais ou menos. As justificativas são pouco explícitas.

Condutas conservativas (aproximadamente a partir de 11-12 anos) – Nível 3

Em todas as transformações o volume é julgado igual, ao afirmar o sujeito que a água subirá para mesmo nível independente da forma que passe a ter a 2a bola. Os juízos de conservação se mantêm apesar da contra- argumentação.



7º TESTE:

CONSERVAÇÃO DE PESO

I –MATERIAL: 2 bolas de massa plástica de cores diferentes( as mesmas utilizadas na prova de conservação de quantidade de massa).

OBS: Não há necessidade, para a realização da prova, que exista uma balança concreta. Por isso nosso kit não a contém. Além disso, balanças de dois pratos já não fazem parte do universo significativo das novas gerações, na medida em que atualmente as balanças eletrônicas é que são utilizadas no comércio em geral.

II – DESENVOLVIMENTO: O examinador verifica se a criança conhece as relações de peso , usando as duas mãos , com objetos diversos (pedra, apontador, bolas de massa, etc.) e vai sempre perguntado se um objeto pesa mais do que o outro, o que acontece com a mão que o sustenta , etc... O examinador pede que a criança faça duas bolas que tenham o mesmo peso.

1ª Transformação: O examinador transforma uma das bolas em salsicha e finge que iria pesá-las, falando: “Você pensa que a salsicha pesa a mesma coisa que a bola ou será que uma pesa mais que a outra? Como é que você sabe?”

Contra- argumentação: O examinador provocará uma reação da criança, afirmando sempre o contrário de sua resposta. Falará como nas provas anteriores.

Retorno empírico: O examinador procederá como nas provas anteriores

2ª Transformação: Transforma–se a mesma bola em uma mini-pizza e procede-se como na 1ª transformação quanto à contra–argumentação e ao “retorno empírico”.

3ª Transformação: Fragmenta-se a mesma bola em 8 a 10 pedaços e procede-se como nas outras transformações, realizando também a contra–argumentação e o “retorno empírico”.



1.7. Conservação de peso



Materiais:



 2 massas de modelar de cores diferentes cada uma, cujo tamanho possa fazer 2 bolas de aproximadamente 4cm de diâmetro.



 1 balança com dois pratos cuja leitura seja pela posição dos braços.



Igualdade inicial:

Modificação

do elemento experimental

(alargamento)







Modificação do elemento experimental

(achatamento)





Modificação do elemento experimental (partição)







III – PROCEDIMENTOS AVALIVOS:

1. Condutas não- conservativas (até aproximadamente 6-7 anos) – Nível 1

Em cada uma das transformações um dos pesos é julgado mais pesado que o outro. As condutas não conservativas das crianças são semelhante às das provas anteriores nos julgamentos, nas contra-argumentações e no “retorno empírico.”

2. Condutas Intermediárias – Nível 2

Os julgamentos das crianças vacilam entre conservação e não- conservação aparecendo de diferentes maneiras, com condutas semelhantes às provas anteriores de conservação.

3. Condutas Conservativas (aproximadamente a partir de 8 anos)

Em todas as transformações os pesos são julgados iguais. A criança é capaz de dar um ou vários argumentos (identidade, reversibilidade e compensação) mantendo o seu julgamento apesar das contra- argumentações.















2º Conjunto de Testes: Provas de Classificação

8º TESTE:

CLASSES – MUDANÇA DE CRITÉRIO (DICOTOMIA)

I-MATERIAL: fichas de figuras geométricas (material emborrachado):6 círculos de diâmetro de 25mm (pequenos) de uma cor e 6 de outra cor ; 6 círculos de diâmetro de 50mm (grandes) de uma cor e 6 de outra cor ; 6 quadrados de 25mm de lado (pequenos) de uma cor e 6 de outra cor; 6 quadrados de 50mm (grandes) de uma cor e 6 de outra cor . O material é formado por duas cores distintas.

II – DESENVOLVIMENTO:

1. O examinador coloca as fichas em desordem sobre a mesa e pede que a criança as descreva: “Você pode me dizer o que está vendo?”

2. Classificação espontânea: “Você pode pôr juntas todas as fichas que combinam?” “Ponha juntas todas que são iguais...” “Ponha juntas as que têm alguma coisa igual ...as que se parecem muito”. Após a criança terminar: “Você pode me explicar por que colocou assim?”

3a. Dicotomia: “Agora gostaria que você fizesse apenas 2 grupos (ou 2 montinhos ou 2 família) e os colocasse separados sobre a mesa.” Após o término: “Por que você colocou todas essas fichas juntas? É aquelas? Como a gente poderia chamar esse monte aqui? E aquele outro?”

3b. 1ª mudança de critério: “Será que você poderia arrumar em 2 grupos (montes) diferentes?” Se a criança repetir o 1o critério: “Você já separou desse modo. Você pode descobrir um outro modo (critério) de separar em 2 grupos ?” Se for preciso, o experimentador inicia, ele mesmo, uma nova classificação e pede a criança para continuar. Procede-se em seguida, como em 3a.

3b. 2ª mudança de critério: “será que você ainda pode separar de um modo diferente fazendo 2 grupos novos?” Procede-se em seguida como em 3a e 3b.

2.1. Mudança de critério - Dicotomia

Materiais:

 5 círculos vermelhos de 2,5cm de diâmetro.

 5 círculos azuis de 2,5cm de diâmetro.

 5 círculos vermelhos de 5cm de diâmetro.

 5 círculos azuis de 5cm de diâmetro.

 5 quadrados vermelhos de 2,5cm de lado.

 5 quadrados azuis de 2,5cm de lado.

 5 quadrados vermelhos de 5cm de lado.

 5 quadrados azuis de 5cm de lado.

 2 caixas planas de mais ou menos 4 a 5cm de altura e uns 12cm de lado.



Material

Classificação por cores sem caixa

Classificação por cores usando a caixa

Classificação por formas usando a caixa



Classificação por tamanho usando a caixa





III- PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS

1.Coleções Figurais (desde 4-5 anos ) Nível 1

As crianças arrumam as fichas estruturando figuras de trens, casas, bonecos, etc. Podem também arrumar as fichas que tenham alguma semelhança, mudando sempre de critério e não utilizando todas.

1. Início de classificação (aproximadamente 5-6 anos) Nível 2

As crianças conseguem fazer pequenos grupos não figurais, segundo diferentes critérios, mas são coleções justapostas, sem ligação entre si: “É o monte das bolas vermelhas grandes, das bolas pequenas vermelhas, dos quadrinhos vermelhos” , etc. Num desenvolvimento maior, as crianças podem conseguir um começo de reagrupamento dos subgrupos em classes gerais, sem conseguirem uma antecipação de critérios.

2. Dicotomia segundo os 3 critérios – Nível 3

As crianças iniciam a tarefa já antecipando as possibilidades; conseguem fazer e recapitular corretamente duas dicotomias sucessivas, segundo 2 critérios, o 3º critério só sendo descoberto com incitação do examinador. Num desenvolvimento maior, os 3 critérios são antecipados e utilizados espontaneamente.



9º TESTE:

INCLUSÃO DE CLASSE



QUANTIFICAÇÃO DA INCLUSÃO DE CLASSE

I – MATERIAL: 1 ramo de flores de duas espécies, sendo que uma delas existe em maior quantidade do que a outra. Ex. 10 rosas e 3 ou 4 margaridas

II – DESENVOLVIMENTO:

1. O examinador verifica se a criança conhece o nome das flores e se conhece o termo genérico “flores”:

“Você conhece o nome de outras flores? Quais?”

2. Perguntas :

-Pergunta 1: “Nesse ramo, há mais rosas ou mais flores?” Após a resposta: “Como você sabe? Você pode

me Mostrar?”

-Pergunta 2: “Conheço duas meninas que querem fazer raminhos. Uma faz um ramo com as rosas. Depois

ela desmancha e me devolve as rosas. A outra, faz seu ramo com as flores. Qual foi o ramo maior?”

-Pergunta 3a. “Se eu dou para você as rosas, o que fica no ramo?”

-Pergunta 3b.“Se eu dou para você as flores, o que sobra no ramo?”

-Pergunta 4. “Eu vou fazer um ramo com todas as rosas e você vai fazer um ramo com todas as flores.

Quem vai fazer o ramo maior? Como é que você sabe?”





2.2. Quantificação de Inclusão de classes



Materiais:



Com flores:

- 10 margaridas

- 3 rosas vermelhas



Com animais

- 10 coelhos ou outra espécie

- 3 camelos ou outra espécie



Pode-se fazer também com:

- 10 carros

- 3 ônibus





III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS:

1.Ausência de Quantificação inclusiva (até aproximadamente 5-6 anos) – Nível 1

A criança faz sistematicamente a comparação das duas subclasses e reponde então que há mais margaridas do que flores. Costuma errar sobre a subtração de subclasse (perguntas 3a e 3b.)

2.Condutas Intermediárias – Nível 2

Observa-se hesitação na resposta à pergunta 1. Às vezes responder: “É a mesma coisa”. Nesse nível as perguntas 3a. e 3b. são respondidas corretamente.

3.Existência da Quantificação inclusiva (aproximadamente a partir 7-8 anos) – Nível 3

A criança responde corretamente a todas às perguntas.





10º TESTE:

INTERSECÇÃO



INTERSECÇÃO DE CLASSES

I – MATERIAL: 3 espécies de fichas do mesmo material e tamanho sendo: 5 redondas de uma cor, 5 redondas

de outra e 5 quadradas da mesma cor das segundas, 1 placa emborrachada com 2 círculos desenhados, que se

entrecruzam delimitando 3 partes das quais uma é comum aos 2 círculos(Diagrama de Venn)

II – DESENVOLVIMENTO:

1. O examinador dispõe as fichas nos círculos em intersecção, sendo que as redondas que têm a mesma cor dos

quadrados devem ficar na área de intersecção (exemplo abaixo). Pede que a criança observe a disposição,

descreva as fichas e pergunta: “Por que você acha que eu pus estas redondas no meio?”

2. Perguntas feitas pelo examinador:

a. Há mais fichas desta cor ou daquela?

b. Há mais fichas quadradas ou redondas?

c. Há a mesma coisa, mais ou menos fichas redondas do que fichas desta cor? (pergunta de intersecção)

d. Há a mesma coisa, mais ou menos fichas quadradas do que fichas desta cor? (pergunta de intersecção)

Após cada resposta da criança, o examinador diz: “Como é que você sabe?” “Você pode me mostrar?”.

Caso a criança não responda às perguntas principais, são feitas perguntas suplementares: “O que é que tem no círculo da esquerda?” “Mostre. E no da direita? ”





2.3. Intersecção de classes



Materiais:



 5 círculos azuis de 2,5cm de diâmetro

 5 círculos vermelhos também de 2,5cm de diâmetro

 5 quadrados vermelhos de 2,5cm de lado

 1 folha de cartolina ou papel E.V.A. com dois círculos em intersecção, sendo que um preto e outro amarelo.



Obs.: os 5 círculos devem poder entrar na intersecção





III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS

1. As perguntas feitas sobre classes separadas são respondidas com acerto.

As de inclusão e intercessão não são compreendidas nessa faixa de idade. As perguntas suplementares também revelam erros. Nível 1. (até 5 anos)

2. A partir de 6 anos a criança faz acertos nas perguntas suplementares, mas hesita nas respostas de inclusão e intercessão, faz repetições e pode dar algumas respostas corretas. Nível 2.

3. Crianças a partir de 7-8 anos dão respostas corretas desde a primeira vez. Nível 3.





3º Conjunto de Testes: Provas de Seriação

11º TESTE:

SERIAÇÃO



SERIAÇÃO DE BASTONETES

I – MATERIAL : Uma série de 10 bastonetes graduados de 16 a 10 cm. com a diferença de um para outro de 0,6 cm; Um anteparo. (utilizar a placa emborrachada da prova de intersecção, com o verso voltado para o examinando)

II – DESENVOLVIMENTO:

1. O examinador dá à criança os 10 bastonetes em desordem para que tome conhecimento do material.

2.a. Seriação a descoberto : “Você vai fazer uma escadinha com todos esses pauzinhos, colocando-os em ordem do menor para o maior”. Se a criança não conseguir, o examinador pode, eventualmente, fazer a demonstração de uma série inicial com 3 pauzinhos. É importante registrar a ordem em que a criança escolhe cada pauzinho e como faz cada escolha e a configuração final. Anotar o processo de realização.

2.b. Verificação da exclusão : Se o sujeito acertar a seriação a descoberto, o examinador pode pedir que feche os olhos e, ao abri-los, descubra o local, a posição, em que estava o bastonete retirado pelo examinador da “escadinha” feita pelo sujeito.

2.c. Seriação oculta atrás do anteparo: Se o sujeito acertou a seriação pode-se fazer também de outra forma: “Agora sou eu que vou fazer a escadinha atrás dessa placa (anteparo) ; você vai me dando os pauzinhos um a um, e eu vou colocando aqui, na ordem fazendo a escada. Registra-se a maneira de escolher e a ordem que ele deu ao examinador.





3. SERIAÇÃO

3.1. Seriação de palitos



Materiais:



 10 palitos com aproximadamente 1cm de largura com uma diferença de 0,6mm de altura entre um e outro, sendo que o primeiro tem aproximadamente 11,5cm.





III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS :

a. Ausência de Seriação - (aproximadamente 3-5 anos) Nível 1

O sujeito fracassa nas suas tentativas de ordenar.

- Ausência de séries (3-4 anos) a criança não entende a proposta e coloca os bastões em qualquer ordem, justapondo – os;

- Esboço de séries (4-5 anos) a criança faz tentativas diversas; pares (grandes e pequenos), série de 3 ou 4 bastões , mas não coordena as diferentes série entre si, ou não consegue intercalar os outros;

- Faz uma escada sem considerar o tamanho dos bastões, mas só arrumação da parte superior imitando uma escadinha .

b. Conduta Intermediária (aproximadamente 5-6 anos) – Nível 2

Em que o sujeito vai por ensaio e erro compondo a série; compara cada bastão com todos os demais até achar o que serve. É uma seriação intuitiva por regulações sucessivas.

c. Êxito Obtido por Método Operatório (aproximadamente 6-7- anos). – Nível 3

O sujeito com facilidade antecipa a escada fazendo metodicamente a sua construção, colocando primeiro os bastões menores e a seguir, em graduação, até o final. Neste nível faz a descoberta, atrás do anteparo, exclui bastões e constrói espontaneamente a linha de base.


4º Conjunto de Testes: Provas Operatórias para o Pensamento Formal

12º TESTE:

COMBINAÇÃO



PROVA DE COMBINAÇÃO DE FICHAS DUPLAS PARA PENSAMENTO FORMAL

I – MATERIAL: 06 fichinhas de emborrachado de cores diferentes

II – DESENVOLVIMENTO: O examinador pede que o sujeito faça com as 6 fichas o maior número possível de duplas. “Tente fazer com as fichinhas todas as duplas que puder, não pode repetir”. É preciso que se veja se o sujeito compreendeu bem a atividade que irá fazer.

É válido fazer a demonstração inicial com um par. O examinador deve observar e registrar o método de trabalho e que critérios usou para chegar ao resultado, assim como todas as verbalizações: “Se eu botar aqui, então ficam...” Pode- se permitir que registrem em papel as tentativas.



4.1. Combinação de fichas





Materiais:



 6 fichas de diferentes cores com 2,5cm de diâmetro cada uma.





III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS

a .Ausência de Capacidade Combinatória – Nível 1

Incapacidade de descobrir a possibilidade das diversas combinações. Não estabelece critérios, faz tentativas aleatórias sem conseguir obter um mínimo de duplas.

b. Condutas Intermediárias – Nível 2

Faz combinações incompletas, consegue fazer muitas duplas sem ordem estabelecida, não consegue prever o número total de combinações.

c. Condutas operatórias revelando capacidade combinatória – Nível 3

O sujeito antecipa a possibilidade combinatória através de um sistema completo e metódico

chegando às 6 duplas. Além disso, deixa evidente um critério para estabelecer o total de combinações, ou seja, com 6 fichas de 2 cores = 3 fichas de cada cor , com as quais é possível fazer as seguintes duplas: 2b+1p ;1p+2b; 2p+1b; 1b+2p; 1p+1b+1p; 1b+1p+1b 8



13º TESTE:

PERMUTAÇÃO

PERNUTAÇÕES POSSÍVEIS COM UM CONJUNTO DETERMINADO DE FICHAS PARA O PENSAMENTO FORMAL

I – MATERIAL: 06 fichinhas de emborrachado de cores diferentes (as mesma utilizadas na prova anterior)

II – DESENVOLVIMENTO: O examinador pede que o sujeito faça o maior número possível de permutações com as fichas. “Gostaria que você fizesse o maior numero possível de combinações usando sempre quatro fichas”. “Deve usar todas, acomodando-as em ordem diferentes”. É preciso que se veja se o sujeito compreendeu bem a atividade que irá fazer.

É válido fazer a demonstração inicial. O examinador deve observar e registrar o método de trabalho e que critério usou para chegar ao resultado, assim como todas as verbalizações: “Se eu botar aqui, então ficam...” Pode- se permitir que registrem em papel as tentativas.

III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS

a .Ausência de Capacidade de Permuta – Nível 1

O sujeito não percebe as possibilidades de permuta. Não estabelece critérios, faz tentativas grosseiras sem conseguir obter um mínimo de combinações.

b. Condutas Intermediárias – Nível 2

O sujeito realiza permutas incompletas,faz aproximações, sem possibilidade de generalizações.

c. Condutas operatórias de todas as permutações possíveis – Nível 3

O sujeito faz permutações,antecipando as possibilidades de um processo sistemático, ordenado. Realiza de forma ordenada as permutações.





14º TESTE:

PREDIÇÃO

PREDIÇÕES POSSÍVEIS COM UM CONJUNTO DETERMINADO DE FICHAS PARA O PENSAMENTO FORMAL

I – MATERIAL: 36 fichinhas de emborrachado de quatro cores diferentes Sendo 18, 10, 7 e 1 de cada cor e um saco de pano.





4.2. Predição



Materiais:



 18 fichas verdes

 10 fichas amarelas

 7 fichas lilases

 1 ficha branca

 1 saco de pano



II – DESENVOLVIMENTO: O examinador pede que o sujeito

III – PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS

a .Ausência de Capacidade de Avaliação – Nível 1

O sujeito não percebe as possibilidades

b. Condutas Intermediárias – Nível 2

O sujeito realiza tentativas sem possibilidade de generalizações.

c. Condutas avaliativas bem estruturadas de todas as condições possíveis – Nível 3

O sujeito faz avaliações, antecipando as possibilidades de um processo sistemático, ordenado.

Bibliografia:

VISCA, Jorge. El diagnostico operatorio em la practica psicopedagogica. Buenos Aires: Ag.Serv,G,. 1995.


Psicogênese da Alfabetização

A criança busca a aprendizagem na medida em que se constrói o raciocínio lógico. O processo evolutivo de aprender a ler e escrever por níveis de contextualização que revelam as hipóteses a que chegou a criança.

Emília Ferreiro e Ana Teberosky definiram, em seu livro Psicogênese da Língua Escrita, cinco níveis:

 Nível 1: Hipótese Pré-Silábica

o A criança:

 não estabelece vinculo entre a fala e a escrita;

 supõe que a escrita é outra forma de desenhar ou de representar coisas e usa desenhos, garatujas e rabiscos para escrever;

 demonstra intenção de escrever através do traçado linear com formas diferentes;

 supõe que a escrita representa o nome dos objetos e não os objetos: coisas grandes devem ter nomes grandes, coisas pequenas devem ter nomes pequenos;

 usa letras do próprio nome ou letras e números na mesma palavra;

 pode conhecer ou não os sons de algumas letras ou de todas elas;

 faz registros diferentes entre palavras modificando a quantidade e a posição e fazendo variações nos caracteres;

 caracteriza uma palavra com uma letra inicial;

 tem leitura global, individual e instável do que escreve: só ela sabe o que quis escrever;

 supõe que para algo poder ser lido precisa ter no mínimo de duas a quatro grafias, geralmente três (hipótese da quantidade mínima de caracteres);

 supõe que para algo poder ser lido precisa ter grafias variadas (hipótese da variedade de caracteres).

 Nível 2: Intermediário

o A criança:

 começa a ter consciência de que existe alguma relação entre a pronúncia e a escrita;

 começa a desvincular a escrita das imagens e os números das letras;

 só demonstra estabilidade ao escrever seu nome ou palavras que teve oportunidade e interesse de gravar. Esta estabilidade independe da estruturação do sistema da escrita;

 conserva as hipóteses da quantidade mínima e da variedade de caracteres.

 Nível 3: Hipótese Silábica

o A criança:

 já supõe que a escrita representa a fala;

 tenta fonetizar a escrita e dar valor sonoro às letras;

 pode ter adquirido, ou não, a compreensão do valor convencional das letras;

 já supõe que a menor unidade da língua seja a sílaba;

 supõe que deve escrever tantos sinais quantas forem as vezes que mexe a boca, ou seja, para cada sílaba oral corresponde uma letra ou um sinal;

 em frases, pode escrever uma letra para cada palavra.

 Nível 4: Hipóteses Silábico-Alfabética ou Intermediário II

o A criança:

 inicia a superação da hipótese silábica;

 compreende que a escrita representa o som da fala;

 combina só vogais ou só consoantes, fazendo grafias equivalentes para palavras diferentes. Por exemplo, AO para GATO e SAPO ou ML para MOLA e MULA;

 pode combinar vogais e consoantes numa mesma palavra, numa tentativa de combinar sons, sem tornar, ainda, sua escrita socializável. Por exemplo, CAL para CAVALO;

 passa a fazer uma leitura termo a termo (não-global).

 Nível 5: Hipóteses Alfabética

o A criança:

 compreende que a escrita tem uma função social: a comunicação;

 compreende o modo de construção do código da escrita;

 compreende que cada um dos caracteres da escrita corresponde a valores menores que a sílaba;

 conhece o valor sonoro de todas as letras ou de quase todas;

 pode ainda não separar todas as palavras nas frases;

 omite letras quando mistura as hipóteses alfabética e silábica;

 não tem problemas de escrita no que se refere a conceito;

 não é ortográfica nem léxica.



FISCHER, Julianne. Sugestões para o desenvolvimento do trabalho psicopedagógico. Blumenau: Centro da Aprendizagem Fischer, [s.a.].