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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Bibliotecas Escolares

Orientações



Adriana S. L. dos Santos

23/06/2010





Tombamento do acervo bibliográfico das Bibliotecas Escolares ou Salas de Leitura da Rede Ensino Municipal de Rio do Sul







Tombamento do Acervo Bibliográfico





Toda biblioteca é composta por diversos livros. É muito importante manter esse espaço organizado, para que os leitores se sintam acolhidos.

O acervo deve ser o mais variado possível, para contemplar os mais diferentes gostos, interesses e motivações. Assim, quanto maior for a diversidade de títulos disponíveis no acervo, maior a probabilidade de ampliação do universo de referências do leitor. Além de livros e revistas, procure incluir outros suportes como DVD, CD, pôsteres, cartazes, fotografias, reproduções de abras de arte etc.

O nosso foco é o livro, vamos nos deter na organização desse tipo de obra. É preciso organizar os volumes para facilitar o empréstimo e o controle da devolução. Isso não é difícil. Basta começar a separação por tipos de obras. Nossa sugestão é que sejam, em média, cinco tipos:





1)Obras de Referência – enciclopédias, dicionários, atlas, gramáticas e catálogos;

2)Periódicos - jornais e revistas (de informação geral, técnicas, histórias em quadrinhos, especializadas, de divulgação científica);

3)Documentários – ensaios, biografias e autobiografias, relatos de viagem, livros de arte, culinária, variedades, paradidáticos;

4)Outras coleções – obras teóricas de apoio ao professor, fotografias, mapas, reproduções de obras de arte, cartões postais;

5)Obras de Ficção – contos, poesias, romances, textos de tradição popular, teatro, livros de narrativas por imagens (literatura infantil, literatura infanto-juvenil);





Cada grupo de obras deve ser identificado por uma cor, para facilitar a localização por parte dos leitores e para auxiliar na hora de recolocar os livros nas estantes.



Sugerimos as seguintes cores (durex colorido):



1)Obras de Referência: amarelo;

2)Periódicos: azul

3)Documentários: laranja

4)Outras coleções: verde

5)Obras de Ficção: vermelho;

6)CD’s e DVD’s: preto;



Depois, é preciso catalogar os títulos, isto é, fazer uma relação de todos os exemplares disponíveis e dar um número a cada um – chamado número tombo. Isso poderá ser feito por meio de um arquivo no computador, por meio de fichas ou registro em um caderno ou livro preto específico. Nesse catálogo deverão constar:



 Para as obras de ficção, de referência, documentários, obras teóricas: o título da obra, autores), número do tombo, editora, modo de aquisição e observações;

 Para os periódicos: nome da publicação, ano/mês de referência, número do tombo e número da edição;

 Para outras obras, como fotografias, mapas, reproduções de obras de arte, cartões postais, CD’s, DVD’s: título do trabalho, nome do autor, ano de publicção – se houver – e número de tombo;





MODELO DE LIVRO TOMBO



Data Título Autor N.0 do Livro Editora Modo de aquisição OBS





Essas informações registradas no livro-tombo devem ser organizadas de tal forma que permitam ao usuário/leitor e ao responsável pelas Bibliotecas ou Salas de Leitura, localizem os livros disponíveis. Por isso, sugerimos que os títulos sejam agrupados – lembrar que cada grupo foi atribuído uma cor específica – e, dentro de cada grupo, sejam organizados pelo último sobrenome do autor ou ordem de tombo, por exemplo:



A0028

A= José de Alencar

0028= Número recebido no livro-tombo

ANDRADE, Carlos Drummond de.



Pronto o registro, chega o momento de identificar cada uma das obras como pertencentes à escola. Para isso, carimbe na primeira página – ou folha de rosto o seguinte modelo:



C.E. Ricardo Marchi

No. Registro:_________________

Volume:_____________________

Aquisição:___________________





Agora, vamos preparar o livro para empréstimo:

Em primeiro lugar, será necessário adquirir etiquetas brancas, durex colorido e papel contact. Prepare as etiquetas colocando na parte superior o durex com a cor indicada. Depois, escreva o número da obra. Cole a etiqueta na parte inferior do livro, deixando um espaço livre de aproximadamente 3cm. Para finalizar cubra a etiqueta com papel contact.

Segundo, prepare uma tabela com os nomes dos alunos por turmas e também dos professores. O objetivo dessa tabela é controlar a entrada e a saída das obras. Ela poderá registrar as seguintes informações:



Aluno No. do livro e ou/nome Data da retirada Data da devolução







Para cada empréstimo, deverá ser registrado o nome do aluno, número o nome do livro, data de retirada e a data em que a obra foi emprestada. Com essas informações o professor orientador de Sala de Leitura ou responsável pela Biblioteca, terá dados necessários para montar gráficos sobre as obras mais procuradas, turmas que lêem mais e assim por diante.

Alguns cuidados que não podemos esquecer!



Todos os livros adquiridos (literatura) sejam compra, doação ou permuta, deverão ser registrados no livro-tombo, carimbados e etiquetados;

Obra repetida anote na parte da observação o número de livros e o identifique com o mesmo número. Exemplo: 0018-1;

Quando o livro estiver totalmente danificado, deverá ser feito o registro no livro-tombo como: Descarte. Obedecendo a sua numeração original.

Além dos livros que não podem ser consertados ou já passaram por muitos consertos, deverão ser descartados do acervo ou retirados do empréstimo, obras com ortografia desatualizada (1991), outros materiais que não são de interesse dos usuários da biblioteca e material desatualizado.

Não devem ser descartadas obras raras ou de reconhecido valor, primeiras edições de autores nacionais e locais, edições de luxo ou com tiragem limitada, obras autografadas ou importantes para a comunidade. Uma boa ocasião para descarte é durante o inventário. Após separação das obras, as mesmas deverão ser analisadas pelos demais professores, listadas em ata e dado baixa no livro tombo.

Se o livro descartado for substituído por outro exemplar igual, coloque a numeração original do primeiro livro.



Caro orientador não se esqueça de sempre manter os livros catalogados.



Ficha cadastral do aluno (modelo) Opcional:

Cada aluno terá uma ficha cadastral, devidamente numerada. Este número é o mesmo quando fizer sua carteirinha, também registrado num livro à parte. O modelo apresentado deverá ser adaptado a cada escola.

Estas fichas também podem ser guardadas em um mini-fichário, por ordem alfabética (sobrenome). Essas fichas têm a finalidade de localizar o aluno, telefonar quando houver atraso na devolução do livro.



Nome do aluno:____________________________________________________

N__________________________ Data:___/____/____

Eu, abaixo assiando(a), inscrevo-me como usuário(a) da Sala de Leitura desta escola, comprometendo-me a respeitar o seu regimento, pagar as multas em que incorrer e responder por danos e perdas de livros a mim confiados.

Assinatura:____________________________________________________________

Série:_________Idade:_________________Telefone:___________________________

Endereço:_______________________________________________________________

Professor Regente:________________________________________________________

Sala de Leitura:____________________________________________________





Regras de utilização das Salas de Leitura ou Biblioteca escolar:

Cada unidade escolar deverá elaborar as regras de utilização das Salas de Leitura ou Biblioteca Escolar. Essas regras devem depois de prontas e aprovadas por todos da escola, ficarem em local visível para o conhecimento de todos.



Horário de Atendimento:



Cabe a Unidade confeccionar o cronograma de atendimento das aulas de leitura, bem como o atendimento e orientação a pesquisa aos demais alunos, segundo o que está exposto na Proposta Norteadora de Salas de Leitura.



Pronto! Agora é a hora de chamar os leitores!!!!!



Esse documento, bem como a Proposta Norteadora e Pedagógica de Salas de Leitura, deve permanecer dentro da Sala de Leitura ou Biblioteca escolar, afim de a cada novo ano letivo, o professor ou responsável pelo espaço tenham as orientações necessárias para desenvolver um bom trabalho.



Bibliografia:

PEREIRA, Andréa kluge. Biblioteca na escola. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de educação Básica, 2009.

recomendando Textos - Valores civilizatórios afro-brasileiros na Educação Infantil

Azoilda Loretto da Trindade(1)

A criança gozará de proteção contra atos que possam suscitar discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Criar-se-á num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal e em plena consciência de que seu esforço e aptidão devem ser postos a serviço de seus semelhantes. (Adotada pela Assembléia das Nações Unidas, de 20 de novembro de 1959(2))

Este texto, que se propõe a falar sobre os valores civilizatórios afro-brasileiros na Educação Infantil, tem como ponto de partida e está ancorado no princípio acima referido. Propõe um diálogo em aberto, que precisa ter continuidade no trabalho de cada professor, propondo um compartilhar idéias, no sentido amplo, com aqueles que fazem o cotidiano escolar. Cotidiano este entendido como vibrante, como lugar de desafios, inquietações, movimento, encontros e desencontros, alegrias, emoções, prazeres, desprazeres, produção de saberes, de conhecimentos e de múltiplos fazeres. Espaço de pessoas buscantes, pesquisadoras da sua própria prática.

Apresentamos, de início, algumas explicações, antes de darmos continuidade a este diálogo:

1ª) Ao destacarmos a expressão “valores civilizatórios afro-brasileiros”, temos a intenção de destacar a África, na sua diversidade, e que os africanos e africanas trazidos ou vindos para o Brasil e seus e suas descendentes brasileiras implantaram, marcaram, instituíram valores civilizatórios neste país de dimensões continentais, que é o Brasil. Valores inscritos na nossa memória, no nosso modo de ser, na nossa música, na nossa literatura, na nossa ciência, arquitetura, gastronomia, religião, na nossa pele, no nosso coração. Queremos destacar que, na perspectiva civilizatória, somos, de certa forma ou de certas formas, afrodescendentes. E, em especial, somos o segundo país do mundo em população negra.

A África e seus descendentes imprimiram e imprimem no Brasil valores civilizatórios ou seja, princípios e normas que corporificam um conjunto de aspectos e características existenciais, espirituais, intelectuais e materiais, objetivas e subjetivas, que se constituíram e se constituem num processo histórico, social e cultural. E apesar do racismo, das injustiças e desigualdades sociais, essa população afrodescendente sempre afirmou a vida e, conseqüentemente, constitui o/s modo/os de sermos brasileiros e brasileiras(3).

2ª) Sobre a África, é bom destacar que é um imenso continente, com 52 países, com uma imensa e variada diversidade: política, econômica, social, cultural... E que, assim como podemos dizer que existem vários brasis no Brasil, existem várias áfricas na mãe África.

Fonte: www.paginas.terra.com.br/arte/mundoantigo/africa

3ª) Sempre cremos que é interessante falar do cotidiano para fazer formulações. Recentemente, ouvi uma senhora reclamando que um dia na sua vida foi discriminada por ser branca e isso a indignou. Afinal, como e por que discriminá-la? Alias, muitas pessoas argumentam, baseadas em um único exemplo da sua existência, o fato de elas serem discriminadas, sobretudo quando a discriminação vem da parte daqueles que são, em geral, os mais discriminados. Outras pessoas destacam outras formas de discriminação, como que para amenizar a afirmação do racismo e a discriminação, histórica e atual, sofrida pelos negros e negras. Referem-se ao fato de que alguém pode ser discriminado por ser gordo, por ser pobre, por ser feio, por ser muito bonito, por ser, ou não, inteligente... E por aí vai.

Uma pessoa adulta, em geral, fica arrasada ao ser discriminada, sofre, se revolta, fica furiosa, deprimida... Enfim, tem várias reações. Agora, imaginemos um ser humano negro de 0 a 6 anos de idade, uma criança negra que é, numa sociedade racista, discriminada 24 horas por dia e, muitas vezes, com o silêncio omisso dos adultos, da professora.

Essa criança tem que se sustentar sozinha nestas situações. Infelizmente, ainda há muita insensibilidade para com as crianças negras. Estas, ao serem discriminadas, ficam acuadas, envergonhadas, inibidas em denunciar. Se essa é uma experiência muito confusa para uma pessoa adulta, imaginemos para um ser humano de pouca idade, uma criança de 0 a 6 anos. Professores e professoras, acreditem, a criança pode não saber expressar oralmente a discriminação, mas ela sente, sofre, seu corpo fica marcado, com a discriminação e com a omissão, com o silêncio conivente, com a falta de acolhida do adulto que ela tem como referência no momento.
Não é apenas motivo de negligência a discriminação, o preconceito, o racismo com relação às crianças negras. É também uma insensibilidade, que está ancorada nos 312 anos oficiais de escravidão neste país e nos 117 anos de promulgação da Lei Áurea. É impressionante que, por muito tempo, ninguém se preocupou com a importância de colocar, no acervo de brinquedos das crianças da Educação Infantil, bonecas e bonecos negros, livros infantis com imagens e personagens negros em posição de destaque, não ter mural com personagens negros, não serem trabalhadas as lendas, as histórias e a História africanas, entre outras formas de afirmação de existência e de valorização dos negros em nosso país. É, essa insensibilidade está inscrita na nossa memória coletiva de brasileiros e brasileiras, que vendiam crianças negras, que abusavam das crianças negras, que matavam crianças negras, que impediam que as crianças negras fossem amamentadas por suas mães. A história parece que nos legou uma responsabilidade social especial para com essas crianças. Especial, pois temos que ter responsabilidade social para com todas.

Para ilustrar que, para a cultura iorubá, todas as pessoas são divinas, traremos, um conto(4) que é emblemático do valor civilizatório afro-brasileiro de aceitação das diferenças humanas:

(...) Olodumaré, que é um deus ioruba, quis criar a Terra e deu um punhado dela, num saquinho, para Obatalá ir criá-la. Antes de ir, Obatalá teria que fazer a oferenda a Exu(5), pois sem movimento não há ação. Obatalá, que é muito velho, esqueceu e foi andando, andando devagarinho, e no caminho sentiu sede. Então viu uma árvore, dessas que têm água dentro, e parou, abriu a planta e bebeu. Só que era uma bebida que dava um pouco de tontura, e então ele se deitou debaixo da árvore e acabou dormindo.


Enquanto isso, Odudua, que também queria criar a Terra, fez as oferendas a Exu e alcançou Obatalá. Vendo-o dormir, achou que ele iria se atrasar muito, pegou o saquinho e foi ele mesmo criar a Terra. E criou.
Obatalá acordou e viu a Terra criada, e foi reclamar para Olodumaré, que enviou e deu a ele barro, para que criasse os homens na Terra. Obatalá foi e criou os homens, mas de vez em quando tomava a bebida da árvore de que tinha gostado, e ... não chegava a dormir, mas, meio tonto, fazia uns seres humanos meio tortinhos.

Tecendo fazeres e saberes afro-brasileiros na Educação Infantil

“Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação. Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas graças, de um pássaro e sua árvore.” Manoel de Barros. In: Memórias Inventadas. A Infância.

Vamos agora, pinçar alguns aspectos afro-brasileiros que consideramos caros à Educação Infantil. Alguns, pois há uma infinidade deles:

Principio do Axé ENERGIA VITAL - tudo que é vivo e que existe, tem axé, tem energia vital: Planta, água, pedra, gente, bicho, ar, tempo, tudo é sagrado e está em interação. Imaginem se nosso olhar sobre nossas crianças de Educação Infantil forem carregados da certeza de que elas são sagradas, divinas, cheias de vida.

Podemos trabalhar a potencialização deste princípio nas nossas crianças, se nosso olhar, nosso coração, nosso corpo senti-las verdadeiramente assim.

Elogios, um afago, brincadeiras de faz-de-conta, nas quais elas se sintam a mais bela estrela do mundo, a mais bela flor, alguém que cuida, alguém que é cuidado. Um espelho para que elas se admirem, para que brinquem com o espelho, e se habituem a se olhar e a serem olhadas com carinho e respeito.

ORALIDADE – Muitas vezes preferimos ouvir uma história que lê-la, preferimos falar que escrever... Nossa expressão oral, nossa fala é carregada de sentido, de marcas de nossa existência. Faça de cada um dos seus alunos e alunas contadores de histórias, compartilhadores de saberes, memórias, desejos, fazeres pela fala. Falar e ouvir podem ser libertadores.

Promova momentos em que a história, a música, a lenda, as parlendas, o conto, os fatos do cotidiano possam ser ditos e reditos. Potencialize a expressão “fale menino, fale menina”.

CIRCULARIDADE – a roda tem um significado muito grande, é um valor civilizatório afro-brasileiro, pois aponta para o movimento, a circularidade, a renovação, o processo, a coletividade: roda de samba, de capoeira, as histórias ao redor da fogueira...

Já fazemos as tradicionais rodinhas na Educação Infantil, e nas reuniões pedagógicas, nas reuniões dos responsáveis. Que tal potencializarmos mais a roda, com cirandas, brincadeiras de roda e outras brincadeiras circulares?

CORPOREIDADE – o corpo é muito importante, na medida em que com ele vivemos, existimos, somos no mundo. Um povo que foi arrancado da África e trazido para o Brasil só com seu corpo, aprendeu a valorizá-lo como um patrimônio muito importante. Neste sentido, como educadores e educadoras de Educação Infantil, precisamos valorizar nossos corpos e os corpos dos nossos alunas, não como algo narcísico, mas como possibilidade de trocas, encontros. Valorizar os nossos corpos e os de nossas crianças como possibilidades de construções, produções de saberes e conhecimentos coletivizados, compartilhados.

Cuidar do corpo, aprender a massageá-lo, tocá-lo, senti-lo, respeitá-lo é um dos nossos desafios no trabalho pedagógico com a Educação Infantil. Dançar, brincar, rolar, pular, tocar, observar, cheirar, comer, beber, escutar com consciência. Aparentemente nada de novo, se não fosse o desmonte de corpos idealizados e a aceitação dos corpos concretos

MUSICALIDADE – A música é um dos aspectos afro-brasileiros mais emblemáticos. Um povo que não vive sem dançar, sem cantar, sem sorrir e que constitui a brasilidade com a marca do gosto pelo som, pelo batuque, pela música, pela dança.

Portanto, mãos à obra, som na caixa e muita música, muito som, mas não os “enlatados”, as músicas estereotipadas, o mesmismo que vemos na TV e em quase todas os momentos da escola, nos quais a música se faz presente. Vamos ouvir músicas que falem da nossa cultura, que desenvolvam nossos sentidos, nosso gosto para a música e, com isso, não produzirmos alienados musicais desde a tenra idade. Nosso país é riquíssimo em ritmos musicais e em danças, que tal investirmos neste caminho? Conhecer para promover.

LUDICIDADE – A ludicidade, a alegria, o gosto pelo riso pela diversão, a celebração da vida. Se não fôssemos um povo que afirma cotidianamente a vida, um povo que quer e deseja viver, estaríamos mortos, mortos em vida, sem cultura, sem manifestações culturais genuínas, sem axé.

Portanto, brinquemos na Educação Infantil, muita brincadeira, muito brilho no olho, muito riso, muita celebração da vida.

COOPERATIVIDADE – A cultura negra, a cultura afro-brasileira, é cultura do plural, do coletivo, da cooperação. Não sobreviveríamos se não tivéssemos a capacidade da cooperação, do compartilhar, de se ocupar com o outro.

Como dissemos, este texto é um compartilhar idéias e contamos com seu retorno6 com opiniões, sugestões, críticas, complementações, ponderações, em nome de um verdadeiro e profundo amor pelas nossas crianças brasileiras, que merecem ter acesso a um patrimônio cultural que as constitui como brasileiras, que é o patrimônio cultural afro-brasileiro.

Muito axé.

Bibliografia

BENTO, Maria Aparecida da Silva. Cidadania em preto e branco: discutindo as relações raciais. São Paulo: Ática, 1998.

CAVALLEIRO, Eliane (org.). Racismo e Anti-Racismo na Educação-Repensando nossa Escola. São Paulo: Summus, 2001.

_________________. Do silêncio do lar ao silêncio escolar. São Paulo: Contexto, 2000.


NEN- NÚCLEO DE ESTUDOS NEGROS. Negros e Currículo. Série Pensamento Negro em Educação. Florianópolis: Editora Atilènde, 2002.


SODRÉ, Muniz. Claro e Escuros – identidade, Povo e Mídia no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1999.



______. A Verdade Seduzida. Por um conceito de Cultura no Brasil. Rio de Janeiro: Codecri, 1983.



TRINDADE, Azoilda Loretto e SANTOS, Rafael (org.). Multiculturalismo – mil e uma faces da escola. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.



______. Racismo no Cotidiano Escolar. Rio de Janeiro: FGV/IESAE, 1994. Dissertação de Mestrado em Educação.



Literatura Infantil Literatura Infantil



• Ana e Ana - Célia Godoy – Difusão Cultural do Livro.

• Agbalá, um lugar-continente – Marilda Castanha – Editora Formato.

• A menina que tinha o céu na boca – Júlio Emílio Braz – Difusão Cultural do Livro.

• A semente que veio da África – Heloísa Pires Lima – Salamandra.

• A ovelha negra – Bernardo Aibê – Ed. Ioni Meloni Naif.

• As tranças de Bintou – Sylviane A. Diouf – Cosac e Naify.

• Berimbau – Raquel Coelho – Editora Ática.

• Bruna e a Galinha D’ Angola - Gercilda de Almeida – Editora Pallas

• Como as histórias se espalharam pelo mundo – Rogério Andrade Barbosa – Editora Difusão Cultural do Livro.

• Duula, a mulher canibal – Rogério Andrade Barbosa – Ed. Difusão Cultural do Livro.

• Gosto de África – Histórias de lá e de cá – Joel Rufino dos Santos – Editora Onda Livre.

• Histórias Africanas para contar e recontar - Rogério A. Barbosa – Ed. do Brasil.

• Histórias da Preta – Heloísa Pires Lima – Editora Companhia das Letrinhas.

• Ifá, o adivinho – Reginaldo Prandi- Companhia das Letrinhas.

• Lendas Negras – Júlio Emílio Braz – Editora FTD.

• Menina bonita do laço de fita – Ana Maria Machado - Editora Ática.

• O amigo do rei – Ruth Rocha – Editora Ática.

• O espelho dourado – Heloísa Pires Lima – Peirópolis.

• O filho do vento – Rogério Andrade Barbosa – Ed. Difusão Cultural do Livro.

• O menino marrom – Ziraldo – Ed. Melhoramentos.

• O menino Nito – Sonia Rosa – Editora Pallas.

• Os reizinhos de Congo – Edimilson de Almeida Pereira – Ed. Paulinas.

• Que mundo maravilhoso! – Julius Lester – Editora Brinque-Book.

• Tanto, tanto! – Tristh Cooke – Editora Ática.

• A cor da ternura – Geni Guimarães – Editora FTD



Notas:

1- Doutora em Comunicação pela UFRJ. Mestre em Educação/IESAE/FGV. Professora universitária,supervisora da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. Ativista da luta contra o racismo.

2- http://www.fvt.com.br/declaracaouniversal.htm

3- É bom dizer, para evitar as tradicionais inquietações quando se afirma a africanidade brasileira, que sabemos que somos um país plural, marcado por valores civilizatórios de outros grupos humanos, contudo, este não é o foco deste texto.

4- Recontado por Heloisa Pires Lima em Histórias de Preta. São Paulo, Cia. das Letrinhas, 1998. p. 61.


5- Divindade que simboliza na cosmovisão ioruba, a transformação, a comunicação, os encontros, a contradição, o movimento.

6- azoildaloretto@ig.com.br

SALTO PARA O FUTURO / TV ESCOLA

WWW.TVEBRASIL.COM.BR/SALTO

A princesa e a ervilha



Hans Christian Andersen



Havia uma vez um príncipe que queria se casar com uma princesa, mas não se contentava com uma princesa que não fosse de verdade. De modo que se dedicou a procurá-la no mundo inteiro, ainda que inutilmente, pois todas que via apresentavam algum defeito.

Princesas havia muitas, porém não podia ter certeza, já que sempre havia nelas algo que não estava bem. Assim, regressou ao seu reino cheio de sentimento, pois desejava muito uma princesa verdadeira!

Certa noite caiu uma tempestade horrível. Trovejava e chovia a cântaros. De repente, bateram à porta do castelo, e o rei foi pessoalmente abrir.

No umbral havia uma princesa. Mas, Santo Céu, como havia ficado com o tempo e a chuva! A água escorria por seu cabelo e roupas, seu sapato estava desmanchando. Apesar disso, ela insistia que era uma princesa real e verdadeira. "Bom, isso vai saber logo", pensou a rainha velha.

E, sem dizer uma palavra, foi ao quarto, tirou toda a roupa de cama e colocou uma ervilha no estrado, em seguida colocou vinte colchões sobre a ervilha, e sobre eles vinte almofadas feitas com as plumas mais suaves que se pode imaginar.




Ali teria que dormir toda a noite a princesa.

Na manhã seguinte, perguntaram-lhe como tinha dormido.

-Oh, terrivelmente mal! - disse a princesa. Não consegui fechar os olhos toda a noite. Vá se saber o que havia nessa cama! Encostei-me em algo tão duro que amanheci cheia de dores. Foi horrível!

Ouvindo isso, todos compreenderam que se tratava de uma verdadeira princesa, já que havia sentido a ervilha através dos vinte colchões e vinte almofadões. Só uma princesa podia ter uma pele tão delicada.

E assim o príncipe casou com ela, seguro que sua era uma princesa completa. A ervilha foi enviada a um museu onde pode ser vista, a não ser que alguém a tenha roubado.

João Jiló

HÁ MUITO TEMPO, NUMA FAZENDA NÃO MUITO LONGE DAQUI, MORAVA UM MENINO CHAMADO JOÃO JILÓ. ELE ERA MUITO LEVADO, MALCRIADO E TEIMOSO. GOSTAVA DE FAZER MALDADES COM OS ANIMAIS, UM DIA, ELE ACORDOU E DISSE À SUA MÃE:

_ MÃE, HOJE EU ACORDEI COM UMA VONTADE GRANDE DE CAÇAR PASSARINHO, EU VOU SAIR E SÓ VOLTO QUANDO CONSEGUIR PEGAR UM BEM BONITO, GORDINHO E QUE DÊ PARA FAZER UM ENSOPADO BEM GOSTOSO, VIU?

A MÃE DE JÃO JILÓ LHE PEDIU:
_ MAS, MEU FILHO, EU JÁ CANSEI DE LHE FALAR QUE NÃO SE DEVE CAÇAR PASSARINHO! OLHE, A NATUREZA É MUITO BOA, MAS, QUANDO NÓS A MALTRATAMOS, ELA NOS CASTIGA. CUIDADO, JOÃO. FIQUE AQUI. DEIXE DE SER TEIMOSO!

MAS JOÃO JÁ ESTAVA RESOLVIDO. PEGOU SEU BODOQUE E SAIU CALADINHO. QUANDO CHEGOU A FLORESTA, LOGO ELE VIU UM PASSARINHO ESTRANHO. MUITO DIFERENTE MESMO. UM POUCO MAIOR QUE OS OUTROS PASSARINHOS E TODO COLORIDO. JOÃO PENSOU ALTO:

"QUE SORTE EU TENHO!"

E PEGOU UMA PEDRA, COLOCOU NO BODOQUE, MIROU BEM O PASSARINHO. QUANDO ELE IA ATIRAR, O PASSARINHO CANTOU:

_NÃO ME MATE NÃO JOÃO JILÓ!

EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!

SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!

PARA PIAR!

MAS NÃO ADIANTOU, JOÃO JILÓ ATIROU E ACERTOU A CABECINHA DO PASSARINHO, QUE CAIU NO CHÃO COM AS PERNINHAS PRA CIMA.

ENTÃO, ELE PEGOU O PASSARINHO, COLOCOU DENTRO DA SACOLINHA E FOI PARA CASA. QUANDO CHEGOU EM CASA, FOI DIRETO PARA COZINHA. COMEÇOU A DEPENAR O PASSARINHO, QUANDO ELE CANTOU:

_NÃO ME DEPENE NÃO, JOÃO JILÓ!

EU VIM PARA CANTAR, JOÃO JILÓ!

SOU BICHO DO MATO, JOÃO JILÓ!
PARA PIAR!


E ADIANTOU? NÃO. AÍ QUE JOÃO JILÓ TIROU MESMO AS PENINHAS DO PASSARINHO. QUANDO O PASSARINHO FICOU TODO PELADINHO, JOÃO JILÓ ACENDEU O FOGO E JÁ IA SAPECÁ-LO, MAS ELE COMEÇOU A CANTAR:

_ NÃO ME SAPEQUE, JOÃO JILÓ!

EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!
SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!

PARA PIAR!

JOÃO JILÓ NEM LIGOU! SAPECOU O PASSARINHO NO FOGO. DEPOIS, LEVOU O COIUTADINHO PARA A PIA, PEGOU UMA FACA ENORME PARA PARTIR O PASSARINHO, MAS ELE CANTOU:

_ NÃO ME PARTA, JOÃO JILÓ!
EU VIM PRA CANTAR, JÃO JILÓ!

SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!
PARA PIAR!

ELE PARTIU O PASSARINHO ASSIM MESMO E O LAVOU BEM LAVADINHO. QUANDO ELE IA TEMPERAR O BICHINHO, ELE CANTOU:

_ NÃO ME TEMPERE NÃO, JOÃO JILÓ!
EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!

SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!
PARA PIAR!

DEPOIS, JOÃO JILÓ, PEGOU UMA PANELA, COLOCOU ÓLEO, PÓS PARA ESQUENTAR, MAS, QUANDO IA FRITAR O PASSARINHO, ELE CANTOU:

_NÃO ME FRITA NÃO, JOÃO JILÓ!
EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!

SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!

PARA PIAR!

ELE FRITOU O PASSARINHO. PEGOU UM PRATO, E, QUANDO IA COMÊ-LO, O PASSARINHO CANTOU:

_ NÃO ME COMA NÃO, JOÃO JILÓ!
EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!
SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!
PARA PIAR!

ELE COMEU O PASSARINHO TODINHO DE REPENTE, A BARRIGA DE JOÃO JILÓ COMEÇOU A INCHAR... A INCHAR... E ELE OUVIU UMA VOZ VINDA LÁ DE DENTRO:

_ EU QUERO SAIR DAQUI, JOÃO JILÓ.
E JOÃO JILÓ RESPONDEU:
_ ENTÃO, SAIA PELO NARIZ!
E O PASSARINHO:
_ NO NARIZ TE MELECA.

E JOÃO JILÓ:

_ ENTÃO, SAIA PELO OUVIDO.
E O PASSARINHO:

_ NO OUVIDO TEM MUITA CERA.

E JOÃO JILÓ:
_ ENTÃO SAIA PELA BOCA.

E O PASSARINHO:

_ NA BOCA TEM SALIVA.

E A BARRIGA DE JOÃO JILÓ FOI INCHANDO, FOI INCHANDO, FOI INCHANDO E... BUM! EXPLODIU!

O PASSARINHO SAIU VOANDO CONTENTE E CANTANDO:

_ EU SOBREVIVI, JOÃO JILÓ!

EU VIM PRA CANTAR, JOÃO JILÓ!

SOU BICHINHO DO MATO, JOÃO JILÓ!

PARA PIAR!
JOÃO JILÓ FICOU ´LÁ COM A BARRIGA TODA ABERTA. TIVERAM DE CHANAR O MÉDICO, QUE COSTUROU A BARRIGA DAQUELE MENINO TEIMOSO.

JOÃO JILÓ APRENDEU A LIÇÃO. NUNCA MAIS DESOBEDECEU À SUA MÃE NEM CAÇOU PASSARINHO!

MORAL DA HISTÓRIA: A NATUREZA SEMPRE CASTIGA DE ALGUM JEITO. E QUEM QUISER QUE LEMBRE OUTRA!
Gostou da história? 
 
 
Baixe o vídeo do João Jiló em: http://www.overmundo.com.br/banco/contacao-de-historias-joao-jilo-de-jose-mauro-brant
 
Incentive a cultura , através da Literatura. Adriana

OPINIÕES DE ROBINSON

(Carlos Drummond de Andrade)

Robinson aproximou-se cautelosamente. Percebia-se que era um homem disposto a defender sua ilha deserta.

__ Naturalmente o senhor veio aqui para entrevistar-me. Quer conhecer minhas opiniões sobre o mundo do pós-guerra, a maneira de domesticar os alemães, a possibilidade de dar comida a toda a gente e outras utopias. Mas eu sou um homem sem opiniões. Tenho apenas meu machado e minha cabana. Entende?

__ Não, velho Robinson. Não vim perguntar-lhe nenhuma coisa. Apenas, cuidou-se de dedicar à literatura infantil o número de uma revista e eu me lembrei de procurá-lo, a você personagem típico dos livros infantis, para ouvi-lo discorrer sobre matéria tão complexa.

__ Não sou personagem de histórias infantis. Minha história não foi escrita para crianças.

__ Precisamente por isso escolhi você, meu caro amigo. Como se explica o fato de um livro escrito para adultos atingir a zona difícil das crianças e passar a ser considerado um livro feito para elas, e até mais compreendido por elas do que pela gente grande?

Robinson coçou a barba de uma exuberância vegetal. Mostrava-se embaraçado, mas estava antes envaidecido.

__ Então no Brasil também?...

__ Também no Brasil, pois não. A princípio nas velhas e ingênuas séries de quadros coloridos do Tico Tico a sua aventura foi contada às crianças brasileiras.(Chorei minha lágrima na semana em que você deixou a ilha) Depois vieram outras adaptações e resumos, antecipando a técnica moderna da condensação. Por último você foi apresentado aos nossos garotos pelo escritor Monteiro Lobato, um dos homens que mais fizeram pelas crianças brasileiras, contando-lhes histórias entre fantásticas e realistas, em que lhes ensinava de maneira pitoresca a ciência, a história, a geografia, os fenômenos da natureza.

__ Cortaram muito das minhas peripécias?

__ Muito. Mas era preciso, e todo o escritor já está habituado a essa operação. O essencial é que o personagem ficasse. E o personagem está vivo. Fizeram o mesmo com o Quixote.

__ Este cavalheiro é diferente – interrompeu Robinson agastado.__ Nada temos em comum. Trata-se de um sonhador, um lunático, ao passo que eu sempre fui um honrado comerciante (talvez mais comerciante que honrado) e sobretudo um espírito prático. Minha longa permanência na ilha que cultivei e colonizei não é uma aventura romântica. Não perdi o meu tempo construindo uma torre, mas aproveitei-o fazendo uma cabana fortificada; e não escrevi versos à maneira dos jovens poetas puros, em matéria de escrita, limitava-me a dar talhos na madeira, para indicar os dias e controlar a passagem do tempo. Enfim, minha vida pode ser tida como exemplo de força prática, laboriosa e construtiva, nela se fundem capacidade inventiva, força de vontade e poder de adaptação.

__ Já sei prezado Robinson, e desculpe se lembrei à toa o nome de um ser tão diferente como o Quixote. O certo é que os meninos gostam de você, homem de vista curta e segura (isto não é xingamento), como o do fidalgo manchego que era a própria imaginação desenfreada. Meninos gostam de tudo e o apetite infantil em matéria de histórias e caracteres vai ao infinito.

__ Além do meu “caso” que é que eles lêem ultimamente por lá?

__ Tudo. E muitos lêem Robinson sem o saberem. Porque você tem mil nomes, fique ciente disto. Os escritores e desenhistas norte-americanos não pecam pelo excesso de espírito criador, e muitas vezes, com feições e rótulos diversos, fazem de você ou de outros personagens clássicos o objeto de suas histórias aparentemente novas. Essas histórias, como tantas outras mercadorias padronizadas, são despachadas para o mundo inteiro e aparecem simultaneamente nos jornais e revistas de toda a parte. Sua receita de viver numa ilha deserta tem sido muito explorada.

__ Sei disso. Recebo as Seleções e ouço o aviso aos navegantes... Hoje em dia, isso de ilha deserta é conversa fiada.

__É mesmo, velho Robinson e as crianças também o sabem. As crianças envelheceram terrivelmente nos últimos tempos. O cinema lhes trouxe uma soma brutal de conhecimentos. O rádio também. Já não falo das crianças dos países onde se desenvolvem operações militares – essas aprenderam demais. Refiro-me às crianças dos países não invadidos, nem bombardeados, das crianças mais felizes e protegidas. Amadureceram muito. Há mesmo quem receie que os contos maravilhosos já não seduzam os meninos mais tenros, a menos que esses contos também se renovem e, por exemplo, exibam uma moralidade mais direta e cortante. Na opinião dessas pessoas, as fábulas estão desmoralizadas. A figura do lobo não interessa; um fascista impressiona muito mais. E as fadas teriam perdido o prestígio, depois que surgiram os pára-quedistas.

__ Afinal, o senhor está entrevistando ou sendo entrevistado? – estranhou Robinson.

__ Tem razão. Vim aqui para pedir-lhe que me ajude a compreender o mistério da leitura – ou um aspecto dele. As crianças lêem histórias para gente grande. Os homens lêem contos de Andersen e Perrault. Um conto como “O príncipe feliz” de Oscar Wilde, não se sabe se foi composto para homens ou crianças – todos o adoram. Que é, afinal, literatura infantil?

__ Meu filho – respondeu Robinson gravemente, depois de um minuto de reflexão. __ O problema é estranho a minhas cogitações habituais, mas é possível examiná-lo à luz da natureza humana. A literatura infantil é talvez uma invenção dos livreiros. Quem sabe?

__ Mas os especialistas...

__ Deixe em paz os especialistas. Não é fora da história do comércio ou da sociedade que um gosto ou uma tendência sejam impostos pelo produtor. O uso da gravata nos países ocidentais talvez não tenha outra explicação senão a de que foi estabelecido pelos fabricantes de gravatas. Literatura é uma só, e não parece razoável que se divida em seções correspondentes às fases do crescimento físico e mental do homem.

__ Entretanto – arrisquei – certa maneira de contar...

__ Dirige-se de preferência ao público infantil, não é? Mas essa maneira não basta para constituir uma nova forma de literatura, nem mesmo um novo gênero. Dentro da “literatura adulta”, se é que vocês a chamam assim, cabem todas as maneiras, formas e gêneros. E a redução microscópica de um gênero é ainda um gênero. “Infantil”, geralmente é o autor da história em si. O que há de gravidade e consciência das coisas no espírito da criança escapa, geralmente, a esses escritores especializados em livros para crianças. Como se a criança fosse um ser à parte, que se transforme visceralmente ao crescer.

E o homem positivo continuou:

__ Não há escritores para homens e escritores para meninos. Há somente bons e maus escritores. Dentro da categoria dos bons uns são particularmente dotados para a representação de pessoas, coisas e fatos, reais ou imaginários. Esses criarão histórias e personagens que darão a volta ao mundo, fascinarão velhos e moços, mulheres e homens, de todas as profissões, e serão sempre vivos. Não têm a preocupação de uma clientela, de uma classe ou de uma zona de influência. São os escritores propriamente ditos. Os outros são os ruins – não interessam.

E depois:

__ Afinal, e sumariamente, a chamada literatura infantil tem seu principal celeiro no folclore. Mas, não é o folclore universal um fornecedor de motivos para toda a literatura? O folclore, simplesmente, seria insuficiente para individualizar essa pretensa literatura pré-púbere. Outro elemento de caracterização seria o seu duplo objetivo de recreação e educação (não falo de propaganda, que já é um desvio).Ora, aqueles são objetivos que podem coincidir com os da leitura. É preciso divertir as crianças, como também é preciso ensinar-lhes matemática elementar, mas não vejo em que isto envolva preocupação literária, como não há literatura no ato de cantar para que o filho adormeça ou no de substituir-lhe os cueiros molhados...

__ Mas há vida, Robinson ilustre, há vida!

__ E a vida não é uma só, sem embargo das diferenças biológicas?

Fugi. Seria Robinson um conferencista recalcado?

CAUSOS




Nas fogueiras de Paysandú, Mellado Iturria conta causos. Conta acontecidos. Os acontecidos aconteceram alguma vez, ou quase aconteceram, ou não aconteceram nunca, mas têm uma coisa de bom: acontecem cada vez que são contados. Este é o triste causo do bagrezinho do arroio Negro.

Tinha bigodes de arame farpado, era vesgo e de olhos saltados. Nunca Mellado tinha visto um peixe tão feio. O bagre vinha grudado em seus calcanhares desde a beira do arroio, e Mellado não conseguia espantá-lo. Quando chegou no casario, com o bagre feito sombra, já tinha se resignado.

Com o tempo, foi sentindo carinho pelo peixe. Mellado nunca tinha tido um amigo sem pernas. Desde o amanhecer o bagre o acompanhava para ordenar e percorrer campo. Ao cair da tarde, tomavam chimarrão juntos; e o bagre escutava suas confidências. Os cachorros, enciumados, olhavam o bagre com rancor; a cozinheira, com más intenções. Mellado pensou em dar um nome para o peixe, para ter como chamá-lo e para fazer-se respeitar, mas não conhecia nenhum nome de peixe, e batizá-lo de Sinforoso ou Hermenegildo poderia desagradar a Deus.

Estava sempre de olho nele. O bagre tinha uma notória tendência às diabruras. Aproveitava qualquer descuido e ia espantar as galinhas ou provocar os cachorros: __ Comporte-se – dizia Mellado ao bagre.

Certa manhã de muito calor, quando as lagartixas andavam de sombrinha e o bagrezinho se abanava furiosamente com as barbatanas, Mellado teve a idéia fatal: __ Vamos tomar banho no arroio – propôs.Foram os dois. E o bagre se afogou. GALEANO, Eduardo. O Livro dos Abraços. Porto Alegre: L & PM, 1995.

AGORA NÃO, BERNARDO!




__ Oi, pai – disse o Bernardo. __ Agora não, Bernardo – disse o pai.

__ Oi, mãe – disse o Bernardo.__ Agora não, Bernardo – disse a mãe.

__ Tem um monstro no jardim e ele vai me devorar – disse o Bernardo.

__ Agora não, Bernardo – disse a mãe. Bernardo foi para o jardim. __ Oi, monstro – ele disse para o monstro. O monstro devorou o Bernardo inteirinho, pedacinho por pedacinho. Então o monstro entrou na casa. __ RUAUR – fez o monstro, por trás da mãe do Bernardo.__ Agora não, Bernardo – disse a mãe do Bernardo. O monstro mordeu o pai do Bernardo. __ Agora não, Bernardo – disse o pai do Bernardo. __ Seu jantar está pronto – disse a mãe do Bernardo.

E ela pôs o jantar na frente da televisão. O monstro jantou. Depois ele viu televisão, leu uma revistinha do Bernardo e quebrou um brinquedo dele. O monstro subiu para o quarto.

__ Mas eu sou um monstro – disse o monstro. __ Agora não, Bernardo – disse a mãe do Bernardo.



MCKEE, David. Agora não, Bernardo! São Paulo: Martins Fontes, 1994.

O PATINHO REALMENTE FEIO




Era uma vez uma mamãe pata e um papai pato que tinham sete bebês patinhos. Seis eram patinhos normais. O sétimo, porém, era um patinho realmente feio. Todo mundo dizia: “Mas que bando de patinhos tão bonitinhos... Todos, menos aquele ali. Puxa, mas como ele é feio!”

O patinho realmente feio ouvia o que as pessoas diziam, mas ele nem ligava. Sabia que um dia iria crescer e provavelmente virar um cisne, muito maior e muito mais bonito do que qualquer ave do lago.

Bem, só que no fim ele era apenas um patinho realmente feio. E, quando cresceu, tornou-se apenas um pato grande realmente muito feio. FIM.



SCIESZKA, Jon. O patinho realmente feio e outras histórias malucas. São Paulo: Cia.das Letrinhas, 1997.

FITA VERDE NO CABELO




Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam.

Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.

Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.

Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dizia: – Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou.

A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.

E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vinha-lhe correndo, em pós.

Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa.

Vinha sobejadamente.

Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:

– Quem é?

– Sou eu… – e Fita-Verde descansou a voz. – Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.

Vai, a avó, difícil, disse: – Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.

Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou. A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: – Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.

Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:

– Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!

– É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta… – a avó murmurou.

– Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados!

– É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta… – a avó suspirou.

– Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?

– É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha… – a avó ainda gemeu.

Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: – Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!…

Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.



ROSA, João Guimarães. Fita Verde no Cabelo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Literatura Afrobrasileira

Ouvimos muitas histórias durante a nossa infância, mas na maioria delas quase não vimos como heróis principais a figura do negro.
Atualmente já temos a nossa disposição, diversos livros infanto-juvenis que resgatam a cultura afrodescendente.
Em 2003, foi decretada a Lei Federal n.º 10.639, que mudou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), ao estabelecer a obrigatoriedade do ensino e transmissão de cultura africana e afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino públicos e privados de todo o País.
Temos certeza que nossas crianças vão apreciar esse tipo de produção literária e os porfessores terão em suas mãos temas relevantes para trabalharem as questões diverisifcadas.
Aqui deixo algumas dessas indicações.

 Confira algumas delas!

















 


 


 


 

Aproveitem a dica e conte essas histórias maravilhosas para os seus alunos.

Recursos para contar Histórias

Contar histórias é uma arte. Antes de iniciar uma história o professor deve conhecer muito bem o conteúdo do livro. Para enriquecer  o seu projeto de contação de histórias, você pode ilustrá-las com alguns recursos.


Personagens feitos de palitos de churrascos.

Outros de colher de pau.

Confeccionar luvas com diversos personagens.


Criar um avental......

Coloque a sua imagina para florir.

Casinha de fantoches.


A mala. As crianças adoram surpresas! Todas ficam esperando para ver o objeto mágico.

Essas são algumas dicas de recursos que você pode criar, inventar, inovar para que as suas aulas de leitura se tornem prazerosas.

Agora é só colocar a mão na massa.

Mídias nas Salas de Leitura

Na contemporaneidade, as novas tecnologias avançaram rapidamente em nossas vidas e certamente todo esse processo trouxe de alguma forma uma grande influência em nossas vidas e principalmente atingiu nossas escolas.


Não podemos mais pensar em educação de qualidade, sem que as novas tecnologias e a comunicação estejam colocadas lado a lado. Esperamos que a escola não fosse mais aquela que só se propunha a ser transmissora do conhecimento, mais a que leve ao educando a interagir com esse universo de multiplicidades que as novas tecnologias proporcionam.

A escola deve assumir uma nova postura, sendo a difusora de novas tecnologias, de novos conhecimentos, a fim de permitir que seus alunos tenham chances de participar da concorrência de mercado de trabalho, cada vez mais exigente.

Com a rapidez que a informação circula o simples saber não é suficiente para que os alunos possam estar preparados para assumir a sociedade do amanhã. A realidade educacional requer cidadãos capazes de interpretar, de fazer circular a informação do global para a sua comunidade e vice-versa. E, além de tudo saber se utilizar da informação em benefício próprio e como prática social.

Esperamos que com a implantação das Salas de Leitura, possamos constatar em nosso município, que algo foi realizado em prol da melhoria da qualidade de ensino, não para atingir níveis altos no IDEB, mas propiciar aos nossos alunos práticas inovadoras que o levem a gostar da leitura, apreciar as obras literárias, a estar incluso de fato no mundo leitor e de principalmente adquirir cultura.

O nosso maior desafio é propor à escola, e aos professores, a valorização da mídia na sala de aula, não só como instrumento de discussão, mas como ferramenta de construção de realidades, baseadas em conteúdos de interesse dos alunos, estimulando, desta forma, a consciência crítica.
Adriana Lourenço 2008

domingo, 11 de julho de 2010

O Uso do Vídeo como Recurso nas Salas de Leitura

A partir das discussões em torno da leitura sugeridas pelos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) do Ensino Fundamental e, em consonância com a Proposta Curricular para o Ensino da Língua Portuguesa desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação de Rio do Sul (2008), o projeto Salas de Leitura entende e acredita que a leitura seja um processo ideovisual, apoiado em informações recebidas através da visão e das informações encontradas nas estruturas cognitivas do leitor. Assim, compreende-se a leitura como um processo interativo no qual a produção de sentidos acontece de forma partilhada.

Segundo o ponto de vista da estética da recepção associada a Hans-Robert Jauss, percebe-se uma alteração substancial nos estudos críticos, pois as obras são examinadas sob a perspectiva do receptor. Ele é o eixo e é a partir do leitor que os textos são examinados. Em sua teoria da Estética da Recepção o conceito de receptor fundamenta-se em duas categorias: a de horizonte de expectativa e a de emancipação. Enquanto o primeiro é um misto dos códigos vigentes e da soma de experiências sociais acumuladas, o segundo entende o efeito atingido pela arte como uma liberação do destinatário das percepções usuais, conferindo-lhe uma nova visão da realidade.
Jauss entende a função da literatura como a relação desta com o seu leitor, defende a premissa de que a arte não é reprodução dos eventos sociais, mas desempenha um papel atuante, ao fazer história e participar do processo de pré-formação e motivação do comportamento social. Ele concebe a recepção como um envolvimento intelectual, sensorial e emotivo com uma obra.
De acordo com a Proposta Pedagógica de Salas de Leitura (2008) a metodologia utilizada nos encontros de leitura em dois momentos distintos. O primeiro denominado de leitura fruitiva e o segundo de leitura formativa. Para a primeira etapa, após o término da leitura e/ou contação não haverá nenhuma atividade de exploração lúdica, uma vez que seu principal objetivo é o contato com bons textos elevando-os à categoria de obra de arte.
Para a leitura formativa, serão feitas atividades de exploração lúdica sempre na perspectiva de formação do leitor competente, fazendo vistas à intertextualidade e desconstrução do clássico, relativizando verdades, levando à reflexão, promovendo o espírito crítico e criativo.
Nesse ponto e de acordo com Santos (2008) propõe a utilização do vídeo como forma de acrescentar os momentos da leitura formativa e a desconstrução dos Clássicos com a utilização do vídeo:

• Desconstrução do Clássico. Produção de vídeos pelos alunos a partir de temas literários;

• Leitura de imagens a partir de cartuns, propagandas, noticiários, novelas de época etc.

• Releitura de diversos vídeos em envolva a Literatura;

• Revisitamentos de obras. Exemplo de vídeo: Deu a Louca no Chapeuzinho Vermelho, Menina Má Ponto Com...

• Gravação de poesias em programas de áudio e vídeo.

• Filmagens de eventos produzidos pelas Salas de Leitura: chás ou saraus literários, encontro com o escritor, clube da leitura e etc.

• Postagens dos vídeos produzidos pelos alunos em blogs.

Após a seleção prévia do material a ser utilizado nas Salas de Leitura, o professor poderá organizar as suas aulas utilizando usando uma das estratégicas acima e desenvolver atividades promotoras de leitura.
Os vídeos utilizados deveram ser utilizados como ferramenta pedagógica, a fim de ampliar o universo da leitura dos alunos e desenvolver o gosto pela leitura em geral.
Nesse sentido, as salas de leitura são espaços essenciais para o exercício de práticas leitoras, de modo que a leitura e, em especial a Literatura, possa ser vivida das mais diferentes formas. O trabalho nesses espaços aponta a formação de leitores capazes de dialogar com diferentes textos e seus respectivos suportes textuais. Assim, propõe-se a convergência dos textos encontrados nos livros com os que circulam na TV e em vídeos, uma vez que, segundo a concepção do educador Paulo Freire: “a leitura de mundo precede à leitura da palavra”.

Em todas as áreas do conhecimento podemos utilizar dos recursos da TV/Vídeo. Basta para isso, conhecer o material e interligá-lo ao assunto que queremos desenvolver.
Esses recursos têm que ser usados como propiciadores de conhecimento, incentivadores, encantadores nas aulas e não como mais um recurso para entreter os alunos.
A sua eficácia se faz quando promove mudanças, acrescentando algo de importante na vida dos alunos.
Se atualmente temos essa gama de informações tecnológicas, façamos que elas sirvam como instrumentos no processo de ensino aprendizagem à favor de uma educação de qualidade.

Atividades que podem ser desenvolvidas em Salas de Leituras

Nos diversos espaços de leitura , podemos desenvolver diversas alternativas com o objetivo de  possibilitar o acesso à informação e na tentativa de aproximar o aluno do livro, despertando nele o prazer e a alegria de ler. Aqui apresento algumas dessas atividadeses tais como:
o Leituras;
o Debates;
o Exposições;

o Montagem de textos teatrais;

o Hora do conto;
o Oficinas temáticas e/ou de acordo com os projetos desenvolvidos pelas Unidades Escolares;

o Atividades de literatura infantil e juvenil;

o Concursos diversos;

o Sessões de vídeos com intencionalidade pedagógica;

o Empréstimos de livros e outros materiais afins;

o Orientação à pesquisa;

o Criação de gibitecas;

o Criação de clubes de leitura;
o Criação de videotecas;

o Criação de jornais escolares;

o Encontro com escritores;

o Saraus e/ou varais literários;

o E outras atividades afins;

Salas de Leitura - Um caminho de aprimoramento em busca da formação de leitores Riosulenses

A Secretaria Municipal no de 2008 teve como proposta, dar uma nova dimensão pedagógica ao espaço das bibliotecas dos Centros Educacionais. Pensando numa educação de qualidade voltada para atender a “Rio do Sul do Futuro”, inaugurou cinco Salas de Leitura, das quais receberam os seguintes nomes: Estação do Saber, Mundo da Imaginação, Porta do Conhecimento, Universo Encantado e Planeta Literário.


A Sala de Leitura é um espaço dedicado ao aprimoramento de conhecimentos e à troca de experiências em torno da leitura, escrita, literatura e cultura. É também um convite à leitura do rádio, do jornal, da TV, do computador, do próprio livro, entendendo o exercício da leitura e da produção textual como práticas que se dão dentro e fora da escola. Objetivo do projeto é de promover o desenvolvimento de uma Política Pública de Promoção de Leitura e Formação de Leitores nas Unidades Escolares que compõem a Rede Pública Municipal. Nesses espaços são realizados: oficinas, empréstimos de livros, orientações para pesquisas escolares, rodas de leitura, concurso de poesia, sarau literário, encontro com o escritor, mostras de trabalhos, produções de peças teatrais, vídeos, entre outras atividades. O acesso aos acervos disponíveis, bem como ao espaço da Sala de Leitura, é um direito de toda a comunidade escolar e precisa ser planejado de modo que as atividades não se limitem a uma grade de horários que escolarize a hora da leitura.


Os professores que atuam nas Salas de leitura tiveram capacitação para que o seu trabalho junto ao leitor e o livro se tornassem em momentos prazerosos, dos quais muitos dos alunos pudessem experimentar momentos ricos, como o tapete mágico do Aladim, de estar em contato direto com os grandes clássicos, de encenarem fábulas que perduram por tantos anos na história da literatura. O melhor! Saborear as diversas sensações que os livros produzem.


Ler bons livros é capacitar-se para ler a vida e quem lê, aprende. A Sala de Leitura é um espaço onde diferentes linguagens, culturas e saberes transitam no decorrer do ano e muita aprendizagem acontece. Cada texto na leitura tem o seu sabor inesquecível: o sabor do saber. (Karla Kardauke - Professora da Sala de Leitura “Mundo da Imaginação” CEPLAS).






Atualmente as Salas de Leitura vão resignificar um novo modelo de Educação a “Educação Empreendedora”, que visa sempre a aprender mais. O bom empreendedor sonha e busca tornar o seu sonho em realidade, não só em benefício próprio, mas algo que seja significativo e benéfico para toda a comunidade.


Esperamos com esse projeto leve ao nosso aluno à diversidade de materiais que lhe dêem ao acesso as diversas vertentes da arte literária como a erudita, a popular, as fábulas, contos, poemas auxiliando na construção de leitor crítico e analítico, utilizando essas ferramentas para elevação da qualidade de ensino.