sábado, 11 de setembro de 2010

O CÁGADO E O LAGARTO

Num ano em que havia pouca comida, o Cágado pegou o dinheiro que tinha economizado e foi a Nanhagaia onde comprou um saco de milho.

Quando voltava para casa, viu, a certa altura, um tronco de árvore atravessado no caminho. Como não conseguia passar por cima dele, atirou o saco de milho para o outro lado e depois foi dar a volta.

Quando estava a dar a volta, ouviu uma voz a gritar:

- Viva, viva, tenho um saco de milho que caiu lá de cima.

Era o Lagarto, que segurava o saco que o Cágado tinha atirado.

O Cágado protestou:

- Não. O saco é meu. Comprei-o agora e vou levá-lo para casa.

O Lagarto não quis ouvir nada e levou o saco para casa dele, dizendo:

- Eu não o roubei de ninguém. Achei-o. Vou comer o milho porque encontrei o saco.

O Cágado ficou muito zangado mas não podia fazer nada. Cheio de fome, no dia seguinte foi com os filhos ver se encontrava alguma coisa para comer.

A certa altura viram o rabo do Lagarto que saía de dentro de um buraco, só com o rabo de fora.

O Cágado agarrou no rabo e numa faca e preparou-se para o cortar. Depois de cortado, levou-o para casa e comeu-o com os filhos.

O Lagarto que, entretanto tinha conseguido sair do buraco, foi queixar-se ao responsável da aldeia:

- O Cágado cortou-me o rabo. Mande-o chamar para ele dizer porque é que me cortou o rabo.

O responsável convocou o Cágado e perguntou-lhe:

- É verdade que tu cortaste o rabo ao Lagarto?

O Cágado, que era muito esperto, disse:

- É verdade que eu encontrei um rabo perto de um buraco e o levei para casa para comer, mas não era de ninguém. Eu não vi mais nada senão o rabo.

- Mas o rabo era meu - gritou o Lagarto - tens de o pagar.

O Cágado respondeu:

- Não, não pago. Eu fiz o mesmo que tu fizeste ontem. Tu ontem encontraste o meu saco de milho e comeste-o. Eu hoje encontrei o teu rabo e comi-o. Agora estamos pagos.

O responsável achou que ele tinha razão e mandou-os embora.

in: Contos Moçambicanos

INLD - 1979

Um comentário:

  1. Legal Adriana,muito bem elaborado,este conto é fabuloso.parabéns!!!arrasou.

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